Distinções importantes.

Seria bom que as pessoas aprendessem a diferença entre não estar à espera dos outros e cagar para os outros.

Não esperar para que os outros se decidam ou façam para fazermos nós é uma coisa.

Alterar coisas previamente marcadas, tanto profissionalmente como pessoalmente, sem dar conta a ninguém, é cagar para os outros.

São duas coisas bem distintas e dizem muito acerca do carácter de cada um. E estas coisas têm de ser bem distintas e definidas. É a mesma coisa que cagar e levar no cú. A diferença é meramente vectorial mas faz toda diferença.

O Papa pede desculpa. Não, obrigado.

Recentemente, o Papa Francisco, num acto de coragem e que eu aprecio, pediu desculpa a gays, "aos pobres, às mulheres abusadas, às crianças exploradas pelo trabalho e por ter abençoado tantas armas”. Foi um acto, como muitos outros a que este Papa nos tem habituado, que vai contra a prática da Igreja e de uma grande parte dos seus fieis.

Contudo, eu, pessoalmente, não posso aceitar o pedido de desculpas. Não o posso aceitar enquanto o pedido não for igualmente seguido pela Igreja e os seus ensinamentos. Enquanto houverem LGBTs a morrerem em países Católicos por esse mundo fora e a Igreja for complacente com isso. Enquanto houverem membros da hierarquia da Igreja que publicamente defendem a homossexualidade como pecado e propagandeiam isso. Enquanto a Igreja não denunciar esses ensinamentos e os parar. Enquanto ela não começar a reverter toda a perversidade que andou e anda a espalhar. Enquanto a Igreja não decidir ser a mensagem e o espelho de Cristo, Enquanto houver um LGBT a ser discriminado, perseguido, renegado por causa do que a Igreja diz e faz, Enquanto isso acontecer, este pedido é vazio e não posso, em boa consciência, aceitar a hipócrisia que ele representa. 

Reconheço o passo que o Papa dá. Reconheço a sua vontade, pelo menos pública, de mudar. Infelizmente ele é só um e não pode falar por todos. Enquanto as palavras dele não forem os actos da Igreja Católica, o pedido de desculpas de pouco vale. 

Como se costuma dizer, de palavras e boas intenções está o inferno cheio.

Never forget Orlando

Versão portuguesa

Desde Domingo que ando a tentar vir aqui escrever qualquer coisa mas não consigo. Entre raiva, fúria, desilusão e uma profunda tristeza, cada vez que vejo ou leio algo sobre o que se passou em Orlando só me apetece chorar. Sem saber muito bem como, a distância devia ser suficiente para isto não acontecer, ou assim pensei, estes acontecimentos atingiram-me como se tivesse sido atropelado por camião. Atingiu-me a um nível pessoal que eu jamais sabia ser possível. Eu só posso imaginar o que as familias das vitimas podem estar a sentir neste momento.

Como não me consigo centrar para escrever algo com significado, deixo aqui um vídeo e um link. Nunca se esqueça o que se passou no Pulse, em Orlando, EUA. 

O Amor vence!

English version

Since Sunday that I've been trying to come here and write something, but I can't. Between anger, rage, disappointment and a deep sadness, every time I see or read something about what has happened in Orlando I feel like crying. Without knowing exactly how, the distance should have been enough for this not to happen, or so I thought, these events have hit me like a truck. They've hit me on a personal level that I never thought possible. I can only imagine what the families of the victims are feeling at this moment. 

As I can't focus myself to write something meaningful, I leave a video and a link. Never forget what happened at Pulse, in Orlando, USA.

Love wins!





O poder do "porquê?"



Porquê?

Uma palavra insignificante mas que, de facto, tem um poder devastador para a sua vítima. É uma palavra que tem o potencial para fazer qualquer idiota perceber que é um idiota e isto é algo verdadeiramente aterrorizante. Quem já teve o vislumbre da expressão facial referente a todo o processo psico-neurológico que um idiota faz para tomar consciência de que o é, bem, isso é um momento que se pode dizer que vale toda a pena guardar para a eternidade.

Geralmente, uma pessoa normal, quando toma uma decisão, fá-lo com um propósito, uma razão ou um motivo. Mas há pessoas que vivem toda a sua vida sem saber o porquê do que fazem.

