Sócrates é bom mas nem tanto...



Anda agora na moda dizer que o estado do pais é culpa de José Sócrates. Bem, tal afirmação, para além de exagerada é completamente falsa. O homem é bom mas nem tanto. Olhemos para a cronologia dos nossos governantes.

Agora temos Sócrates que, por ser tão actual, escusa recordações.

Antes tivemos Santana o qual correram com ele antes de ter tempo de fazer seja o que for mas que já se preparava para umas quantas obras megalómanas com um deficit galopante.

Já tínhamos tido Barroso, Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas. O primeiro fugiu depois de ter deixado a segunda vender o património todo que havia para vender e o terceiro comprar uns quantos submarinos. Note-se que a coisa estava tão boa na altura que Manuela Ferreira Leite preferiu deixar cair o governo a tomar o lugar que era "hereditariamente" dela. Sim, a senhora na altura era a número dois do governo.

Resultado orçamental deste governo: deficit galopante. Quando saíram de lá, o deficit tinha uma estimativa de 6,1% do PIB caso não tivesse sido corrigido. Mesmo assim, depois de terem vendido património, aumentado os impostos, no último ano completo tiveram um deficit de 3,8% do PIB.

Andando mais para trás tivemos Guterres, o Sorridente Dialogante. Infelizmente fui tudo que ele consegui fazer... amigos com o seu sorriso e fundos para todos.

Resultado orçamental deste governo: "descontrolo" das contas públicas e o começo do "controlo do deficit". No último ano de governo completo de Guterres, 2001, o deficit foi de 4,39% do PIB. No ano da saída de Guterres e entrada de Barroso, o deficit estava nos 3,8% do PIB. (fonte: pordata)

Mesmo antes de Guterres, ainda tivemos o agora Presidente, Cavaco Silva, o Infalível. Este era aquele que raramente tinha dúvidas e nunca estava errado. Aquele que vendeu a agricultura, pescas e industrias associadas a troco de uns trocos para fazer um CCB, IPs com traçados miseráveis, autoestradas com erros de concepção e fundos para todo o santo empresário têxtil e agrícola comprar carro(s) e casa(s) com piscina. Quando deixaram de concordar com ele, estudantes e operários, foram brindados com cargas policiais como nem aos criminosos se fez em Portugal.

Resultado orçamental deste governo: um deficit de 4.28% do PIB (fonte: pordata) - na altura, pelos vistos, não era problemático.

Ainda acham que estamos assim só pelo Sócrates?

Esta coisa dos deficit também não deixa de ser engraçada. Depois de tanto aumento de impostos, venda de património e algum corte das despesas o desgraçado teima, nos últimos anos dum ciclo governativo não descer abaixo dos 3%. Também é engraçado que, Cavaco Silva, (e com contas assim feitas por alto com dados recolhidos do CIA World Fact Book) tenha andado sempre com deficits de acima de 4%.

Temos pena!

O seguinte comentário foi retirado daqui e, infelizmente, demonstra bem o problema que temos na função pública. A mentalidade que se instalou nos funcionários públicos é a principal inimiga do próprio funcionalismo público.

carlos pereira
06.10.2010/14:46

Grande inveja vai por aí. Afinal o que querem? Ser tambem funcionários do Estado? Não, não, que isso não é para todos. Fiquem na privada que estão muito bem. E toca a trabalhar para o engrandecimento do país. E quanto a mim, funcionário público, vou continuar a observar para ver se os meninos invejosos continuam a produzir para eu continuar bem instalado na vida. Bons sonhos, bom trabalhinho e vejam se não fogem aos impostos que é para eu poder viver à grande.

Eu creio que, se bem que haja alguma inveja pelos que já lá estão no funcionalismo público, o maior sentimento é o de revolta. Revolta porque, de facto, o funcionalismo público vive uma situação privilegiada em relação ao que não é funcionalismo público. Isto não quer dizer que os culpados do país estar como está sejam eles, mas quando se vê a discrepância salarial dentro da função pública e fora da função pública, a juntar aos horários de trabalho etc e tal, compreende-se porque o comum dos mortais possa estar revoltado e possa até culpar o funcionalismo do estado pelo estado do país. 

