Matar a regionalização?! Não! Ela já morreu há muito!

Matar a regionalização - Opinião - DN

Um artigo a não perder. O único acrescento que lhe faço é que não foi Sócrates que a matou. Quem a matou foi Cavaco que a devia ter feito na altura e não fez porque não queria perder o dinheiro para Lisboa e Vale do Tejo. Quem veio depois limitou-se a empurrar para a frente com a barriga e não a fazer. Até Guterres que levou o país a um referendo sobre ela, mostrou que o verdadeiro interesse era matá-la e não fazê-la. Resta saber porquê. Aliás, não deixa de ser curioso que não haja um único político com a regionalização como tema urgente a tratar. É interessante ver que, apesar de o povinho acha que aquilo vai ser um montão de tachos novos a criar e, assim sendo, os políticos ainda não a tenham feito! Isto sim, é algo digno de ser analisado ao detalhe. Se, de facto, a regionalização vai dar tanto lugar a tanto membro partidário porque não avançam os políticos com ela?

Pois... A resposta será por ventura bem mais complicada e não irei agora aqui desenvolver isto. É óbvio que a regionalização trará mais cargos políticos. Mas também é óbvio que acabará com outros tantos. Estranho porque os portugueses (a julgar pelos comentários no artigo) continuam a não querer uma regonalização onde escolheriam quem punham no tacho para lhes tratar da sua região mas, no entanto, insistem e aceitam manter no poleiro uns quantos governadores civis que não são eleitos e nada fazem por poucas competências lhes serem dadas por lei.

Há muitas razões que se podem apontar para não fazer a regionalização. Pessoalmente acho que são todas balelas mas aceito que possa haver quem as defenda. Agora, quando me falam na questão dos tachos... Tachos já há muitos e muitos são fora o "estado" propriamente dito. Aliás, os apontados tachos do poder autárquico são, na realidade, aproveitados por gentinha que não tem onde cair morta e não por amigos do poder. Resta-me questionar se, quem fala nos tachos como razão para não se fazer a regionalização, fala por pura ignorância, interesse próprio ou pura imbecilidade...

As evoluções em Portugal



Portugal, país sui generis, sofreu ao nível das necessidades educativas uma profunda transformação. No passado, qualquer pessoa, com ou sem formação, estava habilitada a desempenhar uma tarefa. Tudo dependia da sua capacidade para a fazer a qual era avaliada a "olhometro" pela entidade empregadora. Qualquer pessoa com a 4ª Classe podia chegar a dirigir uma empresa se trabalhasse e provasse ser capaz.

Pelo contrário, hoje em dia, temos o oposto. Para se desempenhar a mais ridícula das funções é preciso ter um curso qualquer. Com Bolonha, caímos no ridículo de pedir Mestres para desempenharem funções de técnicos especializados. Isto é, está-se a cair na banalização do superior. Até aqui banalizamos as licenciaturas. Com Bolonha, banalizamos os Mestrados. O próximo passo é criar uma coisa qualquer para que todos sejam Doutorados.

Anda toda a gente a vender falsas expectativas aos jovens e aos seus pais. Entramos na loucura de pensar que todos têm de ser "doutores" para arranjarem emprego ou para serem alguém na vida. Abrem-se múltiplos cursos para tudo e mais alguma coisa. Há quem lhe chame "especialização". Pois bem, que se chame isso. Um país precisa de gente bem formada e com boas especializações. O que o país não precisa é de uma massificação do ensino superior onde passamos da premissa de inicial para outra onde para se ser operador(a) de caixa num qualquer hipermercado é preciso ter uma licenciatura ou mestrado.

