Jornalismo à Portuguesa



Num mundo em crise económica e com muitos países a passarem por enormes dificuldades financeiras, perante um desastre humanitário e um potencial desastre nuclear no Japão e com as convulsões na Líbia, Yemen, Bahrain, etc... as televisões portuguesas, nos seus programas informativos, perdem enormidades de tempo a falar de uns jogos de futebol e ainda têm a lata de por em rodapé como "última hora" uma notícia sobre com quem vão jogar uns quaisquer clubes de futebol.

Ainda se há quem fique espantado por sermos pobres endividados, senão mesmo falidos! Isto é mesmo um autêntico circo!

Os políticos eleitos e escolhidos pelos portugueses


Portugal é, do ponto de vista político, um país anedótico.

Tem uns eleitores que se fartam de queixar de tudo mas na altura de votar dão os lugares aqueles que levaram e levam aos motivos das suas queixas. Pior do que isso é a própria qualidade dos mesmos. Olhando para os líderes partidários de alguns dos partidos e para os dois principais cargos da República reparamos que, consecutivamente, os eleitores escolhem os piores (e os mesmos).


Por exemplo, escolheram para Presidente um antigo Primeiro-Ministro que arruinou o já fraco sector primário do país, não promoveu uma real revitalização industrial e baseou os seus 10 anos de governo em construção desmiolada e irracional. Um PM que achava que as manifestações deviam ter como resposta o envio das Brigadas de Intervenção das forças de segurança para as desmobilizarem a qualquer preço. Um PM que nunca se engana e raramente tem dúvidas mas que, contudo, não sabia sequer o que era feito e o que faziam com os seus investimentos isto apesar de ter um percurso académico na área e ser considerado um "expert" nessas questões. A juntar a este historial todo, ainda conseguiram eleger e reeleger alguém que nunca diz aquilo que queria e nunca quer dizer aquilo que diz, alguém que fala quando não devia e quando deve cala-se e acha que não tem de tecer comentários. Enfim, elegeram um coitado que não sabe bem o que anda por lá a fazer e que os levou à situação económica em que estamos hoje.

Uma economia demora décadas a ser edificada e mais tempo demora quando se passa 10 anos a destruir o pouco que há. Hoje pagamos pelas megalomanias do mísero professor de finanças que provou perceber muito pouco do assunto e ter muita falta de visão para o futuro, pensando mais no seu próprio bem estar.

Apesar disto tudo, os eleitores acharam que ele era uma boa escolha para Presidente.

Agora, com o parasitismo político a mexer com os cordelinhos, vemos muitos a falarem de eleições. De resto, nada que eu já não tenha dito. Perante um governo que insiste e tem conseguido com algum sucesso (e espanto também) evitar a vinda do FMI, os outros (PS com D), cansados de esperar sentados e ter de andar a reboque, mexem-se rapidamente para saltar para o poleiro. Até aqui nada de novo, politica portuguesa a funcionar.

O problema, e voltando ao título do post, é estes senhores estarem a tentar convencer os eleitores que são alternativa. Isto depois de terem andado de mão dada com o governo, depois de terem estado lá e a sua curta e trágica estadia na liderança dos destinos do país ter acabado com a fuga de um Primeiro-Ministro, uma Ministra de Estado que se recusou assumir o cargo de chefe de governo e um deficit astronómico (sem BPN e crise financeira à mistura).

O interessante é que os eleitores estão a fazer o seu raciocínio normal e cego. Estão a acreditar na lengalenga destes senhores. Não tenho dúvidas que vão, no futuro e assim que tiverem que votar, irão escolher trocar o Sócrates do PS pelo Sócrates do PSD com ou sem Paulo Portas a reboque. Este último irá, certamente, aproveitar para comprar mais uns submarinos e tanques para o país.

Acusa-se os políticos de andarem sempre a trocar os lugares entre si. Mas então quem é que os põe lá? A solução para os problemas está nas mãos dos eleitores portugueses. A eles caberá resolve-los ou não.

Four Chord Song

Se pensavam que as músicas são originais, aqui fica a prova como desde os Beatles até Lady Gaga é tudo a mesma coisa. Maravilhem-se!

Total Eclipse of the Heart: Versão literal

Para alívio cómico do presente.


Mais austeridade? Certamente!

Vejo com espanto os espantados e revoltados com o governo por este estar a aplicar mais medidas de austeridade. Mas alguém suspeitava que isto fosse acontecer?

