The Last Airbender - Comentário de Roger Ebert

Porque há maus feitios que têm de ser partilhados...

The Last Airbender is an agonizing experience in every category I can think of and others still waiting to be invented.
- Roger Ebert in Metacritic

Portugal terceiro país que mais cresceu no primeiro trimestre - Economia - DN

Portugal terceiro país que mais cresceu no primeiro trimestre - Economia - DN

Percebe-se porque anda tanto Espanhol e Europeu preocupado com os negócios de Portugal. Começam a temer a concorrência, se calhar com razão. Afinal, este recanto à beira-mar plantado, com 1000000 de almas governou o mundo durante 100 anos e só perdeu o lugar por estupidez própria. Também não vamos esquecer que, dos impérios da era moderna, o Português foi o primeiro a fundar-se e o último a cair. Imagine-se só o pânico dos europeus verem um Portugal com força a nível internacional... Aliás, imagine-se o terror de Espanha de ficar encurralada entre os Pirenéus e uma economia pujante.

Fernando Sobral e a PT/Vivo vs Telefónica

Porque me pareceu sentir um certo eco decidi publicar aqui o artigo de opinião de Fernando Sobral no Jornal de Negócios.

No meio do teatro de sombras em que se transformou o negócio PT/Vivo/Telefónica, o Governo espanhol achou que a Portugal estava reservado o papel de D. Quixote, o cavaleiro que não distingue a ficção da realidade.

Os ministros Miguel Angel Moratinos e Elena Salgado e a Telefónica, transformaram--se em anjos impolutos, escrevendo o argumento. José Sócrates entendeu tarde demais o verdadeiro dilema da PT, entretido com o assalto à TVI numa lógica que um dia será melhor explicada.

Não se preparou, estrategicamente, para o que a Espanha queria e, por isso, a sua reacção foi tardia e disparatada. Mas talvez esteja a tempo de recuperar o equilíbrio político. A sua entrevista ao "El País" mostra um renovado Sócrates que sabe separar o trigo do joio. E que entende o que efectivamente está em jogo, enquanto que atrás das cortinas se continuam a inventar cenários para que tudo pareça um conto de fadas.

O Governo espanhol e a Telefónica, tão amigos das regras de mercado, sabem o que fizeram à alemã E.on quando tentou entrar em Espanha. E sabem como Berlusconi despachou a Telefónica quando esta estava tentada pela Telecom Itália. As leis do mercado têm diferente valor em diferentes épocas.

Mas a ideia espanhola foi genial e lembra quando Maquiavel, para comemorar as vitórias de Florença, comissionou um mural em conjunto a Leonardo Da Vinci e a Michelangelo, sabendo que ambos se odiavam. Conseguiu dividir o poder político e o económico português, enquanto acenava com o cheque.

Agora resta saber quem aplicará o xeque-mate.


Para ser franco, já não me lembrava da história da E.on... Ou seja, os Espanhóis são muito rápidos a correrem que outros lhes entrem no país mas fazem birra de criança quando são impedidos de fazerem o que bem querem. Pior que isto é o facto de que, em Portugal, há sempre quem lhes dê a mão para aniquilarem a concorrência. Não digo isto por questões de interesse nacional. Digo isto por questões de interesse da PT.

Mas, na realidade, se se extrapolar isto para um plano histórico-nacional percebe-se facilmente porque foi tão fácil a Filipe II de Espanha tomar conta do então Reino de Portugal. Infelizmente, os Portugueses têm nos seus genes esta propensão para se traírem a eles próprios, seja a nível politico-nacional seja a nível económico das empresas para as quais trabalham ou, ainda mais caricato, das empresas que são donos.

O que começou na antiga Lusitânia com Viriato e que se repetiu na União Ibérica voltou a acontecer aquando da entrada de Portugal na CEE e volta agora a acontecer, aos olhos de todos, com a PT.

Estou convencido. O grande mal de Portugal é ter muitos portugueses!

Ainda a PT, Vivo e Telefónica

Já tinha falado disto aqui mas não resisto à tentação de transcrever isto do PUBLICO.PT:


O primeiro-ministro explica ter usado a “golden share” a pensar “nos interesses estratégicos da PT” e lamenta que a Telefónica “não tenha negociado com a direcção da PT especialmente tendo em conta a própria história da Vivo, que “começou com um investimento da PT no Brasil, numa decisão estratégica que então foi muito criticada, em 1998”. “Mais tarde a PT convidou a Telefónica a ser sua parceira com 50 por cento. A Telefónica não tem o direito natural de tomar o controlo da Vivo”, afirma, adiantando que respeita a posição do presidente executivo da PT, Zeinal Bava, de discordar do uso da “golden share”. 

 - in Público
Domingo, 4 de Julho de 2010.

