Cavaco no seu melhor

Foto de Osvaldo Gago
 
Já sabíamos que tínhamos um Presidente da República birrento que, quando lhe tiram os chupa-chupas, vem para a TV fazer queixa à mamã e ao papá. Também já sabíamos que o Senhor Presidente gosta muito de falar para as objectivas e falar muito mas dizer muito pouco, especialmente coisas úteis.

Durante a campanha eleitoral, ficamos deslumbrados com os mexericos de bastidores usados pelo PSD para sacar mais uns votos. Mais tarde soube-se que afinal o problema começou todo na residência oficial da Presidência da República e que Cavaco demorou muito até perceber que alguém tinha de ser demitido.

Mais recentemente, tivemos a conformação de que Cavaco acha que é Rei de Portugal e não Presidente e que tem sérios problemas em saber onde acaba a sua família e onde começam as suas funções oficiais.

A última novidade vinda daqueles lados, foi o país ter descoberto que tem um Presidente da República que é capaz de por de lado os seus valores, concorde-se ou não com eles, só para não ter que ser forçado a assinar um papel. No casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois de ter estado ao lado do Papa e deste ter-se imiscuído nos assuntos internos do país enquanto Chefe de Estado (foi nessa qualidade que ele veio a Portugal), Cavaco ignora o que o seu chefinho diz, ignora os seus valores e tudo aquilo que disse acerca disso, inventando a patética desculpa de que tem que assinar a lei por causa da crise... Começo a perceber porque Católicos andam tão preocupados com a falta de valores. De facto, se se olharem ao espelho muitas vezes são capazes de ficarem com essa ideia. Pena que ninguém lhes diga que os espelhos apenas dão os nossos próprios reflexos e que, portanto, a falta de valores não é da sociedade mas sim do mundo Católico que os apregoa e não os pratica.

Enfim, por último, a propósito do funeral de José Saramago, tivemos a confirmação de que Cavaco não bem o que é ser Presidente da República e a que é que está obrigado a fazer por protocolo ou por Lei. Num funeral de estado, Cavaco, Presidente da República, órgão máximo do Estado Português tem de lá estar a marcar passo, quer goste ou não. Mais uma vez, este senhor que ocupa o referido lugar, insiste em não saber onde acaba a sua vida pessoal e as suas patéticas quezílias pessoais e onde começa a sua Presidência.

Goste-se ou não daquilo que Saramago escrevia, concorde-se ou não com o que ele dizia, a partir do momento que se marca um funeral de Estado, há que cumprir com o protocolo que é para isso, na pior das hipóteses, que os Portugueses lhe pagam o salário; para representar o Estado e o Povo Português e não para convidar Papas e tirar fotos com a família Silva.

É uma pena que ainda haja alguém que acha que Cavaco é competente seja par ao que for. Talvez no passado possam ter razões para ter pensado isso. Eu nunca o achei e agora é dolorosamente óbvio que Aníbal Cavaco Silva já está fora do seu tempo e que nunca deveria ter sido eleito Presidente da República. Esperemos que haja juízo do Zé Povinho que vota e que nas próximas eleições escolham outro. Pior não é possível por isso já digo que qualquer um serve para o lugar. Pior não conseguirá fazer.

5 comments:

Lelé Batita said...

Apoio 200%. Esta ausência prende-se com o facto de Saramago ter sido um ateu e a Maria dele é uma beata. Sousa Lara era do PSD.
Só isso importou e não o facto de se tratar de um funeral de Estado.

Elenáro said...

Penso que houve mais que isso, Lelé. Mas mesmo que tenha sido só por isso, o facto mantém-se... Foi mais uma situação lamentável de alguém que devia ter mais consideração pelo cargo que ocupa.

Joaommp said...

Para mim o Saramago devia era ter sido enterrado em espanha e a ser funeral de estado teria sido um funeral de estado em espanha. Faltou lá foi o D. Juan, não foi o Cavaco. Desculpa, mas não tenho grande respeito pelo senhor. O Saramago pode ter ganho o Nobel, mas no que toca à sua relação com este país, deixou muito a desejar.

Elenáro said...

Joao

Sabes bem que eu não sou fã do Saramago mas não posso concordar com o que dizes.

Repara, tu dizes que a sua relação com o país deixou muito a desejar. Não terá sido antes o país que deixou muito a desejar a Saramago?

Tu sabes porque é que ele foi viver para Espanha não sabes? Sabes porque é que Espanha acabou por o acolher de mãos abertas?

Desculpa mas o que se passou com Saramago é uma história demasiado banal. Portugal trata os seus cidadãos como lixo e depois admira-se que eles saiam daqui para outras paragens ficando depois a roer-se de inveja por lá fora eles terem tido sucesso.

Ou seja, impede-se que as pessoas cá sejam livres de serem o que podem ser e depois ainda culpamos as mesmas por lá foram serem tudo o que conseguem ser.

Desculpa João, mas acho que estás a deixar a tua opinião sobre Cavaco influenciar decisivamente a clareza do teu raciocínio.

Saramago, gostando-se ou não dele e do que ele escreve (e eu até nem gosto), foi obrigado a sair do país para sobreviver. Cá teria sido mais um pobre miserável. Lá fora foi uma águia a quem deixaram voar e que ganhou um Nobel.

Deixemos os nossos preconceitos de lado e reconheça-se que o que se passou com Saramago não foi culpa do homem mas culpa do país. Como tal, quem até deveria de estranhar ele ainda se dignar a falar para Portugal seriamos nós.

Por contraponto tens Cavaco Silva que, tirando a sua posição como Professor, nada de relevante tem a apresentar no curriculo salvo cargos públicos os quais não é unanime que os tenha desempenhado bem.

No presente, Cavaco tem provado o quanto mau Presidente é confundido as suas funções oficiais com a sua vida pessoal.

Dado o mau ambiente entre o Presidente e Saramago podes alegar que seria hipócrita de Cavaco lá ter estado. Eu respondo-te que concordo. No entanto, ele estaria lá como Chefe de Estado e não a título pessoal logo não haveria nada a apontar desse ponto e só más intenções poderiam alegar isso.

Joaommp said...

Acredita que não tem nada a ver com o Cavaco. Também pelo Cavaco já tive mais respeito. O que disse sobre o Saramago não tem nenhuma outra influência senão a minha opinião de há já vários anos sobre o senhor, muito anterior a qualquer situação partidária.