O estado patético dos pacóvios de Portugal

Já há muito tempo que sabia que os portugueses têm a cabeça, essencialmente, para criar cabelo. Já sabia que o bom senso tinha partido desta terra para outras paragens há já uns séculos. O que ainda não me tinha apercebido é que, salvo uma muito pequenina percentagem da população, o país estava completamente louco. Dos políticos ao toxicodependente ali da esquina, passando por ricos e pobres, trabalhadores e preguiçosos, funcionários públicos e privados e por aí fora, endoideceu tudo.


Uma rápida olhadela aos comentários das versões online dos jornais nacionais e percebemos que ninguém sabe o que diz. Desde o insulto descabido ao comentário que apela ao ódio, não se sabe bem por quem ou porque, passando pelos pedidos de revoluções e morte de alguém, aparece tudo. Todos pedem alguma coisa sem perceberem bem no ponto que nós estamos. Infelizmente os comentários do "zé povinho" não são diferentes dos empresários, sindicatos, partidos políticos e do próprio governo. Todos acham que têm razão e que o seu quintal é mais importante que o do vizinho. Esquecem-se que os quintais todos juntos são de todos e é isso que faz um país.

Reparem, o governo aumenta impostos e corta nos salários, segurança social, reembolsos de IRS e por aí fora, para cobrir as asneiras dos últimos 30 anos. Neste tempo, fez-se de tudo por cá, como se fossemos um país com as reservas petrolíferas da Arábia Saudita ou como se estivéssemos todos sentados numa mina de ouro. Fizemos um CCB que custou, certamente, rios de dinheiro para uma presidência da europeia que duraria uns mesitos. Depois vieram duas capitais europeias da cultura onde se gastou milhões (Lisboa e Porto) e outras tantas por esse país fora que de pouco serviram salvo para gastar. Expo 98 e Euro 2004 onde se gastou mais do que aquilo que se foi buscar salvo a publicidade internacional que também não me parece ter servido muito por ela própria. Entretanto já pensamos em construir um novo aeroporto para a nossa ilustre capital e um TGV que, ao fim e ao cabo, não se sabe bem como vai ser pois ninguém se entende. Nos entretantos, construímos auto-estradas para todo o lado e para lado nenhum. Maravilhem-se que, e que me desculpem os insulares, até as ilhas com o seu [pouco] peso populacional, tráfego e área, têm direito a elas. No meio disto tudo ficou esquecida Bragança que, nem comboio (quanto mais TGV), nem auto-estrada. Também, quem é que precisa ir para lá? Aquilo fica lá nos confins do mundo da perspectiva de Lisboa. Os habitantes de Trás-os-Montes que se lixem.

Mas aqui podíamos pensar que o mal estava no governo e governantes. Pois... Talvez noutro lado, mas em Portugal não. O povinho continua a gastar como se estivesse tudo muito bem na vida. Em Lisboa, margem Sul, para além de um metro que tem o buraco financeiro que tem, ainda querem agora uma Ponte 25 de Abril sem portagens e, mais crucial, uma outra ponte pois os transportes que há não chegam. Barcos, comboios, autocarros para nada servem. O popó é que tem de ter sitio para circular e de graça. De preferência que se construam parques em todo o lado por forma a se poder estacionar à porta do trabalho. Os carros topo de gama continuam por aí a circular como se nada fosse.

As casas com rendas de 1000 € para cima, segundo me consta, também desaparecem num piscar de olhos. Os centros comerciais continuam a abarrotar nos fins-de-semana (e à semana também). Os hipermercados e supermercados não se queixam das quebras de vendas.

Os telemóveis (os topo de gama) continuam a desaparecer. Ainda outro dia, numa qualquer Worten, estava lá um grupo de jovens na casa dos seus 20s e poucos, com ar de quem vive do RSI ou NO e pediram para ver um telemóvel que custava, nada mais nada menos que 349€. A cara da vendedora só não conseguiu ultrapassar a minha própria perplexidade.

Os pacotes de Internet, TV por cabo ou fibra e todas essas coisas bonitas continuam a ter saída. Não sei se já contei aqui o caso da senhora que falava com o meu pai sobre os problemas financeiros que tinha. Segundo ela, nem sequer tinha dinheiro para comprar comida. O interessante disto é que a conversa foi feita pelo MSN com a dita em casa. Bem, para dar de comer as filhos não tinha mas lá para pagar Internet já havia. 

E podia continuar mas fico-me por aqui que isto já vai longo. Resumindo, o mal de se gastar o que se tem e não se tem é nacional e não do governo. Nesse ponto, até se poderia perguntar: se todo o santo português gasta o que tem e o que não tem só para dar nas vistas ao vizinho, porque não pode o governo fazer o mesmo?

No Magalhães Lemos há gente mais sã do que aquela que anda por estas ruas deste galinheiro à beira-mar plantado. Se se fossem todos tratar é que faziam bem. Arre!

1 comment:

vmrp said...

Atenção que ninguém vai pó Magalhães Lemos, não queremos gente dessa cá... kê isso?! shô