Sobre a TAP e dos bananas de Portugal.



A questão da TAP está a levantar um problema mais grave do que aquele que é criado pela própria companhia. Falo da apatia e alheação das pessoas para tudo o que é importante. Num país onde as pessoas comentam e preocupam-se mais com o jogo Porto-Benfica não admira que, quem pode faça tudo o que quer em seu favor e dos seus amigos. 

Só num país de bananas (sim de bananas pois cada vez mais acredito que os portugueses são uns bananas) é que alguém pode achar uma companhia com capitais públicos pode fazer os negócios ruinosos que quiser que depois o contribuinte paga. Só num país de bananas é que uma empresa pode ter 50% de capitais públicos mas o serviço público e o interesse público não tem direito a exigir que se zele pelo que é um investimento de todos. Só num país de bananas é que pode aparecer alguém (geralmente do sul - leia-se Lisboa) a achar que um país pequeno tem de ter tudo concentrado num único local. 

A região que mais exporta e, portanto, que mais riqueza traz ao país é a região que, paradoxalmente, mais desrespeito tem (lembre-se o Red Bull Air Race). Também inacreditavelmente, é nesta região que se vê o porquê de Lisboa poder explorar e viver às custas do país. Em vez de se unirem em torno de uma causa de é da região inteira, não. Em vez disto, dos autarcas da região, nem uma palavra, nem mesmo daqueles onde o Aeroporto está situado (Maia e Matosinhos). Dos bananas do povo, ou estão calados e com mais atenção ao futebol ou, pior, acham que isto é tudo um problema do Porto e que, como o aeroporto não está no seu quintal, que isso não lhes afecta e é tudo mais uma manobra centralista mas a Norte. 

Percebe-se bem porque é que o país é pobre, sobretudo, pobre de inteligência e espírito. 

Um país de bananas que não consegue perceber que é o seu dinheiro que está usurpado. Que não consegue perceber que o problema não é a TAP sair ou ficar. Que o problema é o abuso do dinheiro dos contribuíntes. Se a TAP for 100% privada, que faça o que quiser. Se for à falência, azar o dela e dos bananas que lá trabalham que também só sabem fazer greves quando lhes vão ao bolso. Mas a TAP não é 100% privada. A TAP continua a viver de dinheiros públicos. Pior, a TAP está a ser usada por privados, não para seu benefício (da TAP) mas para benefício de outras companhias privadas estrangeiras (nem Europeias são, sequer). 

Por estas razões, que se contínue a roubar. Quando se falar que o Estado lá vai por mais uns milhões, também não há problema. Sobe-se o IVA e o problema está resolvido. O Português, claramente que gosta de ser pobre, explorado e medíocre. Se assim o é, deixe-se ser. Não venham é depois protestar que os impostos da gasolina estão muito altos. Que o IVA está altíssimo ou que se paga muito de IRS. Se querem pagar menos, passem a exigir responsabilidade a quem administra e gere o dinheiro que é de todos. Enquanto não fizerem isso, continuarão a ser uns bananas.

Preconceito disfarçado de opinião.

Sobre a adopção gay por José Miguel Tavares

Já há muito tempo que deixei de ler este fulano pois sentia-me sempre um pouco mais estúpido no final. Isto porque os argumentos que usa para justificar as suas posições provocam uma hecatombe na minha cabeça (onde os meus neurónios assumem o papel das reses sacrificadas).

No entanto, numa onda masoquista, decidi arriscar e ler outra vez. Não saí desiludido, apenas com menos umas quantas centenas de neurónios.

O argumento de que é preciso mais debate para este assunto (e do aborto também - dois referendos não são, aparentemente, suficientes para um amplo debate) é verdadeiramente fascinante. Já se anda a debater esta questão há mais de 10 anos. Não sei quanto tempo mais de debate é que esta gente acha adequado e apenas posso interpretar este argumento como hipócrisia e demagogia feita para esconder ou disfarçar a verdadeira razão: preconceito e homofobia.

Em cima disto, há também os casos reais onde crianças já são criadas por casais do mesmo sexo e não há indicações que os petizes estejam a sair ou já tenham saido mentalmente desiquilibrados. Mesmo que assim fosse, então estes casais estariam apenas a seguir o exemplo dos casais de sexo diferente, os quais são peritos em perturbar as crianças - se assim não fosse, não haveria necessidade de recorrer tanto a psicólogos e psiquiatras com os petizes.