Por exemplo, outro dia, em plena rotunda AEP, três agentes de segurança, decidiram parar o trânsito que vinha na rotunda para deixar entrar na mesma quem vinha no sentido norte-sul causando um engarrafamento fantástico dentro da rotunda e nos três outros acessos para quem queria entrar (ou sair) dela. Eu gostaria de ter perguntado o porquê aos senhores agentes.

Noutra circunstância, estava eu a atravessar uma passadeira de uma avenida, quando um acéfalo ser ao volante, decide acelerar comigo já no meio da passadeira obrigando-me a saltar para trás e, mais engraçado, foi rir-se com ar de gozo quando me passou pela frente. [Já agora, aproveito para dizer que, para infelicidade de muitos (o que me dá um perverso prazer), ainda estou inteiro e vivo.] Também gostaria de perguntar porquê a este tão ilustre exemplo de civismo à portuguesa. É que, se ao menos o fulano me conhecesse, ainda podia alegar que me queria, de facto, ajudar a resolver o meu agnosticismo crónico, mas não, ele não me conhece. Desta forma, fico extremamente curioso em perceber porque é que alguém arrisca ir para a cadeia sem motivo.

O porquê, nestes dois casos, teria sido uma pergunta devastadora. Imagino já aqueles olhinhos a moverem-se lateralmente, de um lado para o outro, a tentar raciocinar e arranjar uma explicação lógica e séria para as suas acções.

De facto, o porquê é uma pergunta devastadora. Regra geral, tende a revelar o quanto estúpidas as pessoas realmente conseguem ser. 

Contudo, não se julgue que o poder desta pergunta se resume a isto. Quando esta pergunta é feita a alguém que realmente pensou no que faz, pode acontecer seja quem faz a pergunta que passe por idiota. Isto porque, por vezes, não é a pergunta em si que é devastadora mas sim a resposta que se ouve. Isto pode acontecer por dois motivos: ou porque a resposta é de tal maneira desconexa que nos trucida a mente, ou, caso mais grave, porque ficamos sem saber o que fazer com a resposta.

Começar a vida com dívidas, não é solução.

Eu gostava de saber porque é que ainda há gente com lata para sugerir que pedir um empréstimo para tirar um curso superior é solução. Depois das tragédias do que se passa nos EUA com este sistema é, de facto, preciso muita lata e desfaçatez para sugerir isto. 

 Até porque faz perfeito sentido alguém que quer comprar casa, carro, construir uma vida, ter filhos/familia começar, logo à partida, com uma dívida de milhares de euros sem sequer ainda ter rendimentos. 

O curioso é que, sempre que ouço falar nisto, esta sugestão vem sempre de quem NÃO precisa destes empréstimos porque os papás podem ou puderam-lhe pagar um curso superior. 

 Quando se junta ignorância, hipócrisia e imbecilidade, temos ideias de merda como esta.

Divagações pós Páscoa

"É pá, eu não cago para o que tu dizes." 

Falo de quando dizemos isto num contexto de uma relação próxima, seja de amizade ou algo mais. É aquela coisa que, o que queremos dizer é mesmo "eu não levo a mal as tuas opiniões ou conselhos ou lá o que for que tu dizes". É aquela palmadinha nas costas que pretende ser um reforço da relação mas, no fundo, é o fim da macacada. 

Esta mítica e fantástica frase é daquelas coisas simpáticas que se diz aos outros quando achamos que somos donos da razão. 

O problema está quando, do outro lado, nos apercebemos que, a verdadeira razão porque se ouve a frase acima mencionada é porque, na realidade, cagamos para o que a outra pessoa está a pensar. É um passo à frente da do dizer que se "caga" para o que os outros dizem. É um estado mais elevado de espírito. Enquanto uns cagam para o que dizemos, nós cagamos para o que os outros pensam. 

É por estas razão que às vezes eu falo com as pessoas, porque cago para o que elas pensam. Se realmente me preocupasse teria o cuidado de, pelo menos, estar calado para não ofender ninguém. A realidade, e apercebi-me disto recentemente, é que realmente, salvo com uma muito pequena parte dos meus relacionamentos, eu cago para o que as pessoas possam ou não pensar. 

Não o faço por desrespeito. Apenas não sou dono, nem pretendo ser censor do que os outros possam ou não pensar. Caso o que eu lhes digo (e raramente digo algo com o intuíto de ofender, embora por vezes haja, inadvertidamente, esse efeito) seja tomado como ofensa, esse problema é de quem pensou assim e não meu. 

