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30 anos de ganância...


Pois e tal... Afinal não por haverem mais juízes, médicos, professores e outros altos quadros que a média de salários no público é mais alta que no privado... Quando isto acontece, basta fazer contas para se perceber que o Estado só podia ter um caminho: o da falência.

Imaginem uma família de quatro pessoas, os pais e dois filhos. Os pais ganham os dois 100€. 50€ vão para as necessidades básicas e o restante é para distribuir pelos membros da família para os seus gastos pessoais, ou seja, 12,5€ para cada um. Agora imaginem que os filhos gastam constantemente 20-30€ por mês. O que vai acontecer? A família vai à falência pois os pais não ganham para sustentar os filhos.

No Estado é a mesma coisa. Quando no privado se ganha menos e se tem que pagar mais para o sustentar o público o resultado é a falta de liquidez a dada altura. Ou o Estado está dotado de meios lucrativos, nomeadamente empresas públicas lucrativas que transferem os seus lucros para o Estado e assim se consegue equilibrar as contas, ou o Estado tem que pagar o mesmo que se paga no privado. Caso contrário, cria-se um Estado que sorve os recursos do privado o que só leva a que ambos fiquem sem dinheiro.

O problema não é de agora. O problema não é dos funcionários públicos. O problema não é da produtividade do privado. O problema é da cambada de inaptos que nos dirigem há 30 anos, quer no público, quer no privado e de quem votou neles.

O difícil agora é explicar às pessoas que por culpa de má gestão, ou gestão danosa mesmo, agora vai tudo corrido a cortes.

O Orçamento para o Desastre



Este orçamento de estado (tudo com minuscula) é um verdadeiro desastre para o país. Não tem pés nem cabeça. É um orçamento para tapar buracos de estrada com areia. Com os primeiros chuviscos, lá aparecem os malfadados buracos.

Um orçamento que aumento impostos a quase, ênfase no quase, todos mas deixa alguns "privilegiados" de fora não pode ser um orçamento sério. Um orçamento que começa por deixar de fora alguns porque, técnicamente falando, não recebem reformas mas sim subvenções é gozar com a cara dos contribuintes. Um orçamento que, pelos vistos, vai deixar de fora nas reduções dos susbsidios de Natal e Férias os senhores do Banco de Portugal é algo que não é de gente séria.

Dizem-me que "isso são coisas pequenas que, mesmo tributadas e tudo o mais, são insignificantes no quadro geral." Pois, se calhar até são. O problema aqui, para além de um receita que se poderia arrecadar, obviamente, é maior do que uma mera contabilidade. É um problema moral. Ninguém aceitar, em aceitará, que uns sejam penalizados enquanto outros são beneficiados. É uma questão de igualdade e, sobretudo, de demonstar que TODOS estão a fazer um esforço para corrigir os erros do passado. Sem esta moralidade, tudo cairá em saco roto, mais tarde ou mais cedo.

Mas, vindo de um governo que tem dois membros que se acham no direito MORAL de pedir apoios para a sua deslocação para Lisboa quando já têm casa nessa mesma cidade, é um governo aldrabão. É um governo sem autoridade para impor seja o que for a quem for. É um governo que não ganhará o respeito de ninguém. Assim sendo, só irá conseguir impor a sua vontade pela força da Lei ou dos cacetetes das forças de autoridade.

Pior do que isto, é um orçamento que irá destruir a classe consumidora e geradora de riqueza. Não vai, também, ajudar empresa nenhuma, muito pelo contrário. Muitas irão à falência por causa do agravamento do IVA e outros impostos. É um orçamento, portanto, que irá ter como resultado o colapso económico do país. Isto levará a mais crise para o ano 2012 e seguintes e terá como destino a bancarrota, inevitavelmente. Não se consegue sair de uma crise sem crescimento económico o qual não é potencializado aqui.

É um orçamento que corta em tudo que é essencial e da inteira resposabilidade do Estado (Saúde e Educação) e aumenta no que é da resposabilidade dos agentes privados (Ministério da Economia). Ao Estado não cabe investir nas empresas nem financiar a banca. Ao Estado cabe para potenciar o crescimento através de mecanismos legais e educação civica e não atirando dinheiro para empresas que não o conseguem gerar sozinhas. Ou seja, este orçamento faz exactamente o oposto do que deveria fazer.

Resumindo. O actual governo criou um orçamento que é um verdadeiro desastre para qualquer pessoa mediana e só irá conseguir que, para o próximo ano e seguintes, se tenha que eleger alguém que vá para lá resolver os problemas que eles criaram antes de tratar dos problemas que Sócrates e seus antecessores deixaram. 

Verdades da Empresas Públicas [de transportes]

Costuma-se, e agora anda por ai mesmo muito em voga, dizer que as Empresas Públicas dão prejuízos. São mal geridas e coisa e tal. É um facto. Dão prejuízo e, em parte, isso deve-se à má gestão de algumas das empresas as quais têm gestores que foram para lá não pela sua competência mas pela sua amizade a pessoa x, y ou z. Isto é um facto.