Temos ainda os inúmeros pareceres científicos onde é claramente dito que não há diferenças de comportamento (salvo, porventura, a menor quantidade de preconceito na cabeças dos putos) entre crianças criadas por casais heterossexuais ou homossexuais.

O melhor de tudo é quando dizem que é necessário salvaguardar o interesse da criança. Certamente. Nesse caso, sugiro que se proiba a adopção. É que, olhando bem para a coisa, quando um casal heterossexual vai adoptar não vai a dizer: eu nem quero ter crianças, mas vou fazer esse enorme sacrificio para que uma delas possa ter uma vida melhor. Por favor, poupem-me. O raciocínio da adopção é um raciocínio egoista. Os candidatos a adoptantes querem adoptar por ELES querem ter uma criança. Isto é válido para casais heterossexuais, casais homossexuais e pessoas singulares.

Toda esta argumentação é da mais profunda hipócrisia e só mesmo o preconceito e ignorância juntos permitem que alguém diga semelhantes coisas. Acho interessante quando se argumenta a necessidade da criança ter uma figura masculina e feminina para um bom crescimento. Ora bem, então se isso é impedimento, então a lei da adopção tem que ser imediatamente revista. Tem que se retirar da lei a possibilidade de pessoas singulares poderem adoptar. Não se pode permitir também que só haja um pai ou uma mãe. No caso de pessoas solteiras com filhos, há que lhes obrigar a terem acompanhamento psicológico para a criança ou, simplesmente, retirar-lhes a prole.

Este argumento da necessidade de figuras de ambos os sexos é tão fraco que só mesmo a tentativa de disfarçar preconceitos justifica o seu uso.

Refugiados e variações de solidariedade



@Leça-palmeira.com Câmara de Matosinhos procura edifício para acolher refugiados.

O que me chateia no meio disto tudo é que foram a França, o Reino Unido, os EUA e a Rússia a dar cabo da Síria (e não só), permitiram que um país caisse numa guerra cívil onde não se sabe bem quem é que está contra quem ou quem são os "bons" ou os "maus".

Foi a Alemanha que, na sua cegueira e auto-interesse, forçou a ruína da Grécia e sofocou a Irlanda e Portugal sem nunca ter pensado naquela coisa que, aparentemente agora descobriram: solidariedade. Foram todos estes países que arruinaram a Ucrania num jogo de interesses que não se percebe bem quem é que ganhou o quê.

No final, depois de terem todos brincado ao "quem é que tem a pila maior", e de não terem chegado a conclusão nenhuma, olharam para cima e repararam que tinham uma catástrofe nas mãos. Uma vez mais, recusam-se a assumirem as suas responsabilidades e atiram para os outros a tarefa de lhes resolverem a situação. O curioso é que estão agora a exigir ajuda daqueles a quem eles sempre recusaram ajudar; aos mesmos a quem eles acusaram de serem preguiçosos, ladrões, caloteiros e por aí fora.

A ajudar tudo isto, juntam-se os países vizinhos, aqueles que nadam em rios de petro-dólares, os quais, não só não mostram interesse em promover a resolução dos problemas da zona, como ainda não se ofereceram para receber nem um dos seus irmãos de Fé. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar ou Kuwait  desviam a cara para o lado. Percebe-se, a Fé, o Islão é uma arma de arremesso político para eles e não um acto de fé ou crença.

Conclusão, quem nada tem que ver com estes problemas, Portugal e Grécia, por exemplo, ambos com sérios problemas criados por anos de prostituição económica, promovida pelos chulos locais para satisfazerem os seus próprios interesses e os dos seus mestres internacionais, vão ter que puxar dos cordões à bolsa e demonstrar solidariedade. Cá, em Portugal, não há dinheiro para salários, não há dinheiro para a Educação, não há dinheiro para a Saúde mas vai haver dinheiro para isto. Ouvi dizer que a UE vai dar dinheiro para isto o que, se sempre se concretizar, não deixa de ser engraçado. Quando Portugal "precisou" de dinheiro, e a Grécia também, foi-nos cobrada uma taxa de juro bem interessante pela "UE" e só nos foi dado se fizessemos o que eles queriam. Qual solidariedade, qual carapuça!