A questão aqui é que quando, numa relação de amizade ou algo mais, chegamos ao ponto em que nos apercebemos que nos estamos a cagar para o que a outra pessoa pensa, depois de ouvir a brilhante frase do "cago para o que dizes", está mais do que na hora de por uns patins à pessoa e irmos à nossa vidinha. 

Não temos de ofender ninguém mas também não temos de ser responsáveis pelo que os outros possam ou não pensar quando as coisas são ditas de boa fé e, por vezes, até com as melhores das intenções. Somos livres de pensar o que quisermos e achar o que quisermos também. Somos livres de ser compreensivos e honestos ou de ser estúpidos e falsos. Tudo na vida é uma questão de escolha e quando as escolhas dos outros não nos servem, andamento! 

Para a frente que atrás vem gente e com 7 mil milhões de pessoas no planeta, não é do nosso interesse perder tempo com uma.


Sobre a TAP e dos bananas de Portugal.



A questão da TAP está a levantar um problema mais grave do que aquele que é criado pela própria companhia. Falo da apatia e alheação das pessoas para tudo o que é importante. Num país onde as pessoas comentam e preocupam-se mais com o jogo Porto-Benfica não admira que, quem pode faça tudo o que quer em seu favor e dos seus amigos. 

Só num país de bananas (sim de bananas pois cada vez mais acredito que os portugueses são uns bananas) é que alguém pode achar uma companhia com capitais públicos pode fazer os negócios ruinosos que quiser que depois o contribuinte paga. Só num país de bananas é que uma empresa pode ter 50% de capitais públicos mas o serviço público e o interesse público não tem direito a exigir que se zele pelo que é um investimento de todos. Só num país de bananas é que pode aparecer alguém (geralmente do sul - leia-se Lisboa) a achar que um país pequeno tem de ter tudo concentrado num único local. 

A região que mais exporta e, portanto, que mais riqueza traz ao país é a região que, paradoxalmente, mais desrespeito tem (lembre-se o Red Bull Air Race). Também inacreditavelmente, é nesta região que se vê o porquê de Lisboa poder explorar e viver às custas do país. Em vez de se unirem em torno de uma causa de é da região inteira, não. Em vez disto, dos autarcas da região, nem uma palavra, nem mesmo daqueles onde o Aeroporto está situado (Maia e Matosinhos). Dos bananas do povo, ou estão calados e com mais atenção ao futebol ou, pior, acham que isto é tudo um problema do Porto e que, como o aeroporto não está no seu quintal, que isso não lhes afecta e é tudo mais uma manobra centralista mas a Norte. 

Percebe-se bem porque é que o país é pobre, sobretudo, pobre de inteligência e espírito. 

Um país de bananas que não consegue perceber que é o seu dinheiro que está usurpado. Que não consegue perceber que o problema não é a TAP sair ou ficar. Que o problema é o abuso do dinheiro dos contribuíntes. Se a TAP for 100% privada, que faça o que quiser. Se for à falência, azar o dela e dos bananas que lá trabalham que também só sabem fazer greves quando lhes vão ao bolso. Mas a TAP não é 100% privada. A TAP continua a viver de dinheiros públicos. Pior, a TAP está a ser usada por privados, não para seu benefício (da TAP) mas para benefício de outras companhias privadas estrangeiras (nem Europeias são, sequer). 

Por estas razões, que se contínue a roubar. Quando se falar que o Estado lá vai por mais uns milhões, também não há problema. Sobe-se o IVA e o problema está resolvido. O Português, claramente que gosta de ser pobre, explorado e medíocre. Se assim o é, deixe-se ser. Não venham é depois protestar que os impostos da gasolina estão muito altos. Que o IVA está altíssimo ou que se paga muito de IRS. Se querem pagar menos, passem a exigir responsabilidade a quem administra e gere o dinheiro que é de todos. Enquanto não fizerem isso, continuarão a ser uns bananas.

Preconceito disfarçado de opinião.

Sobre a adopção gay por José Miguel Tavares

Já há muito tempo que deixei de ler este fulano pois sentia-me sempre um pouco mais estúpido no final. Isto porque os argumentos que usa para justificar as suas posições provocam uma hecatombe na minha cabeça (onde os meus neurónios assumem o papel das reses sacrificadas).

No entanto, numa onda masoquista, decidi arriscar e ler outra vez. Não saí desiludido, apenas com menos umas quantas centenas de neurónios.