Mas importa não esquecer que, apesar de tudo, há outros factores que contam tanto ou mais como isso. Uma são as transferências as quais o governo está obrigado a fazer e não as faz, com particular ênfase nas empresas de transportes. Outra são as directivas que por vezes saem de Lisboa para as Empresas Públicas que contrariam todo o bom senso.;

Outro dia chegou-me um exemplo disto mesmo e que eu não sabia. Aqui há uns anos, uma empresa de transportes PRIVADA estava à beira da falência. Mais mês, menos mês fecharia. Ora, assim de repente, chega um telefonema a uma empresa pública de transportes de passageiros, vinda do governo central, na qual se dizia que essa mesma empresa pública iria encetar "negociações" com a dita empresa PRIVADA de transportes à beira da falência para a concessão de certas carreiras. No entanto, haveria uma regra. As condições da concessão dessas mesmas carreiras da Empresa PÚBLICA à Empresa PRIVADA seriam ditadas única e exclusivamente pela mesma Empresa PRIVADA.

Penso que não será preciso fazer um desenho para qualquer um com dois dedos de testa perceber o que está mal nesta imagem...

Mas há mais exemplos. Repare-se na PT e no seu fundo de pensões. Uma empresa PRIVADA (ex-empresa pública) nas mãos dos amigos que andam pelas privadas, a usar o seu dinheiro para salvar o Estado.

É este principio que faz das Empresas Públicas portuguesas, sejam elas nacionais ou municipais (que são outra história gira de se analisar), servirem para cobrirem os erros dos amigos do Estado e o próprio Estado, enquanto ninguém meter na cabeça que, embora públicas, são empresas e terão de ser autónomas e viáveis, elas irão continuar a dar prejuízo.

Penso é que chega de dizer que, empresa por ser pública, dá prejuízo logo à partida. É uma falácia, uma pura mentira, aldrabice e trafulhice intelectual fazer este raciocínio e só quem está com palas e não vê onde está o verdadeiro problema (na cadeia de favor, vícios e promiscuidade relacional entre políticos e companhia LDA).

Acho que é tempo de nos deixarmos de merdas (if you'll excuse my French) e por a culpa onde ela verdadeiramente está. Exija-se aos políticos responsabilidade. Mas não se esqueçam, depois de lhes exigirem a eles, preparem-se porque naturalmente eles irão exigir dos restantes o mesmo grau de responsabilidade. E, assim, se construirá um país.

A propósito, deixo um vídeo que anda por ai a circular que mostra bem onde estão os vícios deste país.

Pelo bem nacional, chumbe-se o OE


Perante a incompetência do actual governo que, mesmo antes de o ser já mentia e, agora no poleiro, continua a mentir à descarada, não vejo qual será o problema do PS e restante oposição, votarem contra o Orçamento de Estado. Afinal, quem abriu a porta a este género de guerras foi a direita, nomeadamente o PSD que viu há uns meses atrás a sua oportunidade de subir ao poder, mesmo que para isso tenha levado o país a ter de ir ao estrangeiro de mão estendida.

Já que o actual governo se mostra incapaz de controlar a divida e, menos ainda, de dar as condições para um crescimento económico, fazendo exactamente o oposto, talvez um chumbo ao OE nos livre de vários problemas. Livra-se o país de ter o PSD de Passos Coelho e do mestre Silva no poder e ao menos vamos ao fundo de uma vez por todas não tendo que pagar estas "rendas" aos criadores da "crise".

No final, somos mesmo capazes de ficar melhor, pois com mais um desastre no PSD talvez a corja que polui aquele partido se veja na obrigação de ir pregar para outro lado e talvez tenhamos, de facto, um verdadeiro partido social-democrata. Aliás, a continuar como está, o PSD deveria voltar à sua sigla original, PPD, pois essa é a sua actual ideologia. 

Depois de estar tudo partido talvez se consiga finalmente limpar este matagal e andar para a frente.

Pois e tal, não é tão bom como se esperava...

 
Hoje surgiram mais dados da execução orçamental e, consequentemente, do deficit. Para já, sabe-se que caiu... Mas o tombo foi pequeno e malfadado bicho não morreu. Persiste. Resiste. Depois de sucessivos aumentos de impostos, de tarifas de transporte, de cortes grotescos em "certas" áreas, o deficit, essa criatura obscena, manteve-se nos 8,3% depois de ter sido assumido que o valor no final do ano devia ser 5,9%... 

Parece que afinal, o problema em controlar ou não do deficit não era só do governo socialista nem de José Sócrates. Já no passado, uma outra dupla com um mesmo membro, Durão Barroso e Paulo Portas, vieram com a história que a culpa era de Guterres. Quando Durão Barroso abandonou o barco, o deficit que tinha deixado ao país era maior do que aquele que tinha quando lá chegou ao governo. Agora, uma outra dupla mas em tudo idêntica à primeira, Passos Coelho e, surpresa, Paulo Portas, anda pelo mesmo caminho. Podem-me dizer que Passos não tinha percebido o problema de controlar o deficit e foi demasiado optimista. Pois sim. Contem essa história para quem se quiser iludir. 

