PT, Vivo, interesse nacional e estrangeiro

Antes de começar a escrever sobre o assunto em causa, peço antecipadamente desculpa pela tamanho exageradíssimo do post. Peço também a paciência dos leitores para esse facto.

Entre ontem e hoje tenho ouvido as coisas mais fantásticas vinda cá de dentro e de lá de fora face à atitude do governo na questão da Telefónica vs Portugal Telecom na questão da Brasileira Vivo.

Repare-se nos seguintes títulos do Público.


E para variar, a notícia menos melodramática da BBC News mas que revela bem o que realmente se passou aqui. Podem consultá-la clicando aqui.

Agora o que tenho eu a dizer sobre isto. De uma forma curta o governo tomou a decisão correcta se bem que poderia ter negociado pelos bastidores uma solução que evitasse usar a golden-share mas, mesmo assim, a decisão foi a correcta e só o PSD, de quem os amigos ficaram chateados pela acção do governo, veio agora fazer choradinho para TV por não lhes terem dado o rebuçado.

A Vivo é de extrema importância para a PT pois, como diz a noticia da BBC, encontra-se no único sítio para onde as empresas de telecomunicações podem crescer nos tempos próximos. Para além disso, a Telefónica viu as suas tentativas de expansão para a América do Sul goradas pela France Telecom há uns tempos atrás e os investimentos que lá tem agora, segundo percebi, não estão a dar os frutos esperados. Pelo contrário a Vivo representa uma nova oportunidade de expansão servindo ao mesmo tempo para compensar outras barracas da companhia de nuestros hermanos. Caso a PT venda a Vivo ficará confinada ao mercado nacional, ou seja, deixará de ser concorrente seja para quem for, especialmente para a gigante Telefónica. Ao contrário, se a PT mantiver a Vivo será uma importante e talvez perigosa adversária para companhia espanhola.

Mas, análise económica à parte, olhemos para a parte política da coisa que é onde afinal as birras estão concentradas. O FT, britânico, fala em colonialismo. Mas colonialismo de quem? Será que os britânicos não têm espelhos? Quem é que mantém um monarca que é chefe de estado de meia dúzia de países só para a figura? Quem é que mantém uma coisa chamada Commonwealth que nada mais é que uma extensão de um antigo império? Quem é que, na década de 80, declarou guerra a outro país por causa de dois calhaus no outro lado do mundo sem qualquer relevância para além da histórica e nacional? Quem é que mantém um outro calhau chamado Gibraltar sob o seu controlo? Quem é que impede que o problema da Irlanda do Norte se resolva de uma vez por todas? A não ser que a história me engane, não foi Portugal.

O governo espanhol também se mostrou muito chocado com esta golden-share. Mas afinal não são eles que são contra o intervencionismo do estado na economia? Para que precisam então de vir ao socorro da Telefónica? Pois... Pergunta estúpida de facto quando a resposta é tão óbvia. O problema do governo espanhol e de Espanha em geral, não é a golden-share. O problema é que não os deixaram fazer o que bem quiseram naquilo que eles vêm como uma província renegada do seu país. O FT falava em colonialismo. Se calhar falava bem até, errando apenas o alvo. Espanha faz a vida negra aos investimentos Portugueses nas suas terras. O mesmo não se passa ao contrário. Os investimentos espanhóis foram recebidos de braços abertos durante décadas e só nos últimos tempos, face ao claro desequilibro é que se tem visto um pouco mais de mal estar perante os mesmos.

Relembro algo que li à pouco num comentário no Público. Ainda se lembram os nossos vizinhos Espanhóis quando a EDP foi proibida de ter uma posição maioritária na Iberdrola? Lá está, o vector é o mesmo mas só pode ter uma direcção que é do grande para o pequeno.

A triste parte disto tudo é que, na Europa, os países todos fazem isto. É certo que as empresas portuguesas estão pouco habituadas a competir a nível internacional por incompetência de quem nelas manda. Mas também é facto que, no mercado Europeu só as grandes empresas dos grandes países têm força para fazerem essa competição pois as outras esbarram nos entraves legislativos e políticos, se calhar, até mesmo sociais, das diversas nações que se dedicam a impedir o livre investimento especialmente dos pequenos para os grandes.

