Jornalismo em Portugal

Estava eu hoje a ver o sociedade civil na RTP2 (passo a publicidade) e fiquei com vontade de vir para aqui deixar as minha insanas divagações.

O problema inicial foi a qualidade no que respeita ao jornalismo positivo ou negativo. Bem aqui eu apenas digo: se só se mostra o que é mau, o que é de extra, o que é trágico isto revela duas coisas muito simples que dizem respeito à sociedade e a sua mediocridade. Ao encherem os jornais com este tipo de noticias os jornalistas estão a demonstrar o quanto "vendidos" são mas também estão a mostrar o quanto "medíocres" as pessoas estão hoje em dia.

Costuma-se referir que os jornalistas têm uma formação vital para as sociedades livres. Pois ao venderem-se ao lucro fácil pelo aumento das audiências sem terem um mínimo de cuidado em mostrarem a verdade de uma maneira séria e sem sensacionalismos ou comentários inúteis os jornalistas estão a perder a sua função tanto defendida. Ora se não fazem aquilo que lhes compete então não podem pedir nem vir exigir liberdade que não merecem. Aliás o facto de se venderem ao dinheiro pode implicar, e certamente já implicou, que se dê a noticia que interessa a quem nos paga e não a noticia que é necessário dar de acordo com a verdade.

Muito honestamente, hoje em dia, penso que os jornalistas são nada mais nada menos que grandes apresentadores dum reality show que forçam todos assistir ou então terão de deixar de ver televisão, ouvir rádio etc etc. Talvez no meio disto tudo, o jornalismo que ainda vai resistindo a tais correntes é a imprensa escrita (jornais não revistas ditas "cor-de-rosa").

No programa falou-se de blogues e jornalismo e às tantas e tal deu-me a entender que uma das convidadas (Estrela Serrano visto que era a única mulher convidada) disse qualquer coisa parecida com: quem escreve os blogues não é um jornalista e o jornalismo é algo que só um jornalista é capaz de fazer porque segue um código deontológico. Dizia ela que um cidadão-reporter não pode ser responsabilizado porque não tem o dito código.

Oh minha senhora a lei é igual para todos, quando se difama alguém o crime é igual para todos. De qualquer das maneiras uma pessoa que pesquisa e informa é jornalista independentemente de o fazer pela TV, Rádio ou internet.

De facto uma pessoa só porque faz um blogue não é nem um escritor nem é um jornalista por si só. No entanto, quando um blogue ou seja lá o que for (um jornal de parede conforme disse a senhora Estrela Serrano) tem informação pesquisada, com as devidas fontes citadas então é jornalista. Eu por exemplo embora tenha o cuidado de pesquisar aquilo que digo e fundamenta-lo, não me considero de todo jornalista pois não me preocupo necessáriamente em dar as noticias mas antes dar a minha opinião sobre assuntos diversos entre os quais noticias. Contudo há blogues que são de cariz informativo e não "opinativo" e, nesse caso, o/os seu/seus autor/es são de facto jornalistas, por ventura mais que algumas senhoras que trabalham para certos canais de TV e comentam, criticam e opinam sobre a noticia que vão dar ou já deram. Isso sim é ser NÃO jornalista e contra esses a senhora não falou no mesmo tom.

Mas enfim, claramente os cargos em Portugal continuam a ser dados por cunhas, amizades, interesses e certamente não por competência e seriedade.

Podem ver o programa Sociedade Civil aqui.

1 comment:

Vitor said...

Estás capaz de bater na mulher lol
sim eu concordo com o que dizes, em Portugal não se faz jornalismo de verdade, se bem que noutros países o mesmo sucede. Mas só os factos - 1h de jornal televisivo com 45 min de futebol; 50% das páginas de jornal com futebol; Erros de português na imprensa escrita (dá menos trabalho contar onde não há erros), etc etc - falam por si só sobre o jornalismo em Portugal. Então a isenção/ imparcialidade, bem basta ligar na TVI (o caso mais dramático), o que mais há é opinião da notícia / informação do que a informação toda e no seu contexto; outros canais estão a seguir a tendência!

Um tio-avô meu, que trabalhou em jornalismo em França muitos anos, disse há uns tempos atrás que face ao trabalho jornalístico no nosso país, era escusado andarem esses "profissionais" a queimar neurónios na faculdade, que o trabalho que têm desenvolvido qualquer um o faz.