Pela minha parte, o verdadeiro problema está no facto de termos tido e continuarmos a ter gente do mesmo calibre nos mesmos postos e a soldo dos mesmos interesses. Não interessa o partido, pois a política, da esquerda à direita, está pobre e podre. Só lá temos académicos, teóricos e políticos de carreira que, a lhes retirarem isso, iriam rapidamente para uma esquina mendigar pois mais nada sabem fazer na vida. Isso ou iriam para um tacho qualquer numa empresa "amiga".

Como não se pode cortar aos amigos e cortar a "nós próprios" custa, o deficit não vai desaparecer. Como falta criatividade, conhecimento prático, inteligência e diligência aos nossos políticos, já para não falar de coragem, para o ano (senão mesmo já neste) iremos continuar com mais impostos. Se não conseguirem ou não os deixarem, como já ouvi recados da "troika" (o que não deixa de ser irónico), então contem em pagar o mesmo por nada. Serviço Nacional de Saúde, Segurança Social, etc... Tal e coisa... Serão miragens e coisas para os livros de história. 
O "povinho" está adormecido e quando acordar, verdade seja dita, irá acordar para fazer asneira. Irá acordar para reivindicar a manutenção de privilégios e não direitos. Irá exigir aumentos salariais para os quais o país não tem dinheiro (e não é de agora). Irá reivindicar muita coisa menos aquilo que devia: uma verdadeira mudança na classe política e políticas de governo sérias e não meros chavões eleitorais e populistas, já para não falar em mentiras que só cegos não vêem.

Entretanto, na volta, como de resto já disse neste espaço antes, podemos começar a contar que este governo não chegará ao fim. Mas a ver vamos pois ainda agora começaram os problemas.

A crise de hoje explicada em vídeo...

Vi este vídeo no Reviralhos e não podia deixar de o postar aqui. Já muito do que lá é dito eu disse aqui, mas ajuda sempre não ser o único. 

Aqui fica a explicação de como chegamos à crise de hoje e como os governantes e os que criaram a crise continuam a oferecer-nos a mesma receita, a qual é sabido que não resolveu nunca nenhum das anteriores crises do género, tendo mesmo agravando-as. A crise de hoje é um somar de várias pequenas outras crises que muitas brilhantes mentes interpretaram apenas como "ciclos da economia".

Inside Job - A Verdade da Crise Financeira (Legendado PT/BR) from nanahara on Vimeo.


 

A culpa é sempre dos que não são de cá (ou de lá)...



A propósito desta notícia do JN, onde se fala da violência em Londres, li vários comentários profundamente racistas, xenófobos e fruto de mentes que, a única conclusão a que me levam é a de que nada mais têm na cabeça a não ser esterco.

Deixo aqui alguns:


JoelM
08.08.2011/20:44
Portugal - Braga

"multi culturalismo ao mais alto nível... parasitas que ja nasceram em Inglaterra, com nacionalidade inglesa mas que não se inserem na sociedade... levem com eles agora! portugueses, abram os olhos!"


António
08.08.2011/20:21

"Deportação, resiste Europa Branca de Lisboa a Moscovo de Londres a Roma. basta de multiculturalismo, basta de imigração."


Agora é a minha vez de comentar os comentários. Antes de dizer alguma coisa em concreto sobre estas pérolas, tenho que dizer que é sempre interessante ver como, quanto mais é preciso clareza de espírito perante o que se passa na sociedade, mais se dá à estupidez e imbecilidade. Repare-se que o Reino Unido, pela sua própria natureza, é um país livre e multicultural desde a sua fundação. Não nos vamos esquecer que no Reino Unido convivem três povos diferentes com um pedacito de outro. Refiro-me a Ingleses, Escoceses, Gales e Irlandeses. Por isso, não deixa de ser interessante ouvir este argumento. Já agora, relembro que a maior economia do mundo e o país que mais poder teve em toda a história do mundo é multicultural por natureza. Se olharmos para a história, o multiculturalismo esteve sempre presente.


Desta forma, é hilariante ler comentários como o senhor JoelM. Esquecer-se-á este senhor que há cerca de dez milhões de portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo. Se calhar, o que este senhor e outros como ele não sabem é que o que eles dizem dos imigrantes lá fora é o mesmo que os de lá fora dizem dos portugueses. Já agora, será o senhor JoelM descendente dos antigos povos ibéricos da península? Duvido muito porque se há povo com miscelânea até dizer chega é o português. Por isso, ele próprio é fruto do multiculturalismo que ele tanto despreza e como tal, deve-se desprezar muito a ele próprio. 