Talvez fosse uma boa altura para relembrar a UE, em especial alguns países, que foram eles a criarem todos estes problemas, como tal, eles que os resolvam. Se querem a nossa ajuda, muito bem, mas ela tem de ter um preço tão alto como aquele que nos cobraram para nos "ajudarem". E, talvez fosse também boa ideia perguntar à ministra Austríaca onde estava a solidariedade do seu país quando outros precisaram.

De volta por um momento



Venho apenas aqui, e muito rapidamente, pedir desculpas pelos comentários que foram enviados e que não foram publicados (a tempo). Não tive tempo de ler todos (ainda) mas já os publiquei. 

Bolas! Já cá não vinha há uns tempos. A vida muda, dá umas cabalhotas e, sem darmos conta, estamos a revisitar sitios antigos. :) Hoje dei por mim a vir aqui e, para meu espanto ainda tinha uns quantos comentários para aprovar a postos ja bastante antigos. 

Talvez, muito discretamente, passe a cá vir para postar de vez em quando. :)

Por isso, deixo apenas um até já. 

Malditos socialistas!

A imagem não é da autoria deste blogue.


Malditos socialistas! São uma praga! Aumentam impostos, não controlam a despesa, só fazem negócios para os amigos, têm gente que é, inclusive, apanhada em escutas... Esperem, esperem... Mas é de Socialista que falamos ou da direita e dos Sociais-Democratas e Democratas-Cristãos? E não foi, também, Passos Coelho apanhado agora em escutas?!  

Curioso... Mas então, se assim é, que é feito de tantos revolucionários que insultaram o anterior PM, passaram meses e semanas a injuriá-lo, que espalhavam um ódio de morte a Sócrates e que diziam que era preciso tirá-lo de lá a todo o custo? Onde anda essa gente agora? Ah! Já sei! Nas manisfestações contra a austeridade! Então e agora não pedem para que este governo seja retirado de lá a qualquer custo também? 

De facto, há gente que está mesmo bem para o(s) partido(s) que apoia. Enquanto estiveram na oposição, PSD e CDS não tiveram medo de criar por TRÊS VEZES crises políticas, DUAS das quais os levariam ao poder.

Das DUAS VEZES que por lá passaram só fizeram asneiras. As finanças não foram controladas, os impostos aumentaram e a economia não saiu do sitio (desta última vez, até está mesmo a andar para trás).

Da primeira, o Primeiro-Ministro transformou uma crise financeira do Estado em crise económica do país, vendeu o país à Europa e depois... Fugiu. Estavam a fazer um trabalho tão bom que, depois da fuga do líder, ninguém no Governo ou na AR quis ficar-lhe com o lugar, incluindo Manuela Ferreira Leite, número dois do governo da altura e vice-presidente do PSD. Para além do descontrole das finanças, da expoliação de património do Estado (de todos nós, portanto) abriram uma crise política (a segunda) com a fuga do PM e ninguém a querer saltar para o poleiro. Deixaram ir para lá outros. Esperaram até ao momento certo, até ao momento em que já havia hipótese do caminho que haviamos de tomar.

Nesse momento, em plena crise económica e financeira (criada pelas políticas do governo PSD/CDS de Barroso, Ferreira Leite e Portas) não houve medo de levar o país a outra crise política (a terceira) e, depois de fazerem outros (PS) darem a cara por um acordo que todos (PS, PSD e CDS) assinaram, fazem cair o governo e saltam eles para o poleiro.

Agora que lá estão, que o acordo está assinado, que o caminho está traçado, isto é, que não há volta a dar esteja quem estiver no governo, dizem que uma crise política é o pior que pode acontecer ao país. Pois, percebe-se! Sâo eles que lá estão agora e não os "outros". 

E no meio disto tudo há os que os apoiaram insultando tudo e todos que não estavam do seu lado. Os que, numa regressão psiquica à sua infância, ressuscitaram o medo do Comunismo/Socialismo do Leste devorador de criancinhas e sufocador de liberdades. Bem-vindos, de novo, aos 50s, 60s e 70s!

