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Com uma Justiça assim...

 
Isaltino Morais já foi libertado - Portugal - DN

Um país com um sistema judicial que consegue fazer de si próprio palhaço não pode sonhar muito alto... É que se os magistrados não conseguem saber do que se passa na Comarca do vizinho, como esperam eles saber o que andam a fazer os corruptos e ladrões deste país?!

Acrescento ao último post



Ao último post, tenho afinal mais uma coisa a acrescentar. Onde estão as organizações de defesa de LGBTs? Será que ex-aequos, ILGAs e coisas do género só servem para vir falar para as TVs e fazer paradas e prides e servir de local de "engate"? Vir deplorar estes actos para os média não?! Ajudar o pobre rapaz não?!

Pó Diabo com esta gente toda que o mundo está completamente louco e desgraçados daqueles que não estão.

Finalmente a verdade


Redução da Taxa Social Única só irá aumentar lucros das empresas - JN

Finalmente, e não percebo porque vem tão tarde e, sobretudo, tão só, a verdade vem ao de cima pela boca de um Professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Abel Fernandes. Segundo ele, a medida é perigosa e cria desigualdades na equidade entre quem paga impostos. Ao fim deste tempo todo, ainda há gente com juízo nesta aldeola ibérica.

"O economista Abel Fernandes defendeu, esta quarta-feira, que a redução da Taxa Social Única é "uma medida desnecessária e muito perigosa" em que o efeito será "pura e simplesmente um aumento dos lucros das empresas"."

"Em declarações à Agência Lusa, o economista alertou para o facto de "não haver garantias de que a redução a TSU aumente a competitividade das empresas portuguesas", que é o principal argumento do Governo para a medida, porque, acrescentou, "os empresários não têm que reflectir no preço dos produtos essa redução de encargos"."


"O professor catedrático reiterou que "o aumento do lucro das empresas vai ter que ser suportada pela generalidade dos consumidores portugueses, através do aumento da taxa de IVA", que também ajudará a "deprimir o consumo, sendo um factor negativo nas perspectivas de recuperação económica"."

O país está louco!

Rapaz agredido a pontapé tem medo de sair de casa - JN

Depois de termos ouvido a notícia de uma rapariga a qual foi violentamente espancada por outras duas matrafonas, de uma rapariga que foi esfaqueada com um x-acto por outra senhora, podemos ler agora uma outra notícia de um rapaz agredido a pontapé, alegadamente por outros três jovens que ainda lhe roubaram 100 euros!! Mas não é caso único. Soube outro dia que uma aluna minha anda a ser ameaçada de morte por uma colega. A rapariga anda tão assustada que já nem vai mais à escola, especialmente porque a turmita dela, segunda ela me contou, se juntou à festa.

O que eu pergunto é onde é que estão os pais no meio disto tudo? Vou propor uma explicação.

Ter um filho é uma coisa muito engraçada. É giro para mostrar ao amigos e tudo. O problema é que, para além de custar muito dinheiro, ao fim de 12 anos acaba-se a macacada. A criança começa a ganhar "vontade própria". Começa a querer sair debaixo das "asas" dos pais. Aos 15, 16 anos começa a fase de rebeldia onde o jovem se tenta encontrar com ele próprio e com o mundo. Como vivemos numa sociedade que cultiva a desresponsabilização de tudo e incentiva a vida "fácil", pode-se perceber que aos 12 anos a criança passa de engraçadinha a chata. Aos 15, 16 anos passa a irritante. E o que é que se faz com coisas chatas e irritantes? Simples, ignora-se. Não se liga. Deixa-se andar que é para não haver chatices. Resumindo, é o mesmo problema dos animais domésticos. Enquanto são bebés ficam. Quando se tornam adultos ficam ao abandono na rua. Como às crianças não se pode deixa-las na rua, deixa-se a criatura vir dormir a casa e dá-se-lhe de comer e beber. O resto, ela que se desenrasque.

