Espaço para desabafos sobre os mais pertinentes (ou então nem tanto) assuntos. Sejam bem-vindos a um mundo insano.
As confusões do Professor candidato a Presidente
Perante o vídeo que se segue, nada mais há a dizer. Confirma-se aquilo que eu venho a dizer há anos. Para Professor de Finanças, escapam-se-lhe muitas coisas. Certamente será por este desconhecimento e escapadelas que chegou a dizer que nunca estava errado e raramente tinha dúvidas. De facto, quando não se sabe fica-se com essa sensação...
As eleições presidenciais 2011
Tão triste é a falta de qualidade dos candidatos para o lugar a que concorrem que quase nem vale a pena falar muito nisto. Qualquer um dos candidatos, pelo menos os dois mais "famosos", deixam muito a desejar quanto à moralidade que querem demonstrar ter.
Cavaco, sem grandes surpresas, anda à deriva quando fala e quando não anda à deriva é porque está calado. Contudo, mais uma vez igual a si mesmo, escolhe as alturas erradas para dizer o que tem a dizer. Pior do que isto é o facto de dizer também o que não devia dizer enquanto candidato por todos (ou assim ele quer fazer querer). Cavaco tem pela frente uma imagem a reparar. Depois de ter caído no ridículo de chamar o Papa para este dizer o que ele tinha medo de dizer, que era contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, e de ter sido forçado a engolir o sapo e ter de assinar a lei, vem agora [ab]usar [d]os direitos dos transexuais. Tudo para piscar um olhinho à direitinha religiosa e paternalista a quem ele ofendeu. O problema é que vai ter que desiludir estes seus eleitores pois, eventualmente, a lei regressará às suas mãos para ser assinada (quer goste ou não). Não se espera que a mesma Assembleia da República que aprovou a lei, ache agora que a deve mudar.
Fora isto, Cavaco Silva, fica igual a si mesmo. Passeia e socorre-se de tudo o que pode (por ventura do que não pode também) para garantir uma vitória à primeira volta. Sabe bem que numa segunda, terá que enfrentar um candidato que, muito provavelmente, irá aglutinar uma grande parte dos votos da esquerda.
A questão que me pergunto é, porque terá tanto medo assim Cavaco dos seus adversários? Ele não é a pessoa indicada, do meu ponto de vista, para a Presidência mas, infelizmente, a alternativa mais viável a disputar o lugar não consegue mostrar porque é alternativa, salvo pela história e fama do nome.
De facto, pode-se mesmo dizer que, se Cavaco Silva anda perdido e à deriva, sem nada de interessante para dizer, então Manuel Alegre perdido e à deriva anda, com ainda menos coisas interessantes a dizer ao país.
Repare-se que o primeiro preocupa-se em dizer que será e fará tudo aquilo que não conseguiu ser e fazer no seu primeiro mandato. O segundo, usando da sua capacidade para a poesia, faz discursos bonitos apelando a um qualquer patriotismo... Diz que vai fazer aquilo que não pode, quer por impossibilidade política quer por impossibilidade constitucional.
Quando tudo o resto e falha e quando se vêem sem conseguir apelar e despertar interesse nas massas, tentam a técnica do desespero e partem para os ataques pessoais. Os dois candidatos, num abrir e piscar de olhos, transformaram uma campanha para as eleições presidenciais, numa troca de galhardetes que roçam o ataque pessoal e fazem os candidatos parecer actores de uma má telenovela qualquer.
Infelizmente, um deles será Presidente da República, pois não guardo esperanças de que surjam surpresas do eleitorado salvo, se calhar, uma abstenção elevada. Mas isso não será surpresa também.
Do país - parte II
No post anterior falei da falta de crise em Portugal. Hoje venho continuar com mais reflexões de Ano Novo.
