Nobre dá um pulo...

Fernando Nobre, ex-candidato à Presidência da República, antigo mandatário nacional do Bloco de Esquerda e antigo membro da Comissão Politica da candidatura de Mário Soares à Presidência da República dá agora um saltinho para o PSD nas próxima eleições legislativas.

O percurso de quem em Portugal se dedica à política é sempre um exercício curioso. Fica-se sem saber se eles não acreditam em nada e, por isso mesmo, têm o luxo de andar metido com todos ou se, por ventura, se vendem por quem lhes parece que tenha mais hipóteses de lhes dar um lugarzito em algum lado. Repare-se que, no caso de Fernando Nobre, não só o senhor passa da esquerda para a direita como fosse a coisa mais natural do mundo, justificando-se que todos têm a liberdade de tomarem as suas decisões políticas mas que era o PSD que lhe oferecia melhores condições... Pois, ainda nem sequer houve eleições, o senhor ainda nem sequer foi eleito para seja o que for e já se diz que ele tem "perfil" para Presidente da Assembleia da República. 

O que se consegue com isto? Em primeiro lugar, consegue ver que o PSD não mudou e continua a ser o partido daqueles que em nada acreditam a não ser no seu próprio bolso. Um partido sem rumo e sem ideologia. Chama-se Social Democrata mas é uma ofensa a tal conceito já que de Democrata tem pouco e Social não tem nada (arrisco dizer que nunca teve). 

Desta feita, não admira que Nobre tenha ido lá parar. Ele é em tudo semelhante. Associa-se ao Socialismo de Soares passando depois para um partido (BE) com uma ideologia radical (do ponto de vista do PS) e quase oposta aquela que Soares defende[ia]. Termina agora à direita e quase contradizendo o que o levou a candidatar-se à Presidência.

Conclusão, descobrimos com isto que Fernando Nobre é um salta pocinhas, talvez mesmo oportunista (não se será exagero chamar-lhe isso pois depende da opinião que se tenha da restante classe política). Com gente assim na política, gente que age de acordo com o seu interesse e não por convicções, não chegaremos a lado nenhum. 

Por último, esta notícia do DN, mostra ainda mais uma faceta do carácter (ou falta dele) que este senhor nos apresenta. Depois de ter feito a sua gincana política mostra que é incapaz de lidar com a critica legitima de um povo que está farto de aturar estas atitudes reprováveis.

Noticia para quem queria cá o FMI



Esta noticia do DN é uma boa nova para os funcionário públicos que achavam que o FMI lhes vinha devolver os salários!

Ordem para despedir na Função Pública

Depois não digam que não tinha avisado. E isto é só o começo e o FMI, ou o seu disfarce de FEEF, ainda nem chegou. Preparem-se todos para um rol de boas novas. Eu bem dizia que a alegria de tirar de lá Sócrates seria de pouca dura.

Regionalização: As verdades

Imagem retirada da Wikipedia

A propósito de um post d'O Jumento onde se fala da regionalização achei apropriado trazer à luz da ribalta algumas verdades sobre este assunto.

Os que são contra dizem que Portugal é pequeno, é mesmo dos mais pequenos da Europa. Bem, quem diz isto não olha para as estatísticas ou, então, está a mentir para defender interesses próprios, nomeadamente os de Lisboa que fica horrorizada só de saber que terá que dar dinheiro para que Trás-os-Montes ou Beira Interior tenham recursos para se desenvolver. 
Repare-se nos dados seguintes.

Na União Europeia temos 27 países. Desses 27 países, Portugal ocupa o 13º lugar em termos de área e o 9º em termos de população (dados retirados do Eurostat referentes a 2010). Ou seja, em área estamos acima do meio da tabela com 14 países mais pequenos e em população estamos mesmo nos 10 primeiros. Como alguém teria dito "e esta, hein?!"

Se olharmos para aqueles que estão perto de nós em área e população reparamos que aqueles que são ricos estão regionalizados de uma forma ou de outra. Holanda, Bélgica, Áustria, Suíça (fora da UE) e mesmo a Dinamarca estão todos regionalizados. Destes, Portugal é o maior de todos em área e em população só a Holanda é maior. A Bélgica, Áustria e Suíça não só estão regionalizados como são mesmo federações ou confederação no caso da Suíça. A Dinamarca é aquele que está apenas regionalizado e isto apenas desde 2007 pois até aí a Dinamarca estava divida em condados os quais podiam cobrar impostos. 

Note-se também que destes, Holanda, Dinamarca e Suíça são pouco maiores que o Alentejo, chegando a Bélgica a ser mesmo mais pequena em área. Isto é, em dimensão territorial Portugal é duas vezes maior do que qualquer um deles. Apenas a Áustria se mantém mais ou menos ao mesmo nível em área territorial. 

 Imagem retirada daqui
Fora destes fica a Irlanda a qual não está regionalizada mas note-se que a Irlanda tem menos de 4,5 milhões de habitantes numa área ligeiramente mais pequena que Portugal. Ficamos então com um caso contrário de um país que se desenvolveu sem estar regionalizado mas note-se que a Irlanda, por tradição, não sofre do centralismo desmesurado que se verifica em Portugal.