Isto leva-nos para o segundo comentário que de tão absurdo que é, até que escusava receber honras aqui mas não resisto a dizer uma coisinha. Saberá então este ilustre e lusitano António que, segundo os padrões eugénicos e das teorias de raça de todos os grupos racistas que por aí andam, brancos são os do Norte da Europa. Os do Sul são outra raça completamente diferente e dela própria suja. São os "latinos", por exemplo. Ou seja, a Europa Branca que ele aparentemente tanto gosta, começa não em Lisboa mas em Berlim e pode bem ir até Moscovo mas não passa certamente por Lisboa, Madrid ou Roma. Já agora, gostava de saber, quanto moreno é o senhor e que cor de olhos e cabelo tem e se porventura, tem alguém na família antes dele, com essas determinadas características dessa tal fantástica Europa Branca. Eu tenho e só por sorte não nasci loiro de olhos azuis branquinho que nem cal. No entanto seria e sou incapaz de falar em Europa seja de que cor uniforme for, até porque a Europa é multicultural e de Branca, mais de metade dela, tem pouco.

Em suma, as histórias do inicio do século XX estão a ser rapidamente esquecidas e parece-me que fica provado que a estupidificação das populações continua a dar frutos. Começo a ficar saudoso de uma União Soviética onde toda a gente era obrigada a ir à escola e todos tinha curso superior ou qualquer coisa do género, o que me deixa muito preocupado.

E só para terminar, serão descendentes de "não britânicos" a fazerem isto ou serão mesmo britânicos de gema? E o problema está na cor da pele ou antes nos governos de Thatcher que passaram uma década da destruir a industria local empobrecendo as comunidades?

Como sempre, a culpa é sempre de pretos, homossexuais, imigrantes... Às vezes até é das mulheres que deviam estar todas em casa a cuidar dos filhos em vez de roubarem o trabalho aos homens!

Algumas verdades...



Publico aqui um texto que me chegou por email. O texto encontra-se originalmente publicado no Instituto João Goulart e pode ser acedido clicando aqui.

Já li vários trabalhos de Noam Chomsky e, em todos, ele acerta com precisão no alvo trazendo as verdades ao de cima. Curioso é ele ser Americano. Aqui fica o texto o qual espero que sirva para uma melhor apreensão da realidade para nos defendermos do que nos atiram aos olhos. Só depois de conhecermos as armas dos inimigos é que nos podemos defender deles.



O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

Perdão! Divida de quem?



Hoje fiquei pasmado com o título da seguinte notícia: "Governo diz que taxa sobre o subsídio de natal é "imprescindível"". Pois... Mas ainda há uns meses Passos Coelho dizia o oposto. Mas adiante. Mal sabia eu que o melhor estava para vir.


Agora é que a porca torceu o rabo... Então a dívida agora já não é só nossa? Então a dívida agora já é do Euro? Mas então porque são Portugal, Grécia, Irlanda e agora Itália atacados e não a Alemanha e França? Não pertencem eles também à zona euro? E porque não o BCE? 

E já agora, pergunte-se ao PSD (e CDS também), porque é que andou na campanha eleitoral e mesmo antes a pintar o quadro que o problema era "português"? O que é que, de repente, os fez mudar assim tanto de opinião? Será por estaram agora eles no poder? Eu bem digo que a realidade dos factos altera-se dependendo do lado da mesa em que nos sentamos... 

Mas prossegue o ministro. "O ministro sublinhou que a medida é imprescindível para acelerar o esforço de consolidação orçamental de 5,9% para este ano e lembrou que a sobretaxa tem três características essenciais: extraordinária, universal e respeita o princípio da equidade social na austeridade."

Muito bem. Este ano tapa-se o buraco roubando quem já é chulado pelos impostos absurdos em Portugal. E para o ano? Espera o ministro, contra todas as previsões, que a economia cresça? É que se não cresce menos impostos se cobrarão. Assim sendo menos receita. Menos receita, maior deficit ou corte grotesco em tudo que é função do Estado, social ou não. Se isto se verificar, está o ministro em condições de dizer que não haverá outro imposto "extraordinário, universal e respeitador do principio de equidade social na austeriadade?"
.
E volta o ministro a falar em números sobre quem paga o quê. Diz ele: "Vítor Gaspar reiterou ainda que dos sujeitos passivos que pagarão a sobretaxa, cerca de 22%, pagarão menos de 50 euros e cerca de 50% pagarão menos de 150 euros". E eu volto a dizer que, se 22% pagam menos de 50 euros, então 78% pagarão mais e se 50% pagam menos de 150, então outros 50% irão pagar mais de 150%. Para quem é um perito na área, o ministro devia ser menos demagogo e mais sério naquilo que diz.

Já agora, ainda há muitos a acreditar que valeu assim tanto a pena ter atirado o país para um crise política, forçar a entrada de agentes externos nos nossos assuntos internos só para tirar lá o Sócrates? Mudou assim tanta coisa? Eu acho que não, mas posso estar enganado.

O acordar para a realidade



Agora que se começam a saber as medidas para a "ajuda" a Portugal, os que acharam que isto era a solução para o país devem estar todos satisfeitos, a começar pelo funcionalismo público que tanto quis ver Sócrates de lá para fora, mesmo que isso significa-se o FMI/FEEF. 