O argumento de que é preciso mais debate para este assunto (e do aborto também - dois referendos não são, aparentemente, suficientes para um amplo debate) é verdadeiramente fascinante. Já se anda a debater esta questão há mais de 10 anos. Não sei quanto tempo mais de debate é que esta gente acha adequado e apenas posso interpretar este argumento como hipócrisia e demagogia feita para esconder ou disfarçar a verdadeira razão: preconceito e homofobia.

Em cima disto, há também os casos reais onde crianças já são criadas por casais do mesmo sexo e não há indicações que os petizes estejam a sair ou já tenham saido mentalmente desiquilibrados. Mesmo que assim fosse, então estes casais estariam apenas a seguir o exemplo dos casais de sexo diferente, os quais são peritos em perturbar as crianças - se assim não fosse, não haveria necessidade de recorrer tanto a psicólogos e psiquiatras com os petizes.

Temos ainda os inúmeros pareceres científicos onde é claramente dito que não há diferenças de comportamento (salvo, porventura, a menor quantidade de preconceito na cabeças dos putos) entre crianças criadas por casais heterossexuais ou homossexuais.

O melhor de tudo é quando dizem que é necessário salvaguardar o interesse da criança. Certamente. Nesse caso, sugiro que se proiba a adopção. É que, olhando bem para a coisa, quando um casal heterossexual vai adoptar não vai a dizer: eu nem quero ter crianças, mas vou fazer esse enorme sacrificio para que uma delas possa ter uma vida melhor. Por favor, poupem-me. O raciocínio da adopção é um raciocínio egoista. Os candidatos a adoptantes querem adoptar por ELES querem ter uma criança. Isto é válido para casais heterossexuais, casais homossexuais e pessoas singulares.

Toda esta argumentação é da mais profunda hipócrisia e só mesmo o preconceito e ignorância juntos permitem que alguém diga semelhantes coisas. Acho interessante quando se argumenta a necessidade da criança ter uma figura masculina e feminina para um bom crescimento. Ora bem, então se isso é impedimento, então a lei da adopção tem que ser imediatamente revista. Tem que se retirar da lei a possibilidade de pessoas singulares poderem adoptar. Não se pode permitir também que só haja um pai ou uma mãe. No caso de pessoas solteiras com filhos, há que lhes obrigar a terem acompanhamento psicológico para a criança ou, simplesmente, retirar-lhes a prole.

Este argumento da necessidade de figuras de ambos os sexos é tão fraco que só mesmo a tentativa de disfarçar preconceitos justifica o seu uso.

Refugiados e variações de solidariedade



@Leça-palmeira.com Câmara de Matosinhos procura edifício para acolher refugiados.

O que me chateia no meio disto tudo é que foram a França, o Reino Unido, os EUA e a Rússia a dar cabo da Síria (e não só), permitiram que um país caisse numa guerra cívil onde não se sabe bem quem é que está contra quem ou quem são os "bons" ou os "maus".

Foi a Alemanha que, na sua cegueira e auto-interesse, forçou a ruína da Grécia e sofocou a Irlanda e Portugal sem nunca ter pensado naquela coisa que, aparentemente agora descobriram: solidariedade. Foram todos estes países que arruinaram a Ucrania num jogo de interesses que não se percebe bem quem é que ganhou o quê.

No final, depois de terem todos brincado ao "quem é que tem a pila maior", e de não terem chegado a conclusão nenhuma, olharam para cima e repararam que tinham uma catástrofe nas mãos. Uma vez mais, recusam-se a assumirem as suas responsabilidades e atiram para os outros a tarefa de lhes resolverem a situação. O curioso é que estão agora a exigir ajuda daqueles a quem eles sempre recusaram ajudar; aos mesmos a quem eles acusaram de serem preguiçosos, ladrões, caloteiros e por aí fora.

A ajudar tudo isto, juntam-se os países vizinhos, aqueles que nadam em rios de petro-dólares, os quais, não só não mostram interesse em promover a resolução dos problemas da zona, como ainda não se ofereceram para receber nem um dos seus irmãos de Fé. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar ou Kuwait  desviam a cara para o lado. Percebe-se, a Fé, o Islão é uma arma de arremesso político para eles e não um acto de fé ou crença.