Os pais, em Portugal, precisam de um curso para o serem. Uns acham que as crianças se educam sozinhas. Outros há que acham que a educação é da responsabilidade de outros; Escola, Professores, Estado... Mas isto é de espantar? Claro que não. Isto é o resultado da educação que os pais de hoje receberam dos seus próprios pais juntamente com a ideia que se criou em Portugal que a culpa morre solteira. E como é possível não ser assim quando temos um bastonário da ordem dos advogados que acha que gente que comete estes actos não deve ficar presa? Eu até acho que, para além dos filhos, os pais também deviam de ir para os "quadradinhos" perante casos destes. O facto de estar previsto na Lei a possível detenção dos pais pelos actos dos filhos faria muita gente andar bem mais atenta aos seus petizes.

No meio disto tudo, e falando do caso do rapaz, fico com uma grande pergunta. Para que é que um rapaz de 16 anos andava com 100 euros no bolso? E mais uma vez, isto leva a outra pergunta: de quem é a responsabilidade do miúdo andar com tanto dinheiro? Dele ou dos pais?

Eu sei que o embrutecimento intelectual é uma coisa atroz em Portugal. Há em pobres e ricos, engenheiros e trolhas, professores e alunos... Mas usar a massa encefálica não doí... Custa ao inicio para quem não está habituado a fazer uso dela mas não mata e garanto que possíveis dores de cabeça serão passageiras... Não se comece a usar a cabecinha, não, que o país não dura mais 50 anos.

De facto, é bem verdade o que outro dia li. Nós não somos descendentes dos corajosos portugueses que partiram à descoberta de novos mundos. Nós somos descendentes dos Velhos do Restelo que cá ficaram.

O que o país precisa


Portugal se quiser sair da situação em que se encontra precisa de fazer uma séria de mudanças quer a nível político, quer a nível sócio-cultural. Por ordem de prioridades, deixo aqui o que penso ser preciso para que se mude esta carcaça velha em que se tornou Portugal. Já agora acrescento que não guardo esperanças de que alguma coisa irá mudar.


1- Portugal precisa de se renovar socialmente. A sociedade civil tem de perceber que o seu destino está nas suas mãos e não nas mãos dos outros. Tem de haver mais empenho e participação dos portugueses na vida política, quer ao nível dos partidos, quer ao nível de movimentos cívicos e outras organizações. Não quero dizer com isto que se façam mais greves a torto e a direito e sempre pelos mesmos. Não quero dizer com isto que se venha para a rua fazer umas "festas" onde se insulta tudo e todos, de maneira por vezes vil, chamando-lhes "manifestações" e "protestos". Quero dizer com isto que tem de haver mais envolvimento nas decisões e posições de partidos. Eles só mudam as suas posições quando quem lá está dentro é forçado a mudar. Para isto é preciso que haja mais gente envolvida. A sociedade civil tem de fazer uso dos mecanismos legalmente previstos na constituição ou, então, fazer com que se criem outros que possam faltar.

Em suma, o cidadãos deste país têm de fazer uso a esse nome. Todos têm de deixar de dizer mal e passar a fazer algo. Chega de protestar e na altura devida nada fazer. Há que passar das palavras às acções, não em greves ou acções espontâneas mas todos os dias nas nossas acções diárias. A velha desculpa de "eu não falo de política porque não gosto e não me interessa" foi o que nos levou a esta situação e é o que nos mantém nela. Talvez seja altura de se ir para o café a discutir como fazer melhor que os políticos em vez de se ir a falar na novela, futebol ou no puro insulto a tudo e todos.


2- Tem de haver uma racionalização da educação em Portugal. Tem de chegar ao fim a "escola depósito" de crianças e jovens. A escola tem de ensinar e tem de ensinar aquilo que precisa de ser ensinado doa a quem doer. Quem não gosta ou não é capaz, que se retire e dê lugar a quem sabe e quer fazer o que tem de ser feito. No seguimento disto, temos de levar para as escolas aqueles que são capazes para dar aulas e tirar os que lá estão porque não arranjaram nada melhor para fazer ou porque tiraram um curso que só serve para aquilo mas que não é a sua vocação profissional. Tem de se dar aos alunos que querem aprender as condições para o fazer e tirar da escola os que não querem. Esses últimos que se desenrasquem da forma que quiserem e acharem mas conveniente (e se optarem pelo crime, temos de dar meios a quem de direito para os levar à Justiça e pô-los atrás das grades) mas, se não querem estudar, não podem prejudicar quem quer. 