Começo pela loucura, insanidade mesmo, a que neste país se chegou. A falta de competência, a capacidade para lamber botas, a apatia tão típica da portugalidade nunca estiveram tão altas. Outro dia contavam-me histórias de entrevistas, daquelas que nós guardamos para memória futura. Todas eram bons exemplos de como em Portugal, ninguém sabe o que anda a fazer e nem sequer se apercebem das barbaridades que dizem.
Numa história, a pessoa que conduzia a entrevista que era, só por acaso a entidade empregadora, não sabia a morada do sítio onde o candidato iria prestar o serviço. Noutra, só final se lembraram de dizer os requisitos obrigatórios e eliminatórios para a função pedida, isto depois dos candidatos já terem feitos testes e mais testes e já estarem na fase final do processo de candidatura. Ainda noutra, mesmo sendo o único candidato à posição pedida, e depois de ter falado com a pessoa responsável pela secção, o técnico de recursos humanos, o qual nem sabia que já tinha havido uma anterior entrevista, decide que a pessoa que o chefe de departamento tinha escolhido, afinal não era o que se pretendia (não esquecer que não havia mais nenhum candidato ao posto).
Nas notícias, ouvi assim uma notícia, a modos que a fugir, em que se anunciava que os partidos políticos agora poderiam deduzir as multas resultantes de procedimentos incorrectos durante as campanhas ao Estado, sendo, posteriormente, ressarcidos dos respectivos valores. A tranquilidade com que o jornalista disse a notícia e a passividade da mesma foi algo que me chocou. Pior ainda, foi o facto de a notícia seguinte ter a ver com qualquer coisa do Benfica. Então agora, algum ente jurídico, depois de cometer uma infracção e de ter sido alvo de uma sanção pecuniária pode deduzir a multa e depois ainda lhe ser devolvida a mesma? Mas andamos todos loucos ou a dormir? E o jornalista, aliás, os jornalistas dão esta notícia como se fosse a coisa mais banal e normal do mundo? Mas isto não interessa falar, é isso? Não há nada a dizer? É que se não há acho que todos os portugueses devem começar a declarar as multas para fins de descontos de IRS. Se isto é assim tão normal, então devemos todos poder usufruir da legalidade do facto.
Mas não termina aqui. Olhando para as notícias dos jornais e ao que por lá se diz, fica-se com a sensação de que andamos todos burros ou estúpidos. Fala-se sobre tudo e sobre nada. Dizem as maiores loucuras como se nada fosse. Asneiras atrás de asneiras das bocas de jornalistas, comentadores, políticos e afins como se estivessem a dizer algo passível de ser merecedor de um Nobel. Ontem, era a venda do ouro do Banco de Portugal. Mas isso iria resolver alguma coisa? Mas acham que o ouro voltaria a crescer para daqui a dois, três anos podermos vender mais? Mas será que os jornalistas têm um curso superior tirado a um Domingo? O pior disto, é que todos os economistas agora tiveram uma palavra a dizer sobre o assunto. Mas, sendo eles economistas, não será tão dolorosamente óbvio para eles que este assunto do ouro é aquilo a que se chama uma "não-notícia"? Daqui a cinco anos se o preço do ouro baixar vamos falar na tragédia que foi o dilapidar do ouro no pós-25 de Abril? Andamos aqui em círculos é?
Com tamanhos exemplos de falta de formação adequada não admira que saiam notícias destas. Pena que se chegue à conclusão que os alunos não estão sozinhos e que este problema não seja de hoje. Já vem detrás. A surpresa é que ainda se ache isto surpresa. Infelizmente, este processo é reprodutivo. É que os alunos de hoje são os adultos e profissionais de amanhã. E não nos vamos esquecer que os de hoje foram alunos ontem. Isto servirá para quem quiser enfiar a carapuça.
Esta é a verdadeira razão pela qual o país está economicamente débil. Não falo mais em crise, digo débil. E só vamos sair desta debilidade quando os portugueses acordarem e perceberem que os lugares têm de ser ocupados pelos mais aptos e pelos mais capazes e que essa capacidade tem de ser constantemente provada e comprovada. Não chega ter curso superior é preciso ser-se profissionalmente superior.