O interessante é que, quem tem como função olhar para estes assuntos, já sabe muito bem isto que eu acabei de dizer. Até aqui nada de novo. Então, importa perguntar porque é que não se faz nada para inverter isto? Pois, aqui é que a porca torce o rabo. Não se muda pois há tachos a manter. Uma revolução e racionalização dos recursos educativos face às necessidades do país levaria à redução drástica no número de licenciaturas e seus numerus clausus. Poderia levar mesmo ao encerramento ou fusão de muitas Universidades, Institutos e Escolas Superiores. Como consequência, muitos teriam de ir fazer pela vida noutro lado. Como isso é, no mínimo incómodo, mantém tudo na mesma e continua-se a alimentar a crença dos portugueses que um filho licenciado é que bom e a inveja típica portuguesa; "se o teu filho é licenciado o meu há-de ser mestre".

Enquanto mantemos a preço de ouro os tachos de muitos, pagamos todos com um país atrasado e parado. O país não tem mercado de trabalho capaz de absorver tanta formação. É que, se por um lado "vendemos" licenciaturas, por outro vendemos uma economia assente em "baixos salários". Estas duas coisas são inversamente proporcionais. Se temos muitos licenciados, temos de ter salários altos e não baixos e vice-versa. Resultado, andamos a formar quadros para serem sub-aproveitados ou para irem desenvolver outros países.

Em suma, passamos de uma situação em que qualquer trolha pode ser engenheiro para uma em que para se ser trolha é preciso ser-se engenheiro. Com esta irracionalidade na gestão de recursos do país, quer seja para ganhar votos, alimentar tachos ou apenas para estrangeiro ver, andamos agora a pagar a factura. Pena que, à boa maneira portuguesa se acredite ainda que é possível gastar mal eternamente sem nunca pagar o preço.

[In]coerências de quem quer ser governo


Já aqui e aqui tinha falado sobre o oportunismo político que aí vinha por parte do PSD. Hoje vem mais uma notícia que mostra bem o quanto o PSD anda a fazer jogada política quando devia andar a trabalhar para evitar que as coisas fiquem pior do que o que já estão. 

Infelizmente, o PSD tornou-se, desde Cavaco, num partido de oportunistas e oportunismo políticos. Mais do que em qualquer outro partido, este trabalha, quase em exclusivo, para manter os seus nos cargos de poder. O facto de estarem fora dos círculos governativos desde que Cavaco despedaçou o partido e país não ajuda. Volvidos estes anos todos fora do poder, apenas com a triste passagem por lá com Durão Barroso e Ferreira Leite com um empurrão de Paulo Portas, algo que muitos fazem por fazer esquecer (não nos esqueçamos nós que foi por causa de Durão Barroso que Sócrates lá chegou), o PSD sofre dos efeitos secundários de quem anda há muito em abstinência. Sofre tanto que nem percebem o que andam a fazer e só mesmo com um eleitorado que prefere futebol e telenovelas ao futuro do país é que ainda conseguem ter os votos que têm.

Repare-se que o PSD fala que o governo PS de Sócrates está pelas ruas da amargura. Diz que o país está nas ruas da amargura por causa de Sócrates. Diz que o país precisa de um novo rumo. No entanto e "surpreendentemente", nos momentos que pode mudar as coisas, o PSD votou ao lado do PS. Negociou isto e aquilo com PS mesmo dizendo que era um mau negócio para o país. Não se percebe bem, então, porque se assina um acordo quando se sabe que ele é mau. Ou então percebe-se muito bem.

O PSD sabe que não é alternativa ao seu congénere rosa de Sócrates. O PSD, caso fosse governo, estaria a fazer o mesmo, ou pior, que o PS. Por isso vota ao lado do PS. Mas, mesmo não sendo diferente, não quer ele ser governo? Pois claro. Obviamente que sim. Contudo é bem mais fácil votar ao lado do inimigo e deixa-lo levar as culpas de tudo que corre mal do que ganhar cojones e fazer eles o trabalho "sujo".

