Mais impostos: sim ou não, eis a questão!

Estava a "folhear" a edição online do Público quando me deparo com a noticia de que Sócrates não se compromete com mais aumentos de impostos ainda este ano

De tal maneira fiquei chocado que a vista se me desfocou por uns segundos e tive que reler aquilo para ver tinha lido bem. Infelizmente tinha. 

O que me pergunto agora, é se esta gente que nos [des]governa tem a sua massa cinzenta perfeitamente obstruída com... Pois, é melhor não dizer. Disse-o aqui e volto a dizer. Num país onde os salários são maioritariamente baixos, onde os salários médios e altos estão na função pública e nuns quantos (poucos) quadros superiores de algumas empresas privadas, faz sentido aumentar os impostos? É óbvio que não e só alguém perfeitamente embrutecido intelectualmente pode pensar que as soluções para o país passam por estas medidas. PS e PSD fizeram asneiras consecutivas de cumulativas desde o tempo dos grandes e maus investimentos de Cavaco até às novas megalomanias de Sócrates. Agora, com a corda ao pescoço e comprometidos com tantos tentam que sejam as gentes não comprometidas a fazer o esforço.

O resultado da subida de impostos só trará ainda mais crise para o futuro. Subir impostos a quem pouco dinheiro tem só agravará a sua situação ao ponto que se pode tornar insustentável viverem sem apoios dos estado. É um caso da célebre pescadinha de rabo na boca. Tira-se de um lado mas terá que se dar por outro ou então condenar as pessoas a um estado de pobreza extrema. Por outro lado subir impostos a uma classe média totalmente já desfalcada e diminuta ou que é parte do problema, ou seja, a função pública, também não resolverá a crise. A classe média é a classe do consumo das massas. Se lhes tiram o dinheiro eles deixam de comprar. Se deixam de comprar as empresas não vendem... e por aí fora. Conclusão estamos como o caso do barco que tem cinco furos no chão e o tripulante só tem membros para tapar quatro. Enquanto vai saltando de buraco em buraco para impedir que a água entre por um, rapidamente a água passará a entrar por outro. É o tapa e destapa e o problema mantém-se; o barco continua a afundar.

Portugal, parece-me cada vez mais estar numa situação semelhante. O que importava fazer não se faz pois tal implica mexer em interesses instalados contra os quais ainda não apareceu nenhum Cristo com coragem para os enfrentar. Enquanto isso vamos afundando lentamente. 

Outro dia, em conversa disse que chegará o dia que compensará mais estar em casa sem receber/trabalhar do que andar a trabalhar. Porquê? Simples. Se no trabalho se ganha 100 e desses 100 o estado come 60 e os restantes 40 vão para transportes e afins, então chega-se ao fim do mês sem dinheiro. Entre trabalhar para pagar impostos, e nada nos ficar, e não trabalhar mais vale estar quieto em casa calmamente apodrecendo.

Mas pronto, nos entretantos, não nos resta mais senão rir quando alguém anuncia que se vai cortar 5,3% no orçamento do parlamento.

5 comments:

Vitor said...

Isto está quase no fim.
Quando há alguns anos uns velhos me diziam que os poderosos ficaram aborrecidos quando os escravos tinham acabado e que estavam espera do momento certo... é só olhar e ver o país. Acho que está tudo dito.

jad said...

Pois é, Elenáro. As contas não são difíceis de fazer. O problema é que só se pode ir buscar dinheiro onde ele está. E infelizmente são sempre os mesmos que o têm à mercê dos desvarios, da insensatez, da chico-espertice e do "logo se vê". O problema torna-se dramático quando aos-sempre-os-mesmos já lhes falta o dinheiro...

Abraço

Elenáro said...

Quando não tiveram mais, jad, também não darão mais. Aí sim, deveremos estar todos preocupados quando, já não digo "se", lá chegarmos.

Abraço.

jad said...

E não é caso para menos.

Abraço

Anabela Magalhães said...

Uma coisa é certa, Elenáro, com políticos/desgovernantes deste calibre, não nos safamos.
Excelente fim-de-semana!