Quando não se corta nas despesas supérfluas, quando não se fazem reformas na atribuição de reformas, quando não se cortam nos gastos de órgãos do Estado como a Assembleia da República, quando se insiste em sustentar uma hoste de funcionários públicos sem se saber bem onde há falta deles e onde os há a mais e, sobretudo, sem saber que rentabilidade é que os serviços têm, medidas como estas seriam apenas uma questão de tempo. Não se entenda isto contra um ataque ao funcionalismo público. Quem julga que um país funciona sem ele está enganado mas o funcionalismo público tem que ser bem administrado e tem que mostrar trabalho. Não adianta mudar as coisas no papel se na prática elas ficam iguais.

O governo, seja este ou um futuro do PSD, tem muitos amigos a quem importa pagar o dízimo e por isso não corta onde deve. Hoje há subsídios para tudo e para todos sem se pensar naqueles que são necessários para o crescimento económico e aqueles que são para, artificialmente, manter empresas e tachos. Continuamos a pagar um RSI que insiste em não apoiar quem precisa e, pior, insiste em premiar uns quando preguiçosos. Continuamos a sustentar umas EFAs e CEFs que, salvo as devidas excepções, mais não fazem que premiar também os marginais e os chicos-espertos.

Podia continuar mas não é preciso. Os diagnósticos estão mais que feitos. O problema é que nada se faz para os resolver. A questão que importa aqui colocar e que já antes referi é a seguinte: mas quem é que tem posto lá os políticos? Será que eles se nomeiam uns aos outros e ninguém me informou? É óbvio que não. Eles são eleitos. São os mesmos que agora se queixam dos seus líderes que os puseram lá. Puseram e vão por. Repare-se que se quer tirar de lá Sócrates para por Passos Coelho. Mas então expliquem-me uma coisa. Não votou Passos Coelho ao lado de Sócrates nesta treta toda de austeridade? Não é este líder deste partido político que, depois de muito espumar para as câmaras, numa reles tentativa de marcar a diferença, vota ao lado do PS de Sócrates? Não é este partido e este senhor que responsabiliza o PS pelas portagens nas SCUTs, por exemplo, mas quando questionado se vai acabar com elas diz que não? Mas andamos aqui a brincar ou será que o intelecto dos portugueses é diminuto suficiente para apenas perceber uma telenovela ou um jogo de futebol?

Um partido que apoia quem está a governar em tudo e mais alguma coisa não será, certamente, a solução. Por isso pergunto: querem tirar o Sócrates para pôr o seu irmão gémeo laranja e depois ficam espantados por os resultados serem os mesmos?

Como alguém disse: "Insanity is doing the same thing over and over again but expecting different results." (Insanidade é fazer a mesma coisa vez e outra vez e esperar resultados diferentes)

Confiança nos jovens


Cavaco Silva, bem como muitos da sua geração, fartam-se de dizer que têm confiança nos jovens. Pois é bom que tenham já que não lhes resta outra alternativa. Depois de terem passado os últimos 40 anos a darem cabo do país, só resta ter confiança nos jovens. Se não forem os mais novos a reparar os excessos e incompetência de pais e avós, quem é que lhes irá pagar a reforma?

Cavaco sabe bem disso. Sabe que, com a idade que tem e depois deste anos todos na política, empurrou para geração dos seus filhos e, sobretudo, netos o ónus de reconstruir o país. Sabe também que serão estes mesmos que, para além de acarretarem com os seus erros, lhe pagarão os luxos da sua velhice.

Posto isto e com o tempo a fugir-lhes por entre as rugas e cabelos brancos, que remédio têm eles em terem confiança nos novos. Com tanto desvarios que eles fizeram, raios é se os novos se lembram de continuar no mesmo caminho do despesismo e luxuria! Lá se lhes vão as reformas e mordomias. Por isso, é bom relembrar aos jovens, sempre que possível, que vão ser eles a ter de limpar a "caca" que os pais e avós lhes deixam, a bem da nação, ou pelo menos, das suas reformas.

Engraçado seria mesmo se os filhos e netos resolvessem virar-se para os seus progenitores e lhes dissessem que, se vocês não souberam assegurar o nosso futuro, não seremos nós a assegurar o vosso. E com isto se recusassem pagar-lhes as reformas, saúde e tudo o mais. Nessa altura queria ver se ainda teriam tanta confiança no futuro do país nas mãos desses jovens.