Depois temos ainda a Grécia (sensivelmente igual em população e área a Portugal) que, não estando regionalizada, está, curiosamente, na mesma situação que Portugal. Mostra-se incapaz de ter uma economia em franco crescimento, deficits altíssimos e uma situação financeira crítica. 

Em qualquer um dos países regionalizados também se verifica uma maior equidade nacional em termos de desenvolvimento do que se vê em Portugal ou Grécia. Em ambos, a capital assume um papel excessivamente preponderante face ao resto do país, possuindo um rendimento ao nível das zonas mais ricas da Europa enquanto que o resto dos seus países encontram-se nas regiões mais pobres dessa mesma Europa.

Então temos países administrativamente divididos e/ou com um sistema de Welfare State (Estado Social) bem estabelecido os quais conseguiram ter um nível de qualidade de vida muito alto e taxas de crescimento económico capazes de pôr o país a andar para a frente. Temos um outro país que, embora não se tendo regionalizado, não assumiu um modelo de desenvolvimento centralista, apostando noutro tipo de investimentos.

Por outro lado, temos dois países, Portugal e Grécia, que apostaram em modelos de desenvolvimento centralistas. Ambos foram incapazes de acompanhar o resto da Europa e, neste momento, estão com problemas de coesão nacional com uma região a usar os recursos do resto do país para o seu crescimento enquanto que o restante território empobrece. Ambos estão a braços com uma crise económica sem precedentes na história recente com problemas de natureza financeira à mistura. Ambos tiveram de pedir empréstimos para pagar as suas dívidas.

Sem ser do ponto de vista económico, do ponto de vista cultural, muitos argumentam sobre aquela coisa de Portugal ser uma nação única e indivisível em todos os seus momentos da história. Se assim fosse, deveríamos ter uma país mais ou menos homogéneo linguística e culturalmente falando (isto até porque quem diz isto, geralmente, diz que o país é pequeno). Bem do ponto de vista da língua, num país tão pequenos temos duas línguas, Português e Mirandês. Temos ainda, dentro da primeira uma diversidade tal de sotaques e palavras típicas das regiões que até mete medo para um país que se diz "pequeno". Vos garanto que eu vou a Lisboa e, se quiser, falo português e ninguém me entende. Quem experimentar por um transmontano a falar com um algarvio como ambos falam normalmente e com os regionalismos de cada um, ambos terão mais facilidade em perceber um Espanhol a falar Castelhano. Culturalmente, os costumes do Norte não são os da gente do Sul e mesmo a maneira de estar na vida é bem diferente das gentes do Norte, Centro, Alentejo e Algarve.


Peneda Gerês retirado da Wikipedia 

Isto prende-se, para quem lê história e não fala do pé para mão, com o desenvolvimento do país que foi um aglomerar de regiões com povos diferentes. Até a história de sermos Lusitanos é uma grande aldrabice. Primeiro porque a Lusitânia compreende apenas uma região e povo situado a norte do Tejo e a sul do Douro. Só mais tarde é que as tribos Galegas (Gallaeci - romanização do grego Kallaikói) adoptaram para si o nome de Lusitanos como termo denominador de todos os povos na Península que lutavam contra os Romanos. Aliás, Viriato é herói Português mas também Espanhol...


 Imagem retirada da Wikipedia

O conceito de nação, algo que se quer convencer as pessoas que sempre existiu, é relativamente recente do ponto de vista histórico. Não nos vamos esquecer que, os Reinos eram as terras do Rei e não nação coisa nenhuma.
Assim sendo, e embora o post não seja perfeitamente neutro, não vou dizer se se deve ou não regionalizar o país mais do que deixei implícito. Deixo a liberdade aos leitores para tirarem as suas próprias conclusões face a tudo o que apresentei. 

As melhores decisões são aquelas que tomamos quando desconstruirmos aquilo que nos querem impingir, geralmente, com segunda intenções e construímos as nossas próprias ideias e valores. Em vez de aprender aquilo que se houve e lê cegamente deve-se usar os factos para fazermos nós a nossa própria aprendizagem pessoal em vez de assimilarmos apenas informações, ideias e valores em segunda mão. Foi isso que tentei fazer com este post, contribuir (não se forma exaustiva) para o esclarecimento sobre esta temática que tanta demagogia e mentira faz por aí circular por quem apenas pensa nos seus próprios interesses.

Fontes:

Eurostat
Wikipedia

Os Pobres querem viver como Ricos.

 
Ontem, no Jornal da Tarde da RTP1, passou uma reportagem sobre as dificuldades de algumas famílias da classe média. Deu-se como exemplo a família Paiva, se não estou em erro no nome. Também, se não ouvi mal, os rendimentos daquela família rondam os 900€. Disse a jornalista que só com despesas da prestação da casa era 800€. Mas os valores em causa são secundários. A questão que eu quero focar aqui é a maneira como as pessoas gastam o dinheiro e depois queixam-se que passam dificuldades.