Do país - parte I
Esta altura do ano, com Natal e Ano Novo, é uma excelente altura para fazer reflexões. Assim aqui vou deixar os meus trezentos.
Ultimamente, face à "crise", muito lamurio e queixume se tem ouvido. Pelos vistos, tudo está pior. Bem, pela minha parte está pois graças ao aumento sucessivo de impostos, tenho quase a certeza que os rendimentos que auferi a mais este ano vão voltar à procedência na forma de taxas disto e daquilo. Mas, em boa verdade, o que me parece é que eu devo ser um dos poucos que se encontram nesta situação. O resto do país vive alegremente sem qualquer problema. Na pior das hipóteses, não estarão pior que no ano anterior [2009]. Repare-se que as vendas de Natal de 2010 não foram inferiores às do ano de 2009. Isto eu pude bem confirmar pois só no dia 24 é que vi os centros comerciais com a quantidade de clientes habitual para um dia da semana. Nos outros dias, foi uma perfeita loucura. As filas de transito de acesso aos mesmos eram absolutamente ridículas. Os parques estavam constantemente cheios. Lá dentro era um maranhal de gente que até metia arrepios.
Segundo também li algures, as SCUTs, a quem tanto transtorno iria causar e depois de tanto alarido, rendem diariamente mais de 200 mil Euros.
Também não me parece que as pessoas estejam assim tão mal pois, ainda ontem me diziam que, na fila de espera da segurança social, ouviu-se um queixume de duas simpáticas senhoras que diziam que o subsidio que o Estado lhes dava não dava para a gasolina. Ouvi também de um taxista que me dizia que na semana de Natal e Ano Novo, nunca tinha levado tanta gente ao Aeroporto Sá Carneiro com destino ao Brasil.
Podia continuar mas não valeria a pena. De facto, a crise em Portugal, é perfeitamente fictícia. É um produto da imaginação de alguns. Dinheiro não falta. Há dinheiro para se continuar a andar de carro e pagar SCUTs. Há dinheiro para comprar tudo e mais alguma coisa na época de Natal. Há dinheiro para ir passar o Natal e Ano Novo ao Brasil. Repare-se que até há dinheiro para gente com necessidade de ir pedir dinheiro ao Estado se dar ao luxo de queixar que o problema delas é o dinheiro para a gasolina do carro!
Crise? Qual crise qual carapuça! Quem fala em crise anda mas é tolinho!
Primeiro post do ano
Caros leitores, serve este primeiro post para, antes de qualquer coisa mais, pedir desculpas pela longa e inexplicada ausência. Entre trabalho, compras, falta de vontade de falar seja do que for que diga respeito à patética situação e irracionalismo [da maioria] dos cidadãos deste país, não houve hipótese de vir aqui postar.
Podia ter vindo deixar uma mensagem de Natal e Bom Ano Novo mas, na verdade, nem isso tive vontade. Aproveitei a paragem lectiva para descansar também do blogue. Por isso nada disse, escrevi ou respondi aqui.
Por estas razões, estou agora em falta para com os leitores deste pequeno canto. Assim sendo, expresso agora o desejo que todos tenham tido um excelente Natal e uma excelente passagem de ano. Em particular, agradeço a três leitores, Anabela Magalhães, Em@ e Miguel Loureiro, pelos votos desta quadra.
Aos restantes, que comentários aqui publicaram e que ficaram sem resposta, só me resta pedir a compreensão. Não se tratou de falta de cortesia mas antes uma terrível falta de vontade de olhar para as desgraças deste matagal à beira mar plantado, as quais são aqui retratadas.
Em todo o caso, deixo os meus votos de um excelente Ano de 2011 para todos.
Cumprimentos,
Elenáro.
P.S.: Espero que tenham comido as uvas passas todas, cada uma com o seu desejo, e que tenham feito as vossas resoluções deste ano que agora começa.
Subscribe to:
Posts (Atom)