O Ensino Superior tem de ser forçado a redireccionar o seu trabalho para servir o país, a sociedade civil e a economia e não quem lá trabalha. Os professores do Ensino Superior têm de deixar de usar as instituições públicas onde leccionam para a auto-promoção ou como refúgio profissional. Também aqui é preciso trazer os melhores e/ou os mais capazes e não falo apenas na média com que terminam o curso mas sim com um percurso profissional que os habilite a proporcionar a melhor transmissão de conhecimentos face à realidade da área em questão. Não podemos ter professores a dar aulas hoje como as davam há 25 anos atrás, pois o mundo muda todos os dias e é preciso que haja uma adaptação constante aos novos factos científicos e sociais. Não podemos ter apenas, num ensino profissionalizante, teóricos e académicos que nunca saíram da sua sala de aula ou do seu laboratório. Tem que haver complementaridade entre os dois por forma a que os alunos não saiam de lá enciclopédias de carne ou meros papagaios.  


3- O mundo empresarial tem de mudar apoiando-se, entre outras coisas, nos dois pontos anteriores (aposta numa verdadeira qualificação dos trabalhadores e numa autonomia face ao poder "paternal" do Estado). Os portugueses têm de ser mais audazes no seu mundo profissional. Os portugueses têm de deixar para trás a ideia de arranjar um trabalho para a vida a trabalhar para outro. Tem de haver empreendedorismo (esta bonita palavra de que tantos falam mas que poucos fazem) da parte dos trabalhadores. Mas porque não havemos de ter todos em mente, um dia, termos a nossa própria empresa, fundando-a ou querendo chegar à direcção de uma grande empresa já existente? Tem de acabar a ideia de se apontar para os quadros médios e mediocridade como objectivo final profissional. 

Os empresários actuais têm também de aprender a inovar e a gerirem as suas empresas, não como a mercearia da esquina, mas sim como uma entidade económica capaz de crescer nos tempos bons e de se aguentar nos tempos maus. Não se pode continuar com a ideia de que a empresa é para dar lucro amanhã para se poder construir uma vivenda. Os empresários e gestores têm também de mudar o paradigma de remuneração dos seus funcionários, não querendo que estes trabalhem no seu melhor pelo menor preço possível. Os salários e remunerações têm de reflectir o valor real do trabalho de cada um. Também tem de acabar a ideia do "trabalho" não qualificado barato como escolha preferencial para os quadros das empresas. Tem de se apostar na formação dando-a aos que já lá estão e indo buscar quem a tem. A questão experiência/formação tem de estar no cerne da decisão de quem se contrata e não o valor do salário. 


4- O Estado tem de ser redefinido. Tem que se decidir para que é que se quer o Estado e o qual o seu papel na sociedade portuguesa. Estado mínimo ou Estado Social? É importante definir isto tudo e depois fazer as mudanças e ajustes necessários, com coragem e doa a quem doer sem se ficar refém dos interesses individuais seja de quem for. O Estado tem de saber qual a sua missão e fazê-la da maneira mais eficaz. Para isto precisa de ir buscar os melhores e não os amigos. Precisa de ter capacidade de renovação de quadros por forma a se tirar quem nada faz e trazer quem faz. Sobretudo, o Estado, tem que remunerar os seus funcionários de acordo com o valor do seu trabalho e não a chapa sete, tratando bons e maus da mesma maneira. 