A tramóia e má fé vindas do lado de Espanha e os comentários dos vários cantos deste planeta ficam mais a descoberto com o desvendar (se bem que, quem está atento e tem memória para mais do que futebol se lembrará) destas pequenas histórias. Aliás, em relação aos comentários, estes só demonstram a estupidez e xenofobia perante o país que abriu as portas do mundo para que, os que hoje acusam Portugal de colonialismo, fundassem os seus próprios impérios, sabe Deus como. 

A Telefónica, enquanto agiu com falta de visão e, possivelmente má fé, na altura em que foi convidada a entrar no capital da Vivo. Hoje voltou a agir de má fé quando tentou fazer o negócio da galinha dos ovos de ouro por trás da direcção da PT e do Estado Português. Não se trata de um nacionalismo ridículo da minha parte, antes trata-se de expor o ridículo nacionalismo e xenofobia vindas ali do leste da Península Ibéria. Os Espanhóis sempre conviveram mal com um Portugal próspero ou que lhes pudesse fazer concorrência. Nos dia de hoje é com a economia que convivem mal. Uma PT bem sucedida e em crescimento incomoda fortemente as hostes, estas sim colonialistas e neo-imperiais, de Espanha. Ao fim ao cabo, se deixaram a PT crescer num mercado como o do Brasil, não tardará a que esta seja uma ameaça aos interesses da Telefónica do lado de cá do atlântico. 

Infelizmente, como disse anteriormente, os investidores e accionistas Portugueses mostram a falta de visão que têm, vendendo-se por meia dúzia de tostões esquecendo os milhões que poderão ganhar no futuro. Enfim, embora esteja a criticar a atitude Espanhola, de facto, devia era criticar primeiro as decisões do lado de cá, pois aí encontra-se a verdadeira causa da situação lamentável deste matagal à beira mar plantado, a que deram o nome de Portugal.

PT, Vivo, interesse nacional e estrangeiro

Antes de começar a escrever sobre o assunto em causa, peço antecipadamente desculpa pela tamanho exageradíssimo do post. Peço também a paciência dos leitores para esse facto.

Entre ontem e hoje tenho ouvido as coisas mais fantásticas vinda cá de dentro e de lá de fora face à atitude do governo na questão da Telefónica vs Portugal Telecom na questão da Brasileira Vivo.

Repare-se nos seguintes títulos do Público.


E para variar, a notícia menos melodramática da BBC News mas que revela bem o que realmente se passou aqui. Podem consultá-la clicando aqui.

Agora o que tenho eu a dizer sobre isto. De uma forma curta o governo tomou a decisão correcta se bem que poderia ter negociado pelos bastidores uma solução que evitasse usar a golden-share mas, mesmo assim, a decisão foi a correcta e só o PSD, de quem os amigos ficaram chateados pela acção do governo, veio agora fazer choradinho para TV por não lhes terem dado o rebuçado.

A Vivo é de extrema importância para a PT pois, como diz a noticia da BBC, encontra-se no único sítio para onde as empresas de telecomunicações podem crescer nos tempos próximos. Para além disso, a Telefónica viu as suas tentativas de expansão para a América do Sul goradas pela France Telecom há uns tempos atrás e os investimentos que lá tem agora, segundo percebi, não estão a dar os frutos esperados. Pelo contrário a Vivo representa uma nova oportunidade de expansão servindo ao mesmo tempo para compensar outras barracas da companhia de nuestros hermanos. Caso a PT venda a Vivo ficará confinada ao mercado nacional, ou seja, deixará de ser concorrente seja para quem for, especialmente para a gigante Telefónica. Ao contrário, se a PT mantiver a Vivo será uma importante e talvez perigosa adversária para companhia espanhola.

Mas, análise económica à parte, olhemos para a parte política da coisa que é onde afinal as birras estão concentradas. O FT, britânico, fala em colonialismo. Mas colonialismo de quem? Será que os britânicos não têm espelhos? Quem é que mantém um monarca que é chefe de estado de meia dúzia de países só para a figura? Quem é que mantém uma coisa chamada Commonwealth que nada mais é que uma extensão de um antigo império? Quem é que, na década de 80, declarou guerra a outro país por causa de dois calhaus no outro lado do mundo sem qualquer relevância para além da histórica e nacional? Quem é que mantém um outro calhau chamado Gibraltar sob o seu controlo? Quem é que impede que o problema da Irlanda do Norte se resolva de uma vez por todas? A não ser que a história me engane, não foi Portugal.