Se me perguntam se é justo ou não, aí a resposta é mais dificil. O funcionalismo público é, ele próprio o seu pior inimigo e tem sido ele próprio responsável pelo descrédito que hoje ele tem. Agora se foi ele que levou o país ao estado caótico, isso é óbvio que não. Aí a culpa é dos dirigentes deste país que não sabem dirigir nada (salvo o seu próprio bolso) e dos restantes que nada fazem para que as coisas mudem, limitando-se à critica e insulto barato.

Em todo o caso, seria bom que os funcionários públicos de certas e determinadas áreas pusessem a mão na consciência e reparassem que mais ninguém trabalha das 9h as 16h com 1-2h para almoço. Isto ainda ganhando o rico salário ao final do mês com direito a férias garantido etc e tal.

Agora podem todos saltar, gritar e espumarem-se todos pela boca, funcionário público ou não, sobre os cortes e impostos. O certo é que, enquanto não se chegou aqui vivam, aparentemente, todos no paraíso. Os FP exigiam aumentos de salários (segundo me lembro, houve até um sindicato de enfermeiros que queriam 4,5% de aumento quando o resto da FP já nada via), os privados continuavam a gastar o que tinham e o que não tinham em telemóveis, Internet, carros, portáteis, etc. Todos quiseram gozar a vida até ao limite. Pois bem, o limite chegou e se não queriam estar como estão agora deviam ter pensado enquanto foi tempo.

Agora resta-nos tentar limpar a casa dos anos de excessos. Privados e  Função Pública, agora não há volta a dar. Aguentem-se à bronca e chega de tentar arranjar artifícios para se poder continuar a gozar à brava. Essa história da inconstitucionalidade é tão má cara que demoraram este tempo todo a para pensar nela.

Preocupações de ontem e hoje

Hoje anda tudo preocupado com o dinheiro que se gasta aqui e ali. O Serviço Nacional de Saúde, para o estado, é uma preocupação enorme. O apoio a pessoas com necessidades especiais nas escolas idem aspas. Custam dinheiro que podia ser usado para... olhem, sei lá, comprar carros para algum membro do aparelho governativo.

Querem saber o curioso, no Terceiro Reich isso também era uma preocupação. Reparem no seguinte poster:


Legenda: 60000 RM é o que esta pessoa que sofre de defeitos hereditários custa à comunidade de Alemães durante o seu tempo de vida. Caro cidadão, este é o seu dinheiro também.

Sem mais comentários.

Para recordar a história



Uma história para os políticos e economistas de hoje lerem e recordarem que, quando paga o justo pelo pecador, as coisas podem dar para o torto. Seria bom que eles pensassem sobre isto.

Sugiro, então, a seguinte leitura:

Uma dívida que se pagou caro - Opinião - DN

A direita da esquerda

fonte: El Fisgón "Como sobrevivir al neoliberalismo sin dejar de ser Mexicano" Grijalbo Press
retirado daqui

O neoliberalismo que começou com Reagan e Tatcher e mais recentemente por George W. Bush e seus amigos por todo o mundo que atrás dele foram, levaram o mundo à pior crise que havia memória desde 1929. Todos se maravilharam com o fim de todas as "incovenientes" regras de conduta e legalismos para regular os mercados. Era a era de ouro em que todos podiam comprar, vender e/ou negociar sem barreiras e tiques de esquerda. 

Bem, estamos todos a ver o que esta linda e magnifica direita neoliberal nos levou. Isto para não falar nas guerras que envolveu o mundo "ocidental" e que ainda hoje custam vidas humanas e rios de dinheiro a quem lá está e que não levam a lado nenhum.

Mas o mais giro disto tudo é que estes que nos levaram a esta situação económico-social ainda têm a distinta lata de se apregoarem como salvadores do mundo. Atiram a culpa para todos os lados sem perceberem [?] que eles foram o problema. Quando se é um problema não se pode ser solução, especialmente se a solução que propõem é a mesma receita de sempre. 

Em 1929 a única maneira de salvar as coisas foi com políticas sociais e de investimento público e mesmo assim as coisas só melhoraram com a infelicidade de uma Guerra Mundial que obrigou a gastos enormes por parte dos estados quer com o rearmamento quer com o recrutamento que levou à baixa do desemprego. 
Hoje, paradoxalmente, tenta-se salvar o doente dando-lhe mais daquilo que o pôs doente. Talvez fosse bom alguns fazerem um bocadinho de soulsearching e colocarem a mão na sua consciência, isto se ainda a têm. 

Sugiro a leitura disto.