Bem, a cegueira das decisões tomadas pelo ódio e rancor sem a força da razão, está prestes a dar os seus frutos. Ninguém ainda lhes garantiu que se vão ver livres de Sócrates e, mesmo que isso aconteça, a julgar pelo que se tem ouvido da boca de Passos Coelho, não será para guardar muitas esperanças sobre as decisões do cavalheiro. Por outras palavras, mesmo que se livrem de Sócrates Rosa, poderão estar a trocá-lo por um Sócrates Laranja. 

Julgavam que iriam ficar numa situação "melhor" do que com os PECs de Sócrates. Pelo que se houve, o tiro saiu-lhes pela culatra. O que até agora era impensável vai acontecer: vão haver despedimentos na Função Pública. Os senhores de certas empresas públicas que tanto queriam, com as privatizações que se adivinham, não só não terão o que exigiram como, se calhar, ainda perdem o que ainda têm. Os que temiam perder os seus altos salários e pensões também devem começar a pensar que teria sido melhor ter agido com a cabeça e não com o coração e ainda menos com a carteira.

Em suma, queriam o FMI/FEEF para acabar com a "mama". Podem congratular-se. Conseguiram-no. Não acabaram foi com a "mama" dos políticos. Acabaram foi com a "mama" de todos os outros, mesmo aqueles que não a tinham.

Comece-se é a pensar agora, não nas medidas imediatas do acordo com Troika mas sim nos efeitos secundários delas.

O que o país precisa


Portugal se quiser sair da situação em que se encontra precisa de fazer uma séria de mudanças quer a nível político, quer a nível sócio-cultural. Por ordem de prioridades, deixo aqui o que penso ser preciso para que se mude esta carcaça velha em que se tornou Portugal. Já agora acrescento que não guardo esperanças de que alguma coisa irá mudar.


1- Portugal precisa de se renovar socialmente. A sociedade civil tem de perceber que o seu destino está nas suas mãos e não nas mãos dos outros. Tem de haver mais empenho e participação dos portugueses na vida política, quer ao nível dos partidos, quer ao nível de movimentos cívicos e outras organizações. Não quero dizer com isto que se façam mais greves a torto e a direito e sempre pelos mesmos. Não quero dizer com isto que se venha para a rua fazer umas "festas" onde se insulta tudo e todos, de maneira por vezes vil, chamando-lhes "manifestações" e "protestos". Quero dizer com isto que tem de haver mais envolvimento nas decisões e posições de partidos. Eles só mudam as suas posições quando quem lá está dentro é forçado a mudar. Para isto é preciso que haja mais gente envolvida. A sociedade civil tem de fazer uso dos mecanismos legalmente previstos na constituição ou, então, fazer com que se criem outros que possam faltar.

Em suma, o cidadãos deste país têm de fazer uso a esse nome. Todos têm de deixar de dizer mal e passar a fazer algo. Chega de protestar e na altura devida nada fazer. Há que passar das palavras às acções, não em greves ou acções espontâneas mas todos os dias nas nossas acções diárias. A velha desculpa de "eu não falo de política porque não gosto e não me interessa" foi o que nos levou a esta situação e é o que nos mantém nela. Talvez seja altura de se ir para o café a discutir como fazer melhor que os políticos em vez de se ir a falar na novela, futebol ou no puro insulto a tudo e todos.


2- Tem de haver uma racionalização da educação em Portugal. Tem de chegar ao fim a "escola depósito" de crianças e jovens. A escola tem de ensinar e tem de ensinar aquilo que precisa de ser ensinado doa a quem doer. Quem não gosta ou não é capaz, que se retire e dê lugar a quem sabe e quer fazer o que tem de ser feito. No seguimento disto, temos de levar para as escolas aqueles que são capazes para dar aulas e tirar os que lá estão porque não arranjaram nada melhor para fazer ou porque tiraram um curso que só serve para aquilo mas que não é a sua vocação profissional. Tem de se dar aos alunos que querem aprender as condições para o fazer e tirar da escola os que não querem. Esses últimos que se desenrasquem da forma que quiserem e acharem mas conveniente (e se optarem pelo crime, temos de dar meios a quem de direito para os levar à Justiça e pô-los atrás das grades) mas, se não querem estudar, não podem prejudicar quem quer. 

O Ensino Superior tem de ser forçado a redireccionar o seu trabalho para servir o país, a sociedade civil e a economia e não quem lá trabalha. Os professores do Ensino Superior têm de deixar de usar as instituições públicas onde leccionam para a auto-promoção ou como refúgio profissional. Também aqui é preciso trazer os melhores e/ou os mais capazes e não falo apenas na média com que terminam o curso mas sim com um percurso profissional que os habilite a proporcionar a melhor transmissão de conhecimentos face à realidade da área em questão. Não podemos ter professores a dar aulas hoje como as davam há 25 anos atrás, pois o mundo muda todos os dias e é preciso que haja uma adaptação constante aos novos factos científicos e sociais. Não podemos ter apenas, num ensino profissionalizante, teóricos e académicos que nunca saíram da sua sala de aula ou do seu laboratório. Tem que haver complementaridade entre os dois por forma a que os alunos não saiam de lá enciclopédias de carne ou meros papagaios.  