Conclusão, quem nada tem que ver com estes problemas, Portugal e Grécia, por exemplo, ambos com sérios problemas criados por anos de prostituição económica, promovida pelos chulos locais para satisfazerem os seus próprios interesses e os dos seus mestres internacionais, vão ter que puxar dos cordões à bolsa e demonstrar solidariedade. Cá, em Portugal, não há dinheiro para salários, não há dinheiro para a Educação, não há dinheiro para a Saúde mas vai haver dinheiro para isto. Ouvi dizer que a UE vai dar dinheiro para isto o que, se sempre se concretizar, não deixa de ser engraçado. Quando Portugal "precisou" de dinheiro, e a Grécia também, foi-nos cobrada uma taxa de juro bem interessante pela "UE" e só nos foi dado se fizessemos o que eles queriam. Qual solidariedade, qual carapuça!

Talvez fosse uma boa altura para relembrar a UE, em especial alguns países, que foram eles a criarem todos estes problemas, como tal, eles que os resolvam. Se querem a nossa ajuda, muito bem, mas ela tem de ter um preço tão alto como aquele que nos cobraram para nos "ajudarem". E, talvez fosse também boa ideia perguntar à ministra Austríaca onde estava a solidariedade do seu país quando outros precisaram.

De volta por um momento



Venho apenas aqui, e muito rapidamente, pedir desculpas pelos comentários que foram enviados e que não foram publicados (a tempo). Não tive tempo de ler todos (ainda) mas já os publiquei. 

Bolas! Já cá não vinha há uns tempos. A vida muda, dá umas cabalhotas e, sem darmos conta, estamos a revisitar sitios antigos. :) Hoje dei por mim a vir aqui e, para meu espanto ainda tinha uns quantos comentários para aprovar a postos ja bastante antigos. 

Talvez, muito discretamente, passe a cá vir para postar de vez em quando. :)

Por isso, deixo apenas um até já. 

Malditos socialistas!

A imagem não é da autoria deste blogue.


Malditos socialistas! São uma praga! Aumentam impostos, não controlam a despesa, só fazem negócios para os amigos, têm gente que é, inclusive, apanhada em escutas... Esperem, esperem... Mas é de Socialista que falamos ou da direita e dos Sociais-Democratas e Democratas-Cristãos? E não foi, também, Passos Coelho apanhado agora em escutas?!  

Curioso... Mas então, se assim é, que é feito de tantos revolucionários que insultaram o anterior PM, passaram meses e semanas a injuriá-lo, que espalhavam um ódio de morte a Sócrates e que diziam que era preciso tirá-lo de lá a todo o custo? Onde anda essa gente agora? Ah! Já sei! Nas manisfestações contra a austeridade! Então e agora não pedem para que este governo seja retirado de lá a qualquer custo também? 

De facto, há gente que está mesmo bem para o(s) partido(s) que apoia. Enquanto estiveram na oposição, PSD e CDS não tiveram medo de criar por TRÊS VEZES crises políticas, DUAS das quais os levariam ao poder.

Das DUAS VEZES que por lá passaram só fizeram asneiras. As finanças não foram controladas, os impostos aumentaram e a economia não saiu do sitio (desta última vez, até está mesmo a andar para trás).

Da primeira, o Primeiro-Ministro transformou uma crise financeira do Estado em crise económica do país, vendeu o país à Europa e depois... Fugiu. Estavam a fazer um trabalho tão bom que, depois da fuga do líder, ninguém no Governo ou na AR quis ficar-lhe com o lugar, incluindo Manuela Ferreira Leite, número dois do governo da altura e vice-presidente do PSD. Para além do descontrole das finanças, da expoliação de património do Estado (de todos nós, portanto) abriram uma crise política (a segunda) com a fuga do PM e ninguém a querer saltar para o poleiro. Deixaram ir para lá outros. Esperaram até ao momento certo, até ao momento em que já havia hipótese do caminho que haviamos de tomar.

Nesse momento, em plena crise económica e financeira (criada pelas políticas do governo PSD/CDS de Barroso, Ferreira Leite e Portas) não houve medo de levar o país a outra crise política (a terceira) e, depois de fazerem outros (PS) darem a cara por um acordo que todos (PS, PSD e CDS) assinaram, fazem cair o governo e saltam eles para o poleiro.

Agora que lá estão, que o acordo está assinado, que o caminho está traçado, isto é, que não há volta a dar esteja quem estiver no governo, dizem que uma crise política é o pior que pode acontecer ao país. Pois, percebe-se! Sâo eles que lá estão agora e não os "outros". 

