O Papa pede desculpa. Não, obrigado.

Recentemente, o Papa Francisco, num acto de coragem e que eu aprecio, pediu desculpa a gays, "aos pobres, às mulheres abusadas, às crianças exploradas pelo trabalho e por ter abençoado tantas armas”. Foi um acto, como muitos outros a que este Papa nos tem habituado, que vai contra a prática da Igreja e de uma grande parte dos seus fieis.

Contudo, eu, pessoalmente, não posso aceitar o pedido de desculpas. Não o posso aceitar enquanto o pedido não for igualmente seguido pela Igreja e os seus ensinamentos. Enquanto houverem LGBTs a morrerem em países Católicos por esse mundo fora e a Igreja for complacente com isso. Enquanto houverem membros da hierarquia da Igreja que publicamente defendem a homossexualidade como pecado e propagandeiam isso. Enquanto a Igreja não denunciar esses ensinamentos e os parar. Enquanto ela não começar a reverter toda a perversidade que andou e anda a espalhar. Enquanto a Igreja não decidir ser a mensagem e o espelho de Cristo, Enquanto houver um LGBT a ser discriminado, perseguido, renegado por causa do que a Igreja diz e faz, Enquanto isso acontecer, este pedido é vazio e não posso, em boa consciência, aceitar a hipócrisia que ele representa. 

Reconheço o passo que o Papa dá. Reconheço a sua vontade, pelo menos pública, de mudar. Infelizmente ele é só um e não pode falar por todos. Enquanto as palavras dele não forem os actos da Igreja Católica, o pedido de desculpas de pouco vale. 

Como se costuma dizer, de palavras e boas intenções está o inferno cheio.

Never forget Orlando

Versão portuguesa

Desde Domingo que ando a tentar vir aqui escrever qualquer coisa mas não consigo. Entre raiva, fúria, desilusão e uma profunda tristeza, cada vez que vejo ou leio algo sobre o que se passou em Orlando só me apetece chorar. Sem saber muito bem como, a distância devia ser suficiente para isto não acontecer, ou assim pensei, estes acontecimentos atingiram-me como se tivesse sido atropelado por camião. Atingiu-me a um nível pessoal que eu jamais sabia ser possível. Eu só posso imaginar o que as familias das vitimas podem estar a sentir neste momento.

Como não me consigo centrar para escrever algo com significado, deixo aqui um vídeo e um link. Nunca se esqueça o que se passou no Pulse, em Orlando, EUA. 

O Amor vence!

English version

Since Sunday that I've been trying to come here and write something, but I can't. Between anger, rage, disappointment and a deep sadness, every time I see or read something about what has happened in Orlando I feel like crying. Without knowing exactly how, the distance should have been enough for this not to happen, or so I thought, these events have hit me like a truck. They've hit me on a personal level that I never thought possible. I can only imagine what the families of the victims are feeling at this moment. 

As I can't focus myself to write something meaningful, I leave a video and a link. Never forget what happened at Pulse, in Orlando, USA.

Love wins!





O poder do "porquê?"



Porquê?

Uma palavra insignificante mas que, de facto, tem um poder devastador para a sua vítima. É uma palavra que tem o potencial para fazer qualquer idiota perceber que é um idiota e isto é algo verdadeiramente aterrorizante. Quem já teve o vislumbre da expressão facial referente a todo o processo psico-neurológico que um idiota faz para tomar consciência de que o é, bem, isso é um momento que se pode dizer que vale toda a pena guardar para a eternidade.

Geralmente, uma pessoa normal, quando toma uma decisão, fá-lo com um propósito, uma razão ou um motivo. Mas há pessoas que vivem toda a sua vida sem saber o porquê do que fazem.

Por exemplo, outro dia, em plena rotunda AEP, três agentes de segurança, decidiram parar o trânsito que vinha na rotunda para deixar entrar na mesma quem vinha no sentido norte-sul causando um engarrafamento fantástico dentro da rotunda e nos três outros acessos para quem queria entrar (ou sair) dela. Eu gostaria de ter perguntado o porquê aos senhores agentes.