5- A sociedade portuguesa tem de se habituar a conviver bem com o mérito pessoal/profissional dos seus indivíduos. Há premiar e valorizar o mérito e não as amizades ou conveniências pessoais. O paradigma social do supérfluo e conveniências tem de acabar. A cunha tem de ser criminalizada do ponto de vista social, nem falo do ponto de vista legal. A idade tem de deixar de ser um posto por ela própria. Certo que, geralmente e por uma razão de lógica (embora, por vezes, ela seja uma batata), a idade trás experiência mas experiência sem conhecimento para a usar bem de nada serve. A sociedade do mérito tem de ser o objectivo final e tem de se dar (ponto 2) a possibilidade de todos poderem ter mérito em alguma coisa. Sobretudo, há que parar os típicos actos de sabotagem do mérito. A mesquinhez de, quando não se consegue dizer/fazer melhor que alguém, se atacar o carácter da pessoa tem de acabar. As pessoas têm de ganhar uma coisa muito importante: respeito, a começar pelo respeito por elas próprias.

Passada a euforia, a verdade

Dois casos mediáticos que eu aqui falei há uns tempos, o caso de Gonçalo Amaral, que viu o seu livro retirado das livrarias, e o caso de Manuela Moura Guedes e a sua saída da TVI.

Bem, soube hoje pelas notícias que o que disse aqui e aqui, em relação à inconstitucionalidade da recolha dos livros de Gonçalo Amaral, foi também a opinião do colectivo de juízes. Na altura, deste caso, pouco se falou na blogosfera. Pareciam que estava tudo com medo ou que se assobiava para o lado porque na altura o importante era malhar no Sócrates e isto pouco dava para isso.

Em contrapartida, falou-se muito de Manuela Moura Guedes, que meteu baixa durante um ano, andou a viver à custa dos nossos impostos e nem sequer estava doente pois foi apanhada pelos paparazzi na praia. Pior ainda, crucificou-se alguém por ter feito isto e aquilo enquanto esta senhora fazia de todos parvos e amealhava mais uns trocos, passava umas férias e ainda tinha publicidade gratuita.  Foi uma excelente época e meio de promoção da carreira, seguindo à risca a velha máxima: não importa o que dizem de mim desde que falem de mim

Diz ela agora que não fica na TVI porque não se sente bem. Pois, não deve sentir-se bem pois quem a substituiu é um jornalista a sério. Manuela Moura Guedes nem aos calcanhares conseguiria chegar-lhe.  Como se isto não bastasse, a dona, ainda tem a lata de dizer que faz parte dos milhares de desempregados!  Com o marido a ganhar o que ganha e ela com o fundo de desemprego que deve ter ou com a indemnização  que recebeu da TVI (não se sabe pois é tudo confidencial e, como tal, sinto-me na liberdade de especular à vontade) falar em "pertencer" aos desempregados é, no mínimo, insultuoso para quem anda pelas ruas da amargura que é o desemprego. 

Esta falta de bom senso foi o que realmente a levou para fora da TVI. Isto e a sua não-capacidade para ser jornalista. Quando muito ela poderia ser comentadora, agora jornalista nunca. 

Resumindo, não quero com isto atirar culpas mas antes que as pessoas pensem melhor antes de falarem e de culparem seja quem for e de pedirem sangue antes das coisas estarem concluídas e culpas atribuídas. Por muitas ingerências que tenha havido seja de quem for, o caso Manuela Moura Guedes, não foi mais do que um golpe publicitário que fez de quem a defendeu parvo.

Estupor!

Sem mais comentários. Para mais informações clique aqui.

Desvarios e desilusões...

Após um longo intervalo decidi vir aqui perder um bocadinho de tempo para deixar qualquer coisa... Assim a modos como abrir uma janela de uma casa para evitar que ela ganhe cheiro a mofo e impedir acumulações exageradas de pó. Fiquei, no entanto, perdido sem saber bem o que escrever. Até cheguei a pensar que nada tinha para dizer.. E, de facto, não tenho.