No meio disto tudo, aparece a Santa Comissão a dar os seus dois cêntimos. Falando apenas quando estão em causa os interesses de França e Alemanha. Repare-se que, se fosse a PT a comprar uma grande empresa Alemã e o governo Alemão usasse uma coisa do género da golden-share, já não seria a ela que estaria em causa mas sim apenas uma questão de livre concorrência a qual, depois de procedimento judicial iria redundar em nada.

Esta comissão também é sempre bastante rápida a condenar Portugal mas bastante lenta a defendê-lo. Após termos vendido as nossas pescas aos Espanhóis, a nossa agricultura a Franceses e de nos prostituirmos economicamente a Alemães, não falando também nas belissimas praias que alugamos a Ingleses, seria de esperar que pensassem um pouco mais no bem estar de quem cá vive e no futuro deste matagal à beira mar plantado. Em vez disso, a comissão e os grandes da Europa, dedicam-se, cada vez mais, a usurpar o trabalho e investimentos dos outros não lhes dando hipóteses de fazerem concorrência. Ainda têm a distinta lata de levarem empresas como a Microsoft a tribunal por ela fazer aquilo que eles fazem aos outros.

No final, resta perguntar à comissão e aos Europeus destes países porque podem eles fazer o que querem e lhes apetece para defenderem os seus interesses, legalmente ou não e Portugal é sempre privado de o fazer?

Contudo, nada disto teria chegado a este ponto, e agora chego ao ponto crucial deste circo todo, se os empresários portugueses fossem dignos desse nome e não apenas uns patéticos capitalistas, cujo único objectivo é a acumulação de unidades monetárias a qualquer custo. Repare-se que, os grandes accionistas, em vez de verem as coisas a longo prazo, no qual a Vivo seria uma mais valia para a PT, decidiram ficar deslumbrados pelo pornográfica quantia de dinheiro oferecida pela Telefónica. Vieram dizer que era um grande oportunidade para a PT. Pois, erraram. Era uma grande oportunidade para os seus próprios bolsos isso sim. Para a PT seria a perda de um grande activo de expansão e crescimento futuro. Infelizmente, em Portugal, a ganância é associada à falta de visão dos grandes decisores os quais acabam, no fim de tudo, por não serem mais gestores de mercearia a quem o dinheiro hoje importa mais que o investimento amanhã.

Estes são os verdadeiros culpados da situação na PT. Quem lá manda, usa uma empresa que não construiu para enriquecer esquecendo-se do desenvolvimento da mesma. Lembram-se quando Belmiro de Azevedo quis comprar a PT? Lembram-se das pornográficas quantias que se ofereceram aos accionistas para evitar tal coisa? Era o futuro da empresa que estava em causa, diziam eles. E porque não dizem isso agora? Quando é óbvio que a Vivo é uma mais valia para a PT que lhe possibilita ter uma pé num grande mercado em crescimento como é o Brasil, estes senhores preocupam-se é por uns quantos milhões de euros ao bolso.

Depois do vaticínio ontem que isto seria mau para a imagem do país e tal e coisa, a bolsa de Madrid cai e a de Lisboa sobre no sector das telecomunicações. Das duas uma, ou os investidores são estúpidos ou se calhar perceberam que este sector em Portugal está firme, saudável e tem pernas para crescer. No dia que a PT venda a Vivo, os que lá tiverem acções farão uma pipa de massa mas a empresa acabará e começará um longo caminho para a obscuridade económica.

1 comment:

Vitor said...

o português deixou de dar o c*, fod*-se tudo lol
concordo contigo e mais, a PT tem muito mais a ganhar agora do que se tivesse vendido. Se fosse vendido só ganhavam os accionistas, a empresa nem o dinheiro "via". E o dinheiro oferecido pela Telefónica pode a PT ganhar em 3 ou 4 anos. Uma excelente decisão governamental e que já há muito o conselho de administração pedia quase "a pés juntos".

Pode-se dizer que quanto aos accionistas, nem para eles são bons. Em suma nem os portugueses são bons para eles próprios.