3- O mundo empresarial tem de mudar apoiando-se, entre outras coisas, nos dois pontos anteriores (aposta numa verdadeira qualificação dos trabalhadores e numa autonomia face ao poder "paternal" do Estado). Os portugueses têm de ser mais audazes no seu mundo profissional. Os portugueses têm de deixar para trás a ideia de arranjar um trabalho para a vida a trabalhar para outro. Tem de haver empreendedorismo (esta bonita palavra de que tantos falam mas que poucos fazem) da parte dos trabalhadores. Mas porque não havemos de ter todos em mente, um dia, termos a nossa própria empresa, fundando-a ou querendo chegar à direcção de uma grande empresa já existente? Tem de acabar a ideia de se apontar para os quadros médios e mediocridade como objectivo final profissional. 

Os empresários actuais têm também de aprender a inovar e a gerirem as suas empresas, não como a mercearia da esquina, mas sim como uma entidade económica capaz de crescer nos tempos bons e de se aguentar nos tempos maus. Não se pode continuar com a ideia de que a empresa é para dar lucro amanhã para se poder construir uma vivenda. Os empresários e gestores têm também de mudar o paradigma de remuneração dos seus funcionários, não querendo que estes trabalhem no seu melhor pelo menor preço possível. Os salários e remunerações têm de reflectir o valor real do trabalho de cada um. Também tem de acabar a ideia do "trabalho" não qualificado barato como escolha preferencial para os quadros das empresas. Tem de se apostar na formação dando-a aos que já lá estão e indo buscar quem a tem. A questão experiência/formação tem de estar no cerne da decisão de quem se contrata e não o valor do salário. 


4- O Estado tem de ser redefinido. Tem que se decidir para que é que se quer o Estado e o qual o seu papel na sociedade portuguesa. Estado mínimo ou Estado Social? É importante definir isto tudo e depois fazer as mudanças e ajustes necessários, com coragem e doa a quem doer sem se ficar refém dos interesses individuais seja de quem for. O Estado tem de saber qual a sua missão e fazê-la da maneira mais eficaz. Para isto precisa de ir buscar os melhores e não os amigos. Precisa de ter capacidade de renovação de quadros por forma a se tirar quem nada faz e trazer quem faz. Sobretudo, o Estado, tem que remunerar os seus funcionários de acordo com o valor do seu trabalho e não a chapa sete, tratando bons e maus da mesma maneira. 


5- A sociedade portuguesa tem de se habituar a conviver bem com o mérito pessoal/profissional dos seus indivíduos. Há premiar e valorizar o mérito e não as amizades ou conveniências pessoais. O paradigma social do supérfluo e conveniências tem de acabar. A cunha tem de ser criminalizada do ponto de vista social, nem falo do ponto de vista legal. A idade tem de deixar de ser um posto por ela própria. Certo que, geralmente e por uma razão de lógica (embora, por vezes, ela seja uma batata), a idade trás experiência mas experiência sem conhecimento para a usar bem de nada serve. A sociedade do mérito tem de ser o objectivo final e tem de se dar (ponto 2) a possibilidade de todos poderem ter mérito em alguma coisa. Sobretudo, há que parar os típicos actos de sabotagem do mérito. A mesquinhez de, quando não se consegue dizer/fazer melhor que alguém, se atacar o carácter da pessoa tem de acabar. As pessoas têm de ganhar uma coisa muito importante: respeito, a começar pelo respeito por elas próprias.

Regionalização: As verdades

Imagem retirada da Wikipedia

A propósito de um post d'O Jumento onde se fala da regionalização achei apropriado trazer à luz da ribalta algumas verdades sobre este assunto.

Os que são contra dizem que Portugal é pequeno, é mesmo dos mais pequenos da Europa. Bem, quem diz isto não olha para as estatísticas ou, então, está a mentir para defender interesses próprios, nomeadamente os de Lisboa que fica horrorizada só de saber que terá que dar dinheiro para que Trás-os-Montes ou Beira Interior tenham recursos para se desenvolver. 
Repare-se nos dados seguintes.

Na União Europeia temos 27 países. Desses 27 países, Portugal ocupa o 13º lugar em termos de área e o 9º em termos de população (dados retirados do Eurostat referentes a 2010). Ou seja, em área estamos acima do meio da tabela com 14 países mais pequenos e em população estamos mesmo nos 10 primeiros. Como alguém teria dito "e esta, hein?!"

Se olharmos para aqueles que estão perto de nós em área e população reparamos que aqueles que são ricos estão regionalizados de uma forma ou de outra. Holanda, Bélgica, Áustria, Suíça (fora da UE) e mesmo a Dinamarca estão todos regionalizados. Destes, Portugal é o maior de todos em área e em população só a Holanda é maior. A Bélgica, Áustria e Suíça não só estão regionalizados como são mesmo federações ou confederação no caso da Suíça. A Dinamarca é aquele que está apenas regionalizado e isto apenas desde 2007 pois até aí a Dinamarca estava divida em condados os quais podiam cobrar impostos. 