Repare-se: o país continua louco. O governo não mudou e nem sequer muda. Os partidos da oposição continuam a fazer campanha eleitoral e a sabotar tudo e todos, incluindo, a eles próprios. A justiça continua igual a ela própria. A título de exemplo, faço cito o que Rita Ferro disse no seu programa de rádio do qual agora não me lembro do nome e, por imposição de uma doença chamada perguicitis agutis, me recuso a ir procurar. Disse ela, então, que um tribunal português condenou a não sei quanto tempo de prisão um rapazito por ter feito download de uma música e por a ter partilhado. Disse ela também, e muito bem, que houve muita rapidez para condenar um pobre desgraçado mas não há nem rapidez nem vontade de resolver casos como o da Casa Pia. A educação, agora em compasso de espera para as aulas recomeçarem, continua igual. E vou poupar o leitor com mais coisas deste patético país. Creio bem que todos saibamos no estado que estamos e tudo o mais, independentemente de só protestarmos ou de até irmos fazendo alguma coisa para que as coisas se resolvam ou ainda que as façamos só por e para interesse próprio.

Enquanto isto, alterei o título do posto de Desvarios para Desvarios e desilusões. Se calhar desilusões está errado e tristeza seria um melhor termo. Recentemente comecei a trabalhar com alunos mais novitos, algo que não tinha pensado e que até tentei evitar mas, quando surgiu a oportunidade lá acabei por aceitar. Tem sido uma experiência no mínimo interessante, se bem que continuo a preferir trabalhar com adultos. No entanto, esta experiência permitiu que eu tomasse contacto com uma realidade que muito me assustou e até surpreendeu. 


Já sabia e esperava que estas novas gerações fossem mais desleixadas e, peço que me desculpem pela brutalidade do que vou dizer agora, mais estúpidas. Não porque sejam na realidade menos inteligentes daqueles que antes deles vieram. Não, muito pelo contrário. Potencialidade é coisa que não lhes falta mas, por razões que ainda não percebi muito bem, não têm motivação para nada e objectivos de vida é um conceito que eles nem sequer têm. Nos mais jovens alunos que tenho ainda consigo perceber. Devido à idade, a única coisa que lhes passa pela cabeça é brincadeira. Maldita será esta vil sociedade que insiste, de uma maneira ou de outra, e por mero self-interest dos adultos roubar-lhes a meninice própria e hoje possível de ser gozada em pleno. No entanto, nos mais velhos, naqueles que já têm de pensar no seu futuro, quanto mais não seja no escolar, nesses vejo falta de... bem, tudo. Uns não sabem o que querem e os que sabem aspiram a ser medíocres. Não há mais sonhos de grandeza típicos da juventude naquelas cabecinhas. Resignam-se à realidade a serem apenas meros e médios seres humanos. 

Ultimamente, com isto me tenho preocupado. Com os adultos sempre tentei quebrar isto. Um elogio, uma palavra de incentivo ou até mesmo um desafio a serem melhores, quanto mais não seja nas minhas aulas, faz milagres. Certo que o esforço para mim é bem maior do que apenas palrar mas, no entanto, a satisfação de, no final as coisas correrem bem e eles virem o quanto foram capazes, é igualmente maior. Infelizmente, quando as coisas correm mal e o incentivo não foi suficiente ou o desafio capaz de os puxar, a desilusão que se instala é devastadora. 

Mas agora e com estes jovens? Desafiá-los? Incentivá-los? Bem, resulta, mas por mais que trabalhem e se esforcem falta-lhes a chama. O fogo que arde na juventude e nos queima para a velhice neles não vive. E porquê? Depois de muito revirar a mente e de pensar bem e de tentativa e erro nas aulas, creio que percebi o que lhes falta: afecto, auto-estima e, sobretudo, individualidade. 


 A sociedade em que vivemos e que os pais e avós deles criaram, rouba-lhes isso tudo. A começar pela família que não sabe educar os filhos. Não lhes dá os afectos que eles naturalmente precisam. Compensam com o acessório que são os bens materiais, roupa, sapatos, telemóveis... Falta-lhes auto-estima porque na escola, muitas vezes, os professores (e seja com justa-causa ou não) palram as aulas em vez de fazerem dela um espaço de self-improvement. Finalmente, falta-lhes a individualidade porque não há hoje na sociedade espaço para as diferenças, espaço para o pensamento livre, sobretudo aquele que é contrário à opinião dominante. A roupa é e tem de ser igual à dos "Morangos com Açucar" ou correm o risco de ser insultados e expulsos do grupo. A comida é aquela feita em massa nos centros comerciais, aquela que nada mais é do que enfarda porcos para a matança. Em todo o lado, casa e escola, os jovens são quebrados para serem mais facilmente dominados e depois assimilados por esta cultura neo-liberal e conservadora que apenas serve para alguns manterem o seu estatuto e posição social. 