Noutra circunstância, estava eu a atravessar uma passadeira de uma avenida, quando um acéfalo ser ao volante, decide acelerar comigo já no meio da passadeira obrigando-me a saltar para trás e, mais engraçado, foi rir-se com ar de gozo quando me passou pela frente. [Já agora, aproveito para dizer que, para infelicidade de muitos (o que me dá um perverso prazer), ainda estou inteiro e vivo.] Também gostaria de perguntar porquê a este tão ilustre exemplo de civismo à portuguesa. É que, se ao menos o fulano me conhecesse, ainda podia alegar que me queria, de facto, ajudar a resolver o meu agnosticismo crónico, mas não, ele não me conhece. Desta forma, fico extremamente curioso em perceber porque é que alguém arrisca ir para a cadeia sem motivo.

O porquê, nestes dois casos, teria sido uma pergunta devastadora. Imagino já aqueles olhinhos a moverem-se lateralmente, de um lado para o outro, a tentar raciocinar e arranjar uma explicação lógica e séria para as suas acções.

De facto, o porquê é uma pergunta devastadora. Regra geral, tende a revelar o quanto estúpidas as pessoas realmente conseguem ser. 

Contudo, não se julgue que o poder desta pergunta se resume a isto. Quando esta pergunta é feita a alguém que realmente pensou no que faz, pode acontecer seja quem faz a pergunta que passe por idiota. Isto porque, por vezes, não é a pergunta em si que é devastadora mas sim a resposta que se ouve. Isto pode acontecer por dois motivos: ou porque a resposta é de tal maneira desconexa que nos trucida a mente, ou, caso mais grave, porque ficamos sem saber o que fazer com a resposta.

Começar a vida com dívidas, não é solução.

Eu gostava de saber porque é que ainda há gente com lata para sugerir que pedir um empréstimo para tirar um curso superior é solução. Depois das tragédias do que se passa nos EUA com este sistema é, de facto, preciso muita lata e desfaçatez para sugerir isto. 

 Até porque faz perfeito sentido alguém que quer comprar casa, carro, construir uma vida, ter filhos/familia começar, logo à partida, com uma dívida de milhares de euros sem sequer ainda ter rendimentos. 

O curioso é que, sempre que ouço falar nisto, esta sugestão vem sempre de quem NÃO precisa destes empréstimos porque os papás podem ou puderam-lhe pagar um curso superior. 

 Quando se junta ignorância, hipócrisia e imbecilidade, temos ideias de merda como esta.

Divagações pós Páscoa

"É pá, eu não cago para o que tu dizes." 

Falo de quando dizemos isto num contexto de uma relação próxima, seja de amizade ou algo mais. É aquela coisa que, o que queremos dizer é mesmo "eu não levo a mal as tuas opiniões ou conselhos ou lá o que for que tu dizes". É aquela palmadinha nas costas que pretende ser um reforço da relação mas, no fundo, é o fim da macacada. 

Esta mítica e fantástica frase é daquelas coisas simpáticas que se diz aos outros quando achamos que somos donos da razão. 

O problema está quando, do outro lado, nos apercebemos que, a verdadeira razão porque se ouve a frase acima mencionada é porque, na realidade, cagamos para o que a outra pessoa está a pensar. É um passo à frente da do dizer que se "caga" para o que os outros dizem. É um estado mais elevado de espírito. Enquanto uns cagam para o que dizemos, nós cagamos para o que os outros pensam. 

É por estas razão que às vezes eu falo com as pessoas, porque cago para o que elas pensam. Se realmente me preocupasse teria o cuidado de, pelo menos, estar calado para não ofender ninguém. A realidade, e apercebi-me disto recentemente, é que realmente, salvo com uma muito pequena parte dos meus relacionamentos, eu cago para o que as pessoas possam ou não pensar. 

Não o faço por desrespeito. Apenas não sou dono, nem pretendo ser censor do que os outros possam ou não pensar. Caso o que eu lhes digo (e raramente digo algo com o intuíto de ofender, embora por vezes haja, inadvertidamente, esse efeito) seja tomado como ofensa, esse problema é de quem pensou assim e não meu. 