Bem, reparei eu que a dita família, que se encontra em dificuldades tinha uma box qualquer de televisão por cabo, o filho tinha um telemóvel não propriamente daqueles baratos... Quer dizer... Quem passa por dificuldades tem de saber gerir o seu orçamento e saber o que é ou não importante. 

Eu não quero tecer comentários específicos sobre esta família em particular mas sim, com isto, extrapolar para o que se passa no país. As pessoas gastam em coisas supérfluas e não largam os vícios nem quando estão com problemas. Isto prende-se com a eterna questão dos portugueses adorarem mostrar aos vizinhos que são melhores que eles. Internet, telemóvel, televisão, todas estas coisas são acessórios e só os tem quem pode e não quem quer. Não me venham com a história de que não se vive sem Internet ou telemóvel. Conheço muita gente que vive sem o primeiro e quanto ao segundo, meus amigos, eu tenho 28 anos e durante, pelo menos, metade deles vivi sem isso. Há quem tenha vivido mais tempo sem esses aparelhos. Nunca se deixou nada por fazer por se abdicar disto. Televisão? Comprem um livro que vos dá para mais tempo e é bem mais interessante do que a palhaçada que hoje passam nos nossos canais.

Enquanto as pessoas não souberem viver de acordo com os seus rendimentos e necessidades teremos casos destes. Passam dificuldades mas não abdicam do que é inútil. Já o disse antes mas estes casos trazem-me sempre à memória o caso da outra que se queixava que não tinha comida para os filhos e que estava sem dinheiro mas, note-se bem, dizia isto através do MSN Messenger. Não tinha para comida mas tinha para a porcaria da Internet.

Conclusão, com um povo assim, espera-se que os políticos façam diferente? Obviamente que não. Talvez fosse boa altura para povo e governo perceberem o significado de "quem não tem dinheiro não tem vícios". Enquanto formos pobres a viver como ricos andaremos sempre no mesmo. Pena tenho é que este post não diga absolutamente nada de novo e, perante o estado que estamos, ainda se consiga ter motivo para repetir esta lengalenga.

Passos "preferiria mil vezes mexer na estrutura do IVA a cortar pensões" - JN



Passos "preferiria mil vezes mexer na estrutura do IVA a cortar pensões" - JN

"Eu preferiria mil vezes - é que nem tenho nenhuma hesitação - em mexer na estrutura do IVA a ter que cortar pensões e reformas. O Governo tomou uma opção inversa"

Por uma questão de coerência, Passos Coelho, teria de dizer a seguir que iria ia reverter as medidas do governo. Não o disse e não o fará por certo. É que Passos esquece-se de dizer que agora vai mexer no IVA porque já não pode mexer em mais nada. Ele e Sócrates já chuparam o que tinham a chupar nos outros impostos e salários. Mexer mais era verem-se a braços com uma revolta social e isso, antes de eleições, é tudo o que não se pode fazer.

Já agora, gostei de ouvir Passos Coelho que vai tornar públicas as nomeações de titulares de cargos públicos. Tal como, por exemplo, a regionalização e a reforma da administração pública, esta coisa dos titulares de cargos públicos é algo que já ouço falar, se não estou em erro, desde António Guterres.

Também não deixou de ser hilariante ouvi-lo dizer que os membros do governo e tal e coisa, têm de se habituar a andar de transportes públicos... Diz isto o homem que, depois de uma reunião partidária tem carro topo de gama com motorista à sua espera... Se ele, sem ser governo, não consegue fazer isso, acha-se mesmo capaz de o fazer como Primeiro-Ministro?

Cansaço...


Ultimamente ando cansado. Cansado de muita coisa.

Cansado de ouvir tanta barbaridade de políticos, comentadores, jornalistas, sindicalistas, economistas, etc... tal e coisa. Cansado de ouvir a direita a chamar pelo FMI, ingenuamente acreditando que isso resolverá um problema que seja de Portugal. Cansado de ouvir a esquerda a pedir, igualmente ingenuamente, por um Estado Social que dê apoios a tudo e todos e onde tudo seja, preferencialmente, de graça. Cansado de ouvir conversas de futebol e da novela no autocarro como se aquilo fosse o assunto mais importante do  mundo. Cansado de ouvir, poucas vezes que são, mentecaptos a insultar tudo o que seja político e politica notando-se, contudo, que não percebem nada do assunto (tipo aquela senhora que, quando questionada sobre se era a favor ou contra a regionalização disse que era contra mas, depois, quando questionada sobre o porquê dessa decisão disse e cito "Ah! Não sei! Eu não percebo nada disso!"). Cansado de ouvir pobres, mas não incapazes, a pedirem para apoios para estarem em casa. Cansado de ver pedintes na rua com bom corpinho para irem trabalhar. Cansado de saber de pobres que vivem como ricos e de ricos que se acham donos do mundo. Cansado de ouvir quem ganha acima de 2000€ dizer que a vida está muito má.

Ando mesmo cansado disto... Disto e mais! Mas, resumindo, estou cansado de um país onde, na generalidade, do político governante ao zé ali da esquina, só se abre a boca para dizer merda.