Note-se também que destes, Holanda, Dinamarca e Suíça são pouco maiores que o Alentejo, chegando a Bélgica a ser mesmo mais pequena em área. Isto é, em dimensão territorial Portugal é duas vezes maior do que qualquer um deles. Apenas a Áustria se mantém mais ou menos ao mesmo nível em área territorial. 

 Imagem retirada daqui
Fora destes fica a Irlanda a qual não está regionalizada mas note-se que a Irlanda tem menos de 4,5 milhões de habitantes numa área ligeiramente mais pequena que Portugal. Ficamos então com um caso contrário de um país que se desenvolveu sem estar regionalizado mas note-se que a Irlanda, por tradição, não sofre do centralismo desmesurado que se verifica em Portugal.

Depois temos ainda a Grécia (sensivelmente igual em população e área a Portugal) que, não estando regionalizada, está, curiosamente, na mesma situação que Portugal. Mostra-se incapaz de ter uma economia em franco crescimento, deficits altíssimos e uma situação financeira crítica. 

Em qualquer um dos países regionalizados também se verifica uma maior equidade nacional em termos de desenvolvimento do que se vê em Portugal ou Grécia. Em ambos, a capital assume um papel excessivamente preponderante face ao resto do país, possuindo um rendimento ao nível das zonas mais ricas da Europa enquanto que o resto dos seus países encontram-se nas regiões mais pobres dessa mesma Europa.

Então temos países administrativamente divididos e/ou com um sistema de Welfare State (Estado Social) bem estabelecido os quais conseguiram ter um nível de qualidade de vida muito alto e taxas de crescimento económico capazes de pôr o país a andar para a frente. Temos um outro país que, embora não se tendo regionalizado, não assumiu um modelo de desenvolvimento centralista, apostando noutro tipo de investimentos.

Por outro lado, temos dois países, Portugal e Grécia, que apostaram em modelos de desenvolvimento centralistas. Ambos foram incapazes de acompanhar o resto da Europa e, neste momento, estão com problemas de coesão nacional com uma região a usar os recursos do resto do país para o seu crescimento enquanto que o restante território empobrece. Ambos estão a braços com uma crise económica sem precedentes na história recente com problemas de natureza financeira à mistura. Ambos tiveram de pedir empréstimos para pagar as suas dívidas.

Sem ser do ponto de vista económico, do ponto de vista cultural, muitos argumentam sobre aquela coisa de Portugal ser uma nação única e indivisível em todos os seus momentos da história. Se assim fosse, deveríamos ter uma país mais ou menos homogéneo linguística e culturalmente falando (isto até porque quem diz isto, geralmente, diz que o país é pequeno). Bem do ponto de vista da língua, num país tão pequenos temos duas línguas, Português e Mirandês. Temos ainda, dentro da primeira uma diversidade tal de sotaques e palavras típicas das regiões que até mete medo para um país que se diz "pequeno". Vos garanto que eu vou a Lisboa e, se quiser, falo português e ninguém me entende. Quem experimentar por um transmontano a falar com um algarvio como ambos falam normalmente e com os regionalismos de cada um, ambos terão mais facilidade em perceber um Espanhol a falar Castelhano. Culturalmente, os costumes do Norte não são os da gente do Sul e mesmo a maneira de estar na vida é bem diferente das gentes do Norte, Centro, Alentejo e Algarve.


Peneda Gerês retirado da Wikipedia 

Isto prende-se, para quem lê história e não fala do pé para mão, com o desenvolvimento do país que foi um aglomerar de regiões com povos diferentes. Até a história de sermos Lusitanos é uma grande aldrabice. Primeiro porque a Lusitânia compreende apenas uma região e povo situado a norte do Tejo e a sul do Douro. Só mais tarde é que as tribos Galegas (Gallaeci - romanização do grego Kallaikói) adoptaram para si o nome de Lusitanos como termo denominador de todos os povos na Península que lutavam contra os Romanos. Aliás, Viriato é herói Português mas também Espanhol...


 Imagem retirada da Wikipedia

O conceito de nação, algo que se quer convencer as pessoas que sempre existiu, é relativamente recente do ponto de vista histórico. Não nos vamos esquecer que, os Reinos eram as terras do Rei e não nação coisa nenhuma.
Assim sendo, e embora o post não seja perfeitamente neutro, não vou dizer se se deve ou não regionalizar o país mais do que deixei implícito. Deixo a liberdade aos leitores para tirarem as suas próprias conclusões face a tudo o que apresentei. 