Que nos estávamos a matar a nós [adultos], isso já não era novidade, mas nunca antes se submeteu a juventude a tanto controlo social, a tanta regra e punição. Nunca antes se tentou tanto normalizar os mais novos. No dia que se acabar com a rebeldia típica dos mais novos, o mundo ficará negro. Negro pois nada jamais mudará. Quem muda o mundo são os mais novos pois são eles que, por ainda não estarem "normalizados", impõem novos padrões e maneiras de agir na sociedade. Assim foi até hoje. No futuro, pelo que vejo, não será assim. Fico triste.

P.S.: Para quem não tinha nada para dizer escrevi um testamento.

P.P.S.: Sei que o texto está ensopado de anglicismos mas não me apeteceu rebuscar a mente à procura dos termos em Português. 

P.P.P.S.: Também não reli o que escrevi e acho que não o vou fazer. Erros, incoerências de discursos que eventualmente possa haver... Sugere-se que assobiem para o lado ou escolham esse momento do texto para beberem um copo de água fresca e que depois recomecem no paragrafo seguinte. XD

Justiça funciona mas...


Notícia no ionline

Notícia no JN

Não podia deixar de comentar este caso.

Muito me alegra ver duas coisas: 

1- A justiça a funcionar;
2- Ver que há ainda quem tenha coragem para por tento na língua aos portugueses e que já nem tudo pode ser dito.

No entanto, preocupam-me outras duas coisas:

1- A desproporção da decisão do tribunal face ao que foi dito pelo encarregado de educação. Se não se pode chamar incompetente a alguém, com ou sem razão, mas no entender de cada um, então o país está tramado e, certamente, que não tardarão a aparecerem processos de políticos contra o cidadão comum que os insulta todos os dias.

2- Leia-se o quadro clínico: "um quadro clínico de acidente vascular cerebral, acompanhado de síndrome depressivo grave, com oclusão da vista esquerda, com risco de cegueira". Eu não sou médico mas, perdoem-me a franqueza, meia dúzia de bitaites de um único senhor desencadeiam este panorama catastrófico médico? Sou eu o único a quem isto provoca estranheza? Uma professora com 20 anos de serviço que, quando injuriada, fica em tal estado de stress e ansiedade que lhe provoca um acidente vascular cerebral? Honestamente, fico com as maiores dúvidas a seriedade desta decisão.

Em suma, é bom que se comece a mostrar as pessoas que o insulto ao desbarato não é aceitável mas também é bom que haja um pouco de bom senso na análise das situações. Neste caso, desconhecendo a Professora e o teor exacto da conversa entre os dois, digo que para quem tem já tanto calo no ensino e se foram mesmo apenas as coisas transcritas nas notícias acima citadas, então não sei como aguentava ainda a senhora dar aulas com os actuais comportamentos dos alunos. Sim porque tenho a certeza que os alunos já lhe fizeram e disseram (e se calhar dizem) pior e ela nunca se queixou em tribunal disso lhe ter provocado mazelas na saúde. Terá sido do tipo de relações sociais ali em jogo? Se calhar isso deve ter tido algum peso. Ao fim e ao cabo sempre é mais fácil rebaixar uma criança que um adulto, especialmente um encarregado de educação de um dos nossos alunos. 

Sem querer por em causa a decisão base do juiz em condenar o cavalheiro em questão e também não pondo em causa, totalmente, a parte da noticia que revela que por causa de dois ou três bitaites a Senhora Professora tenha entrado em tal fragilidade física e psicológica, atrevo-me a dizer que algo aqui cheira a esturro. Pode ser apenas a qualidade das noticias em causa que deixam os factos pela metade mas não consigo acreditar na sequência de eventos relatada sem ficar com pulgas atrás da orelha.