Agora que a parte "mais feia" da austeridade já foi feita pelo PS, agora que Cavaco já foi releeito (com a promessa de ser mais interventivo e, sem surpresas, anda calado), então agora sim já se pode ser governo. Todavia, pela mão do BE é que não. Não importa recordar o passado de extrema-esquerda de alguns dos seus antigos líderes. Mais vale pela mão do PCP ou, de preferência, com uma moção própria.
Enquanto o PSD aproveita-se de um eleitorado cego e intelectualmente embrutecido, lixa-se o país e lixam-se aqueles que, com olhos que Deus Nosso Senhor nos deu, insistem em usá-los para ver a tristeza que se tornou a política em Portugal.

Eu Não Quero Voltar Sozinho - Curta

Com os devidos agradecimentos a Paulo Prudêncio que postou isto ontem no seu blogue Correntes. Nas suas palavras: "Pode ser um excelente conteúdo para a formação cívica (não desista por causa dos 17 minutos de duração)."

 

PS com D começa a jogar xadrez.

Ontem disse isto. Hoje apareceu isto no DN. Não demorará muito até se ler que o PSD chegou ao poder. O que se passará depois, com Cavaco na Presidência e Passos Coelho, que só muito recentemente conseguiu completar a sua licenciatura, como Primeiro-Ministro... Bem, temo em especular. Cheira-me que muitos irão pedir Durão Barroso de volta.

Os jogos de Poder

Era certo e sabido que a ambição de Cavaco e do PSD, portanto, era de ter Presidente e Governo da sua cor. Esqueceram o velho argumento da campanha de Cavaco contra Sampaio em que disseram que era muito perigoso ter Governo e Presidência da República da mesma cor política.

Bem vistas coisas, tem havido mais problemas quando há um Presidente e um Governo de "cores" opostas. Repare-se que, com Sampaio, assim que o governo mudou de rosa para laranja, começaram a surgir os problemas tendo o governo laranja-azul ficado pelo meio do seu mandato. A história agora repete-se.

Cavaco, depois de ter tentado e falhado levar Ferreira Leite ao poder, vê agora a sua oportunidade de ouro. Com novo mandato, sem a possibilidade de se poder recandidatar novamente, ou seja, de se sujeitar de novo ao voto, tem o caminho livre para se ver livre de quem tanto o tem "ofendido" ideologicamente. Depois de tanta ofensa à moralidade Católica, mas não Cristã, Cavaco vai agora apontando baterias para pôr lá o PS com D no lugar do PS sem D. Isto prova isso mesmo.

Quem votou em Cavaco a pensar que ele seria alguma barreira contra a instabilidade política e financeira, começa agora a cair na realidade. Cavaco é um hábil "animal" político. Soube fazer o seu joguinho de virgem ofendida, de inocente e ingénuo. Os crédulos acreditaram na cantiga. Agora vão ter exactamente o oposto.

Cavaco e PS com D vão fazer as suas jogadas para derrubar o PS sem D o qual, assim só por acaso, anda a fazer aquilo que os Ds fariam se lá estivessem. Porventura, até andará a fazer mais. 

É certo que o país nas mãos de Sócrates está desgraçado mas, nas mãos de Cavaco, Passos Coelho e, quiçá, Paulo Portas desgraçado estará. Seria o trio maravilha. Reparem, Cavaco é o mísero professor de finanças que nem as suas sabe fazer e deixa a outros esse trabalho sem sequer lhes exigir contas; Passos Coelho é o homem que promete privatizar o lucro do Estado e manter o prejuízo; Portas é o homem das negociatas militares as quais ainda não houve uma que não tivesse dado bronca, desde os submarinos às viaturas Pandur.

Os três no poder farão as delícias de qualquer adepto de tragédias. Os portugueses, esses, deverão rejubilar. Afinal, foram eles, quer por terem votado em Cavaco ou por não terem ido votar, que escolheram este caminho. De facto, desde que haja uma missa para se poder ir discutir a vida dos outros no fundo da Igreja, uma telenovela e um jogo de futebol, de preferência com seguimento fora do relvado, fica tudo contente.

A ver vamos o que sairá daqui. Se Deus quiser, este post não fará sentido daqui a um ano.

Edição: Por lapso faltou o título a este post.