A culpa é sempre do vizinho...





Parece-me ilógico, insensato e, até mesmo, irresponsável dizer semelhante coisa até porque não nos podemos esquecer dos maus professores. Não adiante negar esta evidência. Eles existem. Eles andam aí a dar aulas a fingir que sabem. Professores, do público ou privado, há que teriam mais vocação para padeiro ou merceeiro do que para transmitir conhecimentos, seja a quem for.

Negar isto, é negar a realidade e, consequentemente, andar sempre a tratar de não-problemas e falhar em resolver os verdadeiros problemas do Ensino em Portugal.

Quero dizer com isto que a culpa é inteiramente dos maus professores que por aí andam a conspurcar a profissão e mentes de alunos? Não! Obviamente que não e quem ousar tal dizer das minhas palavras acusarei de má-fé, falta de seriedade e, se calhar, ainda acusarei de se ter sentido atingido pessoalmente.

Escusar-se-á também de tentar inferir que estou a querer dizer que a maioria dos Professores é notoriamente incompetente. É mesmo escusado até porque recuso essa ideia por completa. Que há maus professores, há. Que eles são mais do que é aceitável ou tolerável? Sim, isso também se pode dizer que digo. Se digo que são todos ou que estes são a maioria? Não!

Este problema de docentes inaptos a leccionarem é um dos problemas do Ensino. É um problema grave que importa resolver, tal como importa resolver os "outros". Negar este é mentir, antes de mais, a nós mesmos. É negar a realidade ou desconhecer por completo o que se passa para além do seu jardim.

Os problemas só se resolvem quando encararmos a realidade. Quando formos honestos, em primeiro lugar, connosco.

Mais acrescento: a frase acima transcrita, quer dizer (inadvertidamente, quero eu pensar) que os alunos são, por defeito, mal comportados e preguiçosos. Também os há, é certo. Contudo, implicar que são todos ou a maioria é, no mínimo, intelectualmente desonesto, isto para não dizer mesmo insultuoso.

Num momento em que tudo e todos mentem descaradamente, importa que se evite ao máximo este género de demagogias. A honestidade e a capacidade para encarar a realidade são, cada vez mais, cruciais para o sair de toda esta merda em que nos metemos e nos meteram.


6 comments:

Anabela Magalhães said...

O texto não é meu, Elenáro. E se concordo, genericamente com ele, para mim a explicação do insucesso dos alunos está para além dele. Porque é múltipla e muitas vezes desenha-se desde o nascimento. Maus tratos, contexto familiar disfuncional, desfavorecimento económico e cultural, maus professores... e também culpas dos próprios alunos porque, sem dúvida, a indisciplina dentro da sala de aula condiciona negativamente as aprendizagens dos próprios e dos outros.
beijocas

Anabela Magalhães said...

Imediatamente antes da frase que transcreveste diz-se isto:
"Esta parábola antiga evidencia aquilo que é fundamental para que a aprendizagem aconteça: um lado a ensinar e outro a aprender. Quem não quiser, ou não tiver condições à partida para fazer uma determinada aprendizagem, não a fará. E nesse caso não se podem apontar culpas a quem ensina. Ora, este é o grande drama do ensino na atualidade. Os alunos não são burros, mas se a sua atitude não for a adequada face à aprendizagem, também não aprenderão, e isso não quer dizer que o professor não esteja a cumprir o seu papel. Por vezes ouve-se de alguns alunos e de alguns pais (e não só) que os professores não ensinam. Seria importante que tivessem esta parábola em mente."

Vitor M R Pinto said...

As crianças ou adolescentes só se portam mal, porque não há gente competente e que saiba tomar conta delas. Como em tudo na vida, quem se sabe dar ao respeito é respeitado. Agora os professores que deixem de ser uns parôlos armados em betinhos com a puta da mania que são a 'nata' da sociedade do conhecimento.

E aproveito um abraço grande meu amigo :)

Elenáro said...

Anabela,

Eu pus o link para o blogue original. :) Simplesmente disse que o vi através do teu blogue. ;)

E eu concordo 100% com o que dizes mas acho que o post não diz isso. Acho que o post quer truncar a realidade. Pode ter sido algo inadvertido. Mas que o trunca, trunca. ;)

Beijokas!

Elenáro said...

Vitor

Vá não sejas mauzinho! :P

Depois dizes que ninguém te curte e que tens de ir embora do país! XD

Com um mau feitiozinho desses! :p

Um grande abraço de terras lusas! XD

Em Janeiro já pomos a conversa em dia! ;)

Vitor M R Pinto said...

Meu querido amigo, quem quiser a continuar a viver no mundo como se a realidade não existisse, temos pena se eu sou realista. Sabes que eu digo e vivo o que penso, e não sou de ideias feitas, porque Deus deu-me um cérebro.
Tu sabes que o comentário não é direccionado a Ti nem para Ti, mas a um conjunto de gente insolente.
E se alguém tem dúvidas do que digo, perguntem aos vossos avós se o que eu escrevo não é a mais pura da realidade: só é respeitado quem se sabe dar ao respeito.

Abraço forte my dear friend, I have a lot of 'Saudade'.