O governo espanhol também se mostrou muito chocado com esta golden-share. Mas afinal não são eles que são contra o intervencionismo do estado na economia? Para que precisam então de vir ao socorro da Telefónica? Pois... Pergunta estúpida de facto quando a resposta é tão óbvia. O problema do governo espanhol e de Espanha em geral, não é a golden-share. O problema é que não os deixaram fazer o que bem quiseram naquilo que eles vêm como uma província renegada do seu país. O FT falava em colonialismo. Se calhar falava bem até, errando apenas o alvo. Espanha faz a vida negra aos investimentos Portugueses nas suas terras. O mesmo não se passa ao contrário. Os investimentos espanhóis foram recebidos de braços abertos durante décadas e só nos últimos tempos, face ao claro desequilibro é que se tem visto um pouco mais de mal estar perante os mesmos.

Relembro algo que li à pouco num comentário no Público. Ainda se lembram os nossos vizinhos Espanhóis quando a EDP foi proibida de ter uma posição maioritária na Iberdrola? Lá está, o vector é o mesmo mas só pode ter uma direcção que é do grande para o pequeno.

A triste parte disto tudo é que, na Europa, os países todos fazem isto. É certo que as empresas portuguesas estão pouco habituadas a competir a nível internacional por incompetência de quem nelas manda. Mas também é facto que, no mercado Europeu só as grandes empresas dos grandes países têm força para fazerem essa competição pois as outras esbarram nos entraves legislativos e políticos, se calhar, até mesmo sociais, das diversas nações que se dedicam a impedir o livre investimento especialmente dos pequenos para os grandes.

No meio disto tudo, aparece a Santa Comissão a dar os seus dois cêntimos. Falando apenas quando estão em causa os interesses de França e Alemanha. Repare-se que, se fosse a PT a comprar uma grande empresa Alemã e o governo Alemão usasse uma coisa do género da golden-share, já não seria a ela que estaria em causa mas sim apenas uma questão de livre concorrência a qual, depois de procedimento judicial iria redundar em nada.

Esta comissão também é sempre bastante rápida a condenar Portugal mas bastante lenta a defendê-lo. Após termos vendido as nossas pescas aos Espanhóis, a nossa agricultura a Franceses e de nos prostituirmos economicamente a Alemães, não falando também nas belissimas praias que alugamos a Ingleses, seria de esperar que pensassem um pouco mais no bem estar de quem cá vive e no futuro deste matagal à beira mar plantado. Em vez disso, a comissão e os grandes da Europa, dedicam-se, cada vez mais, a usurpar o trabalho e investimentos dos outros não lhes dando hipóteses de fazerem concorrência. Ainda têm a distinta lata de levarem empresas como a Microsoft a tribunal por ela fazer aquilo que eles fazem aos outros.

No final, resta perguntar à comissão e aos Europeus destes países porque podem eles fazer o que querem e lhes apetece para defenderem os seus interesses, legalmente ou não e Portugal é sempre privado de o fazer?

Contudo, nada disto teria chegado a este ponto, e agora chego ao ponto crucial deste circo todo, se os empresários portugueses fossem dignos desse nome e não apenas uns patéticos capitalistas, cujo único objectivo é a acumulação de unidades monetárias a qualquer custo. Repare-se que, os grandes accionistas, em vez de verem as coisas a longo prazo, no qual a Vivo seria uma mais valia para a PT, decidiram ficar deslumbrados pelo pornográfica quantia de dinheiro oferecida pela Telefónica. Vieram dizer que era um grande oportunidade para a PT. Pois, erraram. Era uma grande oportunidade para os seus próprios bolsos isso sim. Para a PT seria a perda de um grande activo de expansão e crescimento futuro. Infelizmente, em Portugal, a ganância é associada à falta de visão dos grandes decisores os quais acabam, no fim de tudo, por não serem mais gestores de mercearia a quem o dinheiro hoje importa mais que o investimento amanhã.

Estes são os verdadeiros culpados da situação na PT. Quem lá manda, usa uma empresa que não construiu para enriquecer esquecendo-se do desenvolvimento da mesma. Lembram-se quando Belmiro de Azevedo quis comprar a PT? Lembram-se das pornográficas quantias que se ofereceram aos accionistas para evitar tal coisa? Era o futuro da empresa que estava em causa, diziam eles. E porque não dizem isso agora? Quando é óbvio que a Vivo é uma mais valia para a PT que lhe possibilita ter uma pé num grande mercado em crescimento como é o Brasil, estes senhores preocupam-se é por uns quantos milhões de euros ao bolso.

Depois do vaticínio ontem que isto seria mau para a imagem do país e tal e coisa, a bolsa de Madrid cai e a de Lisboa sobre no sector das telecomunicações. Das duas uma, ou os investidores são estúpidos ou se calhar perceberam que este sector em Portugal está firme, saudável e tem pernas para crescer. No dia que a PT venda a Vivo, os que lá tiverem acções farão uma pipa de massa mas a empresa acabará e começará um longo caminho para a obscuridade económica.