A questão aqui é que quando, numa relação de amizade ou algo mais, chegamos ao ponto em que nos apercebemos que nos estamos a cagar para o que a outra pessoa pensa, depois de ouvir a brilhante frase do "cago para o que dizes", está mais do que na hora de por uns patins à pessoa e irmos à nossa vidinha. 

Não temos de ofender ninguém mas também não temos de ser responsáveis pelo que os outros possam ou não pensar quando as coisas são ditas de boa fé e, por vezes, até com as melhores das intenções. Somos livres de pensar o que quisermos e achar o que quisermos também. Somos livres de ser compreensivos e honestos ou de ser estúpidos e falsos. Tudo na vida é uma questão de escolha e quando as escolhas dos outros não nos servem, andamento! 

Para a frente que atrás vem gente e com 7 mil milhões de pessoas no planeta, não é do nosso interesse perder tempo com uma.


Sobre a TAP e dos bananas de Portugal.



A questão da TAP está a levantar um problema mais grave do que aquele que é criado pela própria companhia. Falo da apatia e alheação das pessoas para tudo o que é importante. Num país onde as pessoas comentam e preocupam-se mais com o jogo Porto-Benfica não admira que, quem pode faça tudo o que quer em seu favor e dos seus amigos. 

Só num país de bananas (sim de bananas pois cada vez mais acredito que os portugueses são uns bananas) é que alguém pode achar uma companhia com capitais públicos pode fazer os negócios ruinosos que quiser que depois o contribuinte paga. Só num país de bananas é que uma empresa pode ter 50% de capitais públicos mas o serviço público e o interesse público não tem direito a exigir que se zele pelo que é um investimento de todos. Só num país de bananas é que pode aparecer alguém (geralmente do sul - leia-se Lisboa) a achar que um país pequeno tem de ter tudo concentrado num único local. 

A região que mais exporta e, portanto, que mais riqueza traz ao país é a região que, paradoxalmente, mais desrespeito tem (lembre-se o Red Bull Air Race). Também inacreditavelmente, é nesta região que se vê o porquê de Lisboa poder explorar e viver às custas do país. Em vez de se unirem em torno de uma causa de é da região inteira, não. Em vez disto, dos autarcas da região, nem uma palavra, nem mesmo daqueles onde o Aeroporto está situado (Maia e Matosinhos). Dos bananas do povo, ou estão calados e com mais atenção ao futebol ou, pior, acham que isto é tudo um problema do Porto e que, como o aeroporto não está no seu quintal, que isso não lhes afecta e é tudo mais uma manobra centralista mas a Norte. 

Percebe-se bem porque é que o país é pobre, sobretudo, pobre de inteligência e espírito. 

Um país de bananas que não consegue perceber que é o seu dinheiro que está usurpado. Que não consegue perceber que o problema não é a TAP sair ou ficar. Que o problema é o abuso do dinheiro dos contribuíntes. Se a TAP for 100% privada, que faça o que quiser. Se for à falência, azar o dela e dos bananas que lá trabalham que também só sabem fazer greves quando lhes vão ao bolso. Mas a TAP não é 100% privada. A TAP continua a viver de dinheiros públicos. Pior, a TAP está a ser usada por privados, não para seu benefício (da TAP) mas para benefício de outras companhias privadas estrangeiras (nem Europeias são, sequer). 

Por estas razões, que se contínue a roubar. Quando se falar que o Estado lá vai por mais uns milhões, também não há problema. Sobe-se o IVA e o problema está resolvido. O Português, claramente que gosta de ser pobre, explorado e medíocre. Se assim o é, deixe-se ser. Não venham é depois protestar que os impostos da gasolina estão muito altos. Que o IVA está altíssimo ou que se paga muito de IRS. Se querem pagar menos, passem a exigir responsabilidade a quem administra e gere o dinheiro que é de todos. Enquanto não fizerem isso, continuarão a ser uns bananas.