E no meio disto tudo há os que os apoiaram insultando tudo e todos que não estavam do seu lado. Os que, numa regressão psiquica à sua infância, ressuscitaram o medo do Comunismo/Socialismo do Leste devorador de criancinhas e sufocador de liberdades. Bem-vindos, de novo, aos 50s, 60s e 70s!

No final, depois de criarem o medo da Esquerda, estão a deixar que seja a Direita, ou seja, o Santo Milagroso do Capitalismo à estilo século XIX adaptado à modernidade, a devorar-lhes os direitos, os salários, a educação, a saúde e a transformá-los em escravos... Ao invocarem o medo de "outros" caiu-lhes algo pior em cima. A vida é, de forma irónica, justa! 

Só se colhe aquilo que se semeia e quem semeia ventos, colhe tempestades.

De volta, por momentos...

Desde há muito que aqui não venho, que aqui não passo sequer os olhos. A falta de vontade de aqui vir não se prende com vergonha do que aqui disse ou de desprezo por este meu espaço e por quem aqui veio. Precisei e preciso de interlúdio disto. Havia e há coisas que me prendem mais do que vir aqui. Há alturas na vida em que temos que pensar e tal implica afastamento. Infelizmente, com a carrada de problemas que o país tem, neste momento, é-me impossivel distanciar desta cruel realidade.

Assim sendo, volto aqui para umas breves considerações. 

Quem se der ao trabalho de reler o que antes aqui disse, poderá constatar que, a errar, não falhei por muito. Avisei que uma mudança de governo, por muito que fosse necessária, viria na altura errada e, a mudar de Sócrates para Coelho, iria ficar tudo na mesma ou pior. O resultado está à vista. Quem tiver olhos na cara tirará as devidas conclusões.

Os professores estão melhor agora do que estavam com Sócrates? Não me parece. O país está melhor hoje do que com Sócrates? Também não. Conclusão, valeu a pena trocar um trauliteiro por outro do género? Não respondo. Parece-me óbvia a resposta.

Também aqui disse que a subida de impostos não iria resolver os problemas. Disse, várias vezes, que a subida de impostos iria levar apenas a mais impostos pois, numa economia que não cresce, taxar os rendimentos e actividade económica para a mão de uma instituição apenas leva a menos crescimento. Hoje vivemos a realidade do que eu tinha previsto. 

Depois de um primeiro aumento de impostos, seguiu-se um retrocesso económico. A solução do governo: repetir a receita, ou seja, novo aumento de impostos. Hoje volta-se a repetir o mesmo. Esta semana ouvimos o Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças a fazerem de todos os cidadãos desta República asnos. Como o déficit não foi cumprido porque a economia andou para trás, vai-se aumentar de novo os impostos justificando que serão estas medidas que iriam trazer crescimento económico. Qualquer mentecapto com dois neurónios comunicantes entre si consegue perceber que repetir a mesma coisa vezes sem conta, certamente, não irá trazer resultados diferentes.

E podia continuar nesta veborreia durante o resto do dia e o posto ainda não teria acabado. Que quero então eu dizer? Que fui um visionário? Não, até porque se fui, não fui exclusivo pois qualquer pessoa séria com dois dedos de inteligência conseguia prever isto. Quem se deixou levar pela cegueira de um ódio a um certo senhor, arrastou o país de uma situação financeira grave para uma catástrofe económica como já não havia memória. Não fui o único a avisar. Houve mais. Fomos poucos. Poucos e claramente abafados e incompreendidos.

Hoje, o país acorda para a realidade. Hoje os votantes e abstencionistas são confrontados com a dura realidade das suas decisões. A culpa de estarmos onde estamos não é deste governo. Não é sequer do governo de Sócrates como ainda ouço falar. A culpa de estarmos onde estamos é da sociedade portuguesa que anda a dormir e que vota em toda a merda que lhe aparece pela frente.

Agora que luz ilumida a cegueira de muitos, agora que se vislumbra uma quebra da apatia e letargia social espera-se também que se tenha aprendido com os erros do passado. Espera-se que, como na Islândia, por exemplo, se exija responsabilidade a quem governa e a quem se propõe governar. Espera-se também que, na hora voto, não se vá trocar um Coelho por um Seguro pois será mais do mesmo. Espera-se, sobretudo, que não se tomem mais decisões sem o uso da consciência e razão das quais temos uso fruto (sem imposto).

Ao acordar, espero eu, que os membros da sociedade desta República não escolham viver noutro pesadelo.

A língua portuguesa confude-me...