No final, depois de criarem o medo da Esquerda, estão a deixar que seja a Direita, ou seja, o Santo Milagroso do Capitalismo à estilo século XIX adaptado à modernidade, a devorar-lhes os direitos, os salários, a educação, a saúde e a transformá-los em escravos... Ao invocarem o medo de "outros" caiu-lhes algo pior em cima. A vida é, de forma irónica, justa! 

Só se colhe aquilo que se semeia e quem semeia ventos, colhe tempestades.

De volta, por momentos...

Desde há muito que aqui não venho, que aqui não passo sequer os olhos. A falta de vontade de aqui vir não se prende com vergonha do que aqui disse ou de desprezo por este meu espaço e por quem aqui veio. Precisei e preciso de interlúdio disto. Havia e há coisas que me prendem mais do que vir aqui. Há alturas na vida em que temos que pensar e tal implica afastamento. Infelizmente, com a carrada de problemas que o país tem, neste momento, é-me impossivel distanciar desta cruel realidade.

Assim sendo, volto aqui para umas breves considerações. 

Quem se der ao trabalho de reler o que antes aqui disse, poderá constatar que, a errar, não falhei por muito. Avisei que uma mudança de governo, por muito que fosse necessária, viria na altura errada e, a mudar de Sócrates para Coelho, iria ficar tudo na mesma ou pior. O resultado está à vista. Quem tiver olhos na cara tirará as devidas conclusões.

Os professores estão melhor agora do que estavam com Sócrates? Não me parece. O país está melhor hoje do que com Sócrates? Também não. Conclusão, valeu a pena trocar um trauliteiro por outro do género? Não respondo. Parece-me óbvia a resposta.

Também aqui disse que a subida de impostos não iria resolver os problemas. Disse, várias vezes, que a subida de impostos iria levar apenas a mais impostos pois, numa economia que não cresce, taxar os rendimentos e actividade económica para a mão de uma instituição apenas leva a menos crescimento. Hoje vivemos a realidade do que eu tinha previsto. 

Depois de um primeiro aumento de impostos, seguiu-se um retrocesso económico. A solução do governo: repetir a receita, ou seja, novo aumento de impostos. Hoje volta-se a repetir o mesmo. Esta semana ouvimos o Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças a fazerem de todos os cidadãos desta República asnos. Como o déficit não foi cumprido porque a economia andou para trás, vai-se aumentar de novo os impostos justificando que serão estas medidas que iriam trazer crescimento económico. Qualquer mentecapto com dois neurónios comunicantes entre si consegue perceber que repetir a mesma coisa vezes sem conta, certamente, não irá trazer resultados diferentes.

E podia continuar nesta veborreia durante o resto do dia e o posto ainda não teria acabado. Que quero então eu dizer? Que fui um visionário? Não, até porque se fui, não fui exclusivo pois qualquer pessoa séria com dois dedos de inteligência conseguia prever isto. Quem se deixou levar pela cegueira de um ódio a um certo senhor, arrastou o país de uma situação financeira grave para uma catástrofe económica como já não havia memória. Não fui o único a avisar. Houve mais. Fomos poucos. Poucos e claramente abafados e incompreendidos.

Hoje, o país acorda para a realidade. Hoje os votantes e abstencionistas são confrontados com a dura realidade das suas decisões. A culpa de estarmos onde estamos não é deste governo. Não é sequer do governo de Sócrates como ainda ouço falar. A culpa de estarmos onde estamos é da sociedade portuguesa que anda a dormir e que vota em toda a merda que lhe aparece pela frente.

Agora que luz ilumida a cegueira de muitos, agora que se vislumbra uma quebra da apatia e letargia social espera-se também que se tenha aprendido com os erros do passado. Espera-se que, como na Islândia, por exemplo, se exija responsabilidade a quem governa e a quem se propõe governar. Espera-se também que, na hora voto, não se vá trocar um Coelho por um Seguro pois será mais do mesmo. Espera-se, sobretudo, que não se tomem mais decisões sem o uso da consciência e razão das quais temos uso fruto (sem imposto).

Ao acordar, espero eu, que os membros da sociedade desta República não escolham viver noutro pesadelo.