Críticas a Inglês facultativo no 1.º ciclo - Portugal - DN


Críticas a Inglês facultativo no 1.º ciclo - Portugal - DN

"Professores do 5.º ano dizem que alunos chegam com níveis distintos, e defendem integração no currículo.

O programa que oferece a disciplina extracurricular de Inglês aos alunos do 1.º ciclo está a produzir "enormes discrepâncias" nos níveis de conhecimento alcançados pelas crianças."

Pois... pior é mesmo quando, ao fim de 6-7 anos de aulas de Inglês no ensino obrigatório público, os alunos ainda mal conseguem fazer uma única frase nesse idioma. Pior é quando se chega a uma faculdade e se tem um Inglês ao mesmo nível daquele que se tinha quando se começa a aprender a língua.

Peço desculpa pelo que vou dizer agora mas a questão do ensino de Inglês, por me tocar de perto, é bem mais grave do que esta patética tentativa de atirar agora os problemas no ensino e aprendizagem da língua para o ensino precoce ou falta dele. O ensino primário pode ser a fonte de muitos problemas mas este argumento deixa de ter qualquer validade quando, no final do Ensino Secundário, os alunos continuam a não saber falar a língua ao seu nível mais básico.

O problema do Inglês não está nestas discrepâncias de conhecimentos. Em todas as turmas há sempre um aluno que sabe mais que outro e vice-versa. Todos os anos os professores de línguas, neste caso da de Inglês, têm de se adaptar à realidade dos alunos que têm. É sempre difícil, por vezes chega mesmo a ser impossivel, conciliar as coisas de modo a que os mais fracos possam acompanhar as aulas sem prejudicar aqueles que mais sabem. No entanto, isto é a realidade do ensino e quem não sabe lidar com isto então, mais uma vez me desculpem pela frontalidade, não devia ter ido para professor.

Por experiência própria posso dizer que, um dos principais problemas dos professores desta língua (e de outras também) é a sua falta de conhecimentos da mesma. A grande parte dos professores não leccionam a disciplina da língua fazendo uso do próprio idioma e não do idioma materno. Nem sequer se preocupam com tal coisa. Penso muito honestamente que há uma grande parte de professores de Inglês que não o devia ser. Não é que não tenham capacidades para ensinar do ponto de vista pedagógico mas falta-lhes o conhecimento da língua.

Quando um professor mistura American English com British English ou simplesmente não sabe sequer pronunciar as palavras direito nunca conseguirá ensinar ninguém. Aqui parece-me estar o cerne da questão. Talvez fosse bom todos porem a mão na consciência e ter a decência de saber se sabem ou não o suficiente para ensinarem. Chega de atirar com as culpas para tudo que está antes.

Com isto não quero dizer que a culpa esteja inteira e exclusivamente do lado dos professores. Tal seria faltar à verdade. À semelhança do que se passa no demais sistema educativo Português, a cultura do laissez-faire, onde nada é exigido a ninguém, tem as suas culpas. O ensino do Inglês padece dos mesmo males do ensino de, por exemplo, matemática. Ambos exigem um trabalho árduo e diário pois ambos requerem um forte grau de memorização ou, se calhar melhor, interiorização. Quando isso não acontece, não há professor que safe seja que aluno for.

4 comments:

adolescente gay said...

Olá!!
Vou já comentar o teu texto:
TENS TODA A RAZÃO!
Tens mesmo!!!!

Eu sou 'desses alunos'. A minha unica nega é Inglês e não sei se vou acabar com o decimo ano de ingles este ano.... 'rezo' que sim (embora saiba que, não ha reza que me salve, se não for a estudar!)!!
E sim, tive pessimos professores!
No meu 5ºano, tinha uma professora que se (desculpa-me) cagava para nós. No 6ºano, tive 4 professoras e um mês sem aulas....
Conclusão, fiquei sem bases!!!
Admito, desde o 7ºano tenho tido optimos professores, mas, não fazem milagres....
E se queres saber, não faço a minima ideia como tenho passado estes anos todos a Inglês... sinto que não sei nada.....
Sei que é triste ler isto, mas é ainda mais triste dize-lo.
Provavelmente, vou ter me frequentar aqueles cursos de Inglês que há para aí, para conseguir fazer a minha pior disciplina.
Verdade seja dita: não gosto de Inglês. Provavelmente 'trauma', mas a verdade é: sou um pessimo aluno a Inglês e concordo inteiramente com o teu texto!
E, tive professores, que não sabem distinguir entre os dois 'Ingleses' (o Americano e o Britanico)....

Agora, o que me levou aqui:
Obrigado. Sim, diferente. Na verdade, sinto-me mais à vontade em escrever assim xD, mas dificilmente irei repetir no meu blog.
Sim, problema serio e espero que a 'mensagem' seja entregue ao's destinatário's :D

Um Abraço!!

Elenáro said...

Infelizmente a tua "crónica" é uma que eu ouço e vejo muitas vezes. Vezes demais.

Pior do que isso, também me lembro dos meus tempos da escola. Sei dos métodos com que se ensina Inglês e sei das falhas do sistema. Infelizmente, aprender uma língua é mais que coleccionar vocabulário e regras de gramática. Aprender uma língua é aprender a cultura dela. Mais que saber falar é preciso conhecer a língua.

É como uma música. É preciso a letra mas também o som. Sem este último não há musica.

Em@ said...

Elenáro:
Concordo 100% contigo no que referes no post, mas deixa-me dizer-te que existem no mesmo lacunas.Para além dos problemas apontados tens que olhar para os outros. houve uma mudança muito grande na maneira como se leccionam as línguas (o mesmo se passa com a LP, e aí com certeza não se põe o problema da pronúncia...)Eu aprendi línguas (4) com muita memorização, muita cantoria, muita audição e muita repetição. Na faculdade fazia ditados..cantava os verbos de trás para a frente e ainda hoje os sei de cor-e-salteado, decorava vocabulário e usava o dicionário - mas para isso é preciso saber o alfabeto, certo? a maioria dos alunos chega ao 2º ciclo e não o sabe de cor muito menos utilizar um dicionário.O facilitismo nunca deu bom resultado, Elenáro...

Martins said...

O "facilitismo" é uma moeda e como tal tem duas faces...