Em relação às novas regras que, pelos vistos, darão aos Recibos Verdes subsidio de desemprego faz o jornalista do DN a seguinte citação:


Agora pergunto-me, se não é para os actuais desempregados e para as pessoas que estão actualmente empregadas, é para quem? 
Fico na dúvida se foi o jornalista que não soube explicar nos míseros parágrafos que dedicou a isto, o que não me surpreenderia, ou se é o Ministro que, numa tentativa de ficar bem na fotografia, o que queria dizer era mesmo "isto é só para fazer propaganda pois só quem começar agora a trabalhar é que, daqui a 12 meses, poderá receber alguma coisa. Já agora, acrescente-se que à questão dos recibos verdes, estão outra bonificações no subsidio de desemprego para os demais trabalhadores. 

Ou seja, altera-se a lei, cumpre-se com a troika e fica-se bem na imagem. Como cereja em cima do bolo fica o facto do governo só ter que pagar alguma coisa em 2013, já mais para o fim do mandato onde já não terá de se preocupar tanto com o deficit/austeridade, mas sim com as próximas eleições legislativas.

Fico portanto na dúvida se é o jornalista que não sabe português ou se é o Ministro que anda a fazer campanha eleitoral antecipada (à bom estilo CDS das feiras e dos submarinos) ou ainda se é um pouco das duas.

A notícia pode ser consultada clicando na citação acima transcrita ou aqui.

30 anos de ganância...


Pois e tal... Afinal não por haverem mais juízes, médicos, professores e outros altos quadros que a média de salários no público é mais alta que no privado... Quando isto acontece, basta fazer contas para se perceber que o Estado só podia ter um caminho: o da falência.

Imaginem uma família de quatro pessoas, os pais e dois filhos. Os pais ganham os dois 100€. 50€ vão para as necessidades básicas e o restante é para distribuir pelos membros da família para os seus gastos pessoais, ou seja, 12,5€ para cada um. Agora imaginem que os filhos gastam constantemente 20-30€ por mês. O que vai acontecer? A família vai à falência pois os pais não ganham para sustentar os filhos.

No Estado é a mesma coisa. Quando no privado se ganha menos e se tem que pagar mais para o sustentar o público o resultado é a falta de liquidez a dada altura. Ou o Estado está dotado de meios lucrativos, nomeadamente empresas públicas lucrativas que transferem os seus lucros para o Estado e assim se consegue equilibrar as contas, ou o Estado tem que pagar o mesmo que se paga no privado. Caso contrário, cria-se um Estado que sorve os recursos do privado o que só leva a que ambos fiquem sem dinheiro.

O problema não é de agora. O problema não é dos funcionários públicos. O problema não é da produtividade do privado. O problema é da cambada de inaptos que nos dirigem há 30 anos, quer no público, quer no privado e de quem votou neles.

O difícil agora é explicar às pessoas que por culpa de má gestão, ou gestão danosa mesmo, agora vai tudo corrido a cortes.

Resolução de Ano Novo

 
Agora que se aproxima um ano novo, eu decidi tomar umas certas medidas a nível pessoal, a bem da minha sanidade mental. Tipo, resoluções de Ano Novo. Nomeadamente, vou escrupulosamente restringir com quem falo e onde comento aqui na internet e, posteriormente, na vida real também.

Não me resta outra opção. 

Mais do que isso, irei restringir seriamente por onde deito as vistinhas de modo a nem sequer me sentir tentado em comentar. Quando tiver algo para dizer, passarei a fazer um post sobre o assunto. Mas não andarei mais por ai, na net ou na vida real, a tentar explicar à generalidade das pessoas o que se passa. Não perderei tempo a retorquir imbecilidades alheias. Não perderei tempo, nem paciência, a tentar explicar a imbecis porque é que agora estão a ser chupados financeiramente. Não perderei tempo a mostrar a outro tipo de imbecis porque é que andam enganados. Não me meterei mais em conversas imbecis com gente imbecil que só levam a filosofias baratas cheias de cegueira e ignorância.

Isto porque tal é um exercicio desgastante para mim e inútil para os imbecis. Eu fico psicologicamente exausto, stressado por vezes até, e os imbecis, no final, continuarão alegremente imbecis. 

Até porque, repare-se, para explicar a um imbecil ignorante o porquê de ser imbecil ignorante, muitas vezes é preciso baixar-se ao nível deles. Como não tenho jeito nenhum para fazer de imbecil ignorante, caio no ridículo de entrar no campo do inimigo e, como resultado, desgasto-me de ouvir tanta imbecilidade junta sem forma de responder na mesma moeda porque, como antes disse, falta-me esse talento.