As melhores decisões são aquelas que tomamos quando desconstruirmos aquilo que nos querem impingir, geralmente, com segunda intenções e construímos as nossas próprias ideias e valores. Em vez de aprender aquilo que se houve e lê cegamente deve-se usar os factos para fazermos nós a nossa própria aprendizagem pessoal em vez de assimilarmos apenas informações, ideias e valores em segunda mão. Foi isso que tentei fazer com este post, contribuir (não se forma exaustiva) para o esclarecimento sobre esta temática que tanta demagogia e mentira faz por aí circular por quem apenas pensa nos seus próprios interesses.

Fontes:

Eurostat
Wikipedia

Os Pobres querem viver como Ricos.

 
Ontem, no Jornal da Tarde da RTP1, passou uma reportagem sobre as dificuldades de algumas famílias da classe média. Deu-se como exemplo a família Paiva, se não estou em erro no nome. Também, se não ouvi mal, os rendimentos daquela família rondam os 900€. Disse a jornalista que só com despesas da prestação da casa era 800€. Mas os valores em causa são secundários. A questão que eu quero focar aqui é a maneira como as pessoas gastam o dinheiro e depois queixam-se que passam dificuldades.

Bem, reparei eu que a dita família, que se encontra em dificuldades tinha uma box qualquer de televisão por cabo, o filho tinha um telemóvel não propriamente daqueles baratos... Quer dizer... Quem passa por dificuldades tem de saber gerir o seu orçamento e saber o que é ou não importante. 

Eu não quero tecer comentários específicos sobre esta família em particular mas sim, com isto, extrapolar para o que se passa no país. As pessoas gastam em coisas supérfluas e não largam os vícios nem quando estão com problemas. Isto prende-se com a eterna questão dos portugueses adorarem mostrar aos vizinhos que são melhores que eles. Internet, telemóvel, televisão, todas estas coisas são acessórios e só os tem quem pode e não quem quer. Não me venham com a história de que não se vive sem Internet ou telemóvel. Conheço muita gente que vive sem o primeiro e quanto ao segundo, meus amigos, eu tenho 28 anos e durante, pelo menos, metade deles vivi sem isso. Há quem tenha vivido mais tempo sem esses aparelhos. Nunca se deixou nada por fazer por se abdicar disto. Televisão? Comprem um livro que vos dá para mais tempo e é bem mais interessante do que a palhaçada que hoje passam nos nossos canais.

Enquanto as pessoas não souberem viver de acordo com os seus rendimentos e necessidades teremos casos destes. Passam dificuldades mas não abdicam do que é inútil. Já o disse antes mas estes casos trazem-me sempre à memória o caso da outra que se queixava que não tinha comida para os filhos e que estava sem dinheiro mas, note-se bem, dizia isto através do MSN Messenger. Não tinha para comida mas tinha para a porcaria da Internet.

Conclusão, com um povo assim, espera-se que os políticos façam diferente? Obviamente que não. Talvez fosse boa altura para povo e governo perceberem o significado de "quem não tem dinheiro não tem vícios". Enquanto formos pobres a viver como ricos andaremos sempre no mesmo. Pena tenho é que este post não diga absolutamente nada de novo e, perante o estado que estamos, ainda se consiga ter motivo para repetir esta lengalenga.

Isto não é Estado Social. É Estado Chulista.



Aumentos das rendas em bairro social podem chegar aos 600% - JN

Repare-se nos seguintes excertos do artigo do JN online acima linkado.

Leia-se este:

"Gorete Monteiro justifica os aumentos com o facto de 49 dos 79 agregados familiares residentes no bairro apresentarem actualmente rendimentos anuais superiores a 20 mil euros" e, por isso, "não cumprirem os requisitos enquadráveis na legislação em vigor"."

E agora este:

"Segundo um levantamento realizado pela autarquia, naquele bairro social a renda mais alta atual é de 26,98 euros e a mínima de 3,99 euros, apesar de alguns agregados terem rendimentos anuais declarados superiores a 30 mil euros."

Isto não é Estado Social. Isto é Estado Chulista. Quando se mantém pessoas que auferem rendimentos bem dentro da média nacional em casas feitas para quem não pode está-se a chular quem trabalha, paga impostos e no final ainda tem de pagar renda ou prestação da casa. Isto é sustentar malandros. Não admira por isso que tenhamos a despesa pública que temos. É que sustentar esta horde de RSIs, CNOs e gente a ganhar bem mas a pagar renda em habituação social por forma que quase a tem de graça não fica nada barato. Depois não há dinheiro para aquilo que é verdadeiramente preciso.

Enquanto se insistir em sustentar malandros, seja de que forma for e onde for, a troco de votos nunca iremos a lado nenhum. Sobrecarregamos quem trabalha, paga e nada recebe e, consequentemente, faz a economia andar para a frente para sustentar quem não pode mas quer viver no luxo.

Rendimentos de 20 mil a 30 mil euros e vivem em habitação social? Aumento de 600% e mesmo assim ficam a pagar 156 euros por mês de renda? Vivem nos centros urbanos ou lá próximos, um luxo hoje em dia, já que o mercado de arrendamento para essas zonas não tem rendas inferiores a 300€. 

Depois disto só me apetece dizer para irem todos dar uma curva ao bilhar grande!