Outro dia, vindo directamente da Noruega, chegou-me à frente das vistas uma fantástica frase que resume bem o meu problema. Dizia a frase qualquer coisa como, "Never argue with idiots! They bring you down to their level and beat you with experience!".

A partir de agora, irei limitar muito onde e como comento. Não estou para aturar gente louca nem, tão pouco, gente que me vem tentar dar lições, repetindo hoje coisas que eu disse há anos atrás. Escuso-me a estas tristes imbecilidades e outras do género. Escuso-me a tentar fazer cegos verem e surdos ouvirem.

É tempo perdido.

The truth


Não deixa de ser surpreendente que eu, um europeísta, vá buscar e citar um eurocéptico para justificar que esta Europa está, de facto, morta.

A culpa é sempre do vizinho...





Parece-me ilógico, insensato e, até mesmo, irresponsável dizer semelhante coisa até porque não nos podemos esquecer dos maus professores. Não adiante negar esta evidência. Eles existem. Eles andam aí a dar aulas a fingir que sabem. Professores, do público ou privado, há que teriam mais vocação para padeiro ou merceeiro do que para transmitir conhecimentos, seja a quem for.

Negar isto, é negar a realidade e, consequentemente, andar sempre a tratar de não-problemas e falhar em resolver os verdadeiros problemas do Ensino em Portugal.

Quero dizer com isto que a culpa é inteiramente dos maus professores que por aí andam a conspurcar a profissão e mentes de alunos? Não! Obviamente que não e quem ousar tal dizer das minhas palavras acusarei de má-fé, falta de seriedade e, se calhar, ainda acusarei de se ter sentido atingido pessoalmente.

Escusar-se-á também de tentar inferir que estou a querer dizer que a maioria dos Professores é notoriamente incompetente. É mesmo escusado até porque recuso essa ideia por completa. Que há maus professores, há. Que eles são mais do que é aceitável ou tolerável? Sim, isso também se pode dizer que digo. Se digo que são todos ou que estes são a maioria? Não!

Este problema de docentes inaptos a leccionarem é um dos problemas do Ensino. É um problema grave que importa resolver, tal como importa resolver os "outros". Negar este é mentir, antes de mais, a nós mesmos. É negar a realidade ou desconhecer por completo o que se passa para além do seu jardim.

Os problemas só se resolvem quando encararmos a realidade. Quando formos honestos, em primeiro lugar, connosco.

Mais acrescento: a frase acima transcrita, quer dizer (inadvertidamente, quero eu pensar) que os alunos são, por defeito, mal comportados e preguiçosos. Também os há, é certo. Contudo, implicar que são todos ou a maioria é, no mínimo, intelectualmente desonesto, isto para não dizer mesmo insultuoso.

Num momento em que tudo e todos mentem descaradamente, importa que se evite ao máximo este género de demagogias. A honestidade e a capacidade para encarar a realidade são, cada vez mais, cruciais para o sair de toda esta merda em que nos metemos e nos meteram.


Grupos de trabalho com conclusões pré-definidas



Como em grande parte de tudo que este PSD e CDS fizeram, desde a sabotagem do último governo, passando pelas eleições até ao seu [des]governo, também na questão do serviço público há má fé. Era óbvio que em todos os grupos de trabalho que este governo instituiu, as decisões já estavam tomadas à partida.

No da RTP, houve gente que, aparentemente, não gosta de ser feita palhaça e bateu com a porta na cara do Ministro e do Governo. Os meus parabéns às pessoas em causa. Pena que a grande parte das pessoas se venda facilmente.

Uma vez comunista, para sempre comunista!



"Doméstico é tudo o que está dentro da zona da moeda única. A Grécia já não pode decidir sozinha se quer ou não realizar um referendo", disse Merkel, na entrevista que a DPA hoje publicou em língua inglesa.

Esta senhora anda claramente confundida acerca do tempo e do espaço onde está. Confunde a UE com a sua pátria que era a antiga RDA, a Alemanha Comunista onde, de facto, não havia política interna e tudo era ditado pelo Grande Irmão Soviético. Por favor, recambiem-me estes ex-comunistas deslumbrados com o capitalismo neo-liberal para a sua terrinha ancestral porque é lá que eles estão estão bem!

Uma vez comunista, para sempre comunista!