Cinco milhões de portugueses vivem do dinheiro do Estado - JN

 
Cinco milhões de portugueses vivem do dinheiro do Estado - JN

 Segundo as contas do JN, então temos 5 milhões de pessoas a viverem à custa do estado. Vamos então lá ver quem.

3,5 milhões são reformados.
675 mil funcionários públicos.
390 mil beneficiários do RSI.
352 mil desempregados.
105 mil com subsidio de doença.

Bom. Muito bom. Agora vamos fazer outras contas.

População activa de Portugal (2009): 5,5 milhões aproximadamente. A estes retiremos os funcionários públicos, beneficiários do RSI, desempregados e os que se encontram a receber o subsidio de doença. Ficamos então com 3,98 milhões. Que sejam 4 milhões. Ora bem então temos 4 milhões a pagar os salários e subsídios de 5 milhões. Isto quer dizer que cada trabalhador que está fora do "circuito estatal" tem de sustentar 1,25 outros. Trocado por miúdos, cada trabalhador do privado sustenta os rendimentos de outro português e ainda ajuda a pagar 25% dos rendimentos de um segundo. Isto são contas feitas em cima do joelho e nem sequer estou a ter em conta o facto que, estes trabalhadores ainda têm que se sustentar a si próprios e às suas famílias. Arriscaria dizer que, cada trabalhador que está fora destes ciclos tem que sustentar pelo menos 3-4 pessoas. Ele próprio, um ou dois filhos, e os 1,25 anteriormente recebidos. 

Certo que me podem argumentar que alguns dos indivíduos na lista apresentada paga/pagou impostos. Certo. É um facto e contra factos não há argumentos. No entanto, note-se que tirando os desempregados e alguns reformados (poucos ao fim e ao cabo) é que estão a receber os frutos das suas contribuições. Um funcionário público pagar impostos é irrelevante considerando que ele acaba por estar a contribuir para a mesma entidade que lhe paga o salário e que essa entidade só tem dinheiro se houverem outros fora dela para contribuírem. 

Por isto, os únicos daquela lista contra qual não se pode dizer que estejam a mamar à custa dos outros, são a generalidade dos desempregados, alguns dos reformados e os que estão com subsidio de doença. O resto anda a viver à custa de outros. Isto tudo até nem seria tão trágico se não se pensasse no salário médio nacional o qual ronda os 800€ por mês e que estes valores não demonstram a tragédia que é se se olhar para o salário daqueles que ganham o salário mínimo, ou seja, 475€. 

Uma família com 2 filhos em que os dois conjugues ganhem o salário mínimo terão um rendimento de cerca de 1000 euros para sustentar 4 pessoas da família mais 1,25 fora dela. Isto é, 1000 € a dividir por 5,25 pessoas. Per capita, isto dá 190 € a cada um. 

Por estas razões todas, seria bom, mas mesmo muito bom que aqueles pensionistas que têm reformas superiores ao salário médio nacional, tivessem um pouco de tento quando se queixam das mexidas nos valores das mesmas. Não se pode esquecer que um reformado já não tem (regra geral) filhos para sustentar nem despesas de deslocação para o emprego e tudo o que isso acarreta. Em geral, também já terão a casa paga. Assim sendo, os 800 € de salário médio é mais que suficiente para se poder gozar de uma boa velhice. Ver gente com reformas acima dos 1000 euros parir queixas como se lhe tivessem a roubar o pão da boca é gozar com quem trabalha. Têm problemas com o número de contribuintes hoje? Bem deviam ter pensado nisso enquanto andaram a trabalhar e tiveram idade para terem filhos. Agora é tarde e faziam bem em aceitar os erros do passado com mais dignidade do que andar por ai a pedir mundos e fundos. 

Também seria bom que os funcionários públicos pensassem que se continuarem a exigir que outros lhes  paguem mais e mais, um dia a fonte secará e não só não terão aumentos como ainda poderão ter reduções. Já estão a ter um cheirinho do futuro que lhes (nos) espera mas em vez de ganharem juízo e  conterem-se agora um bocadinho para no futuro poderem continuar a ter as mesmas regalias não. Sugam tudo até ao tutano. Isto ainda é mais patético se se tiver em conta que os salários da função pública hoje em dia são bem melhores que a generalidade dos do privado. 
Finalmente, era urgente acabar com a patética coisa do RSI ou de facto fiscaliza-lo convenientemente pois é, no mínimo, injusto para todos os que trabalham, funcionários públicos ou não (sendo ainda mais injusto para os segundos) terem que andar a sustentar os vícios de outros.

Mas pronto. Enquanto todos tentam a todo o custo que a vaca magra continue a dar o mesmo leite, esta continua a definhar. Um dia morrerá. Nesse dia, nem reformas, nem salários altos nem baixos, nem nada. Rir-me-ei quando e se esse dia chegar. Não se ganhe juízo e não se volte a ganhar noção da realidade das coisas que iremos todos alegremente a caminhar para a tragédia. E olhem que não será Grega.

12 comments:

Miguel Loureiro said...

Elenáro
Até que enfim que cá volto e não é por me seguires onde agora ando.
Estava tentado a comentar a notícia que comentaste e como sempre estou aqui para discordar.
1. Os Funcionários Públicos Trabalham e é por isso que ganham;
2. Os Reformados, trabalharam e descontaram;
3. os doentes não têm culpa;
4. os desempregados, também não são culpados da crise dos Financeiros do sistema;
5. Os funcionários do Privado, vivem da repartição das mais-valias do que produzem e de todas as taxas que o preço dos produtos englobam (publicidade, roubos, etc...)
6. Nas tuas contas, faltam os milhares de milhões que o Estado retirou dos funcionários públicos e privados (impostos e taxas) para o ricalhaços do sistema bancário, que é muitíssimo superior ao que se veio apregoar.
E se se veio apregoar, cuidado que vem aí coisa, para não dizer outra coisa:
http://rcpvarzim.blogspot.com/2010/04/estrategias-da-manipulacao.html

Obrigadaço!

Elenáro said...

Olá Miguel.

Concordando ou discordando, és sempre bem-vindo. E não me importo nada que discordem de mim. Na discórdia cresce-se e aprende-se.

Amanha respondo-te ao teu comentário conforme deve ser. ;) Vais perceber que o meu raciocínio neste caso não se prende com ser contra a alguém mas sim apenas por um racionalismo extremo que penso que falta na sociedade hoje em dia.

Um abraço!

P.S.: Sei que ainda não disse nada no teu canto mas, de facto, não tenho andado muito por este mundo da Internet.

Miguel Loureiro said...

Elenáro
Não é preciso retribuir a visita para se manter a relação.
Há um raciocínio básico, que temos que ter subjacente a qualquer dissertação sobre o "tema" extemporâneo, porque quem gasta mais é o Estado e é este:
A notícia: "5.000.000 de portugueses vivem do dinheiro do Estado"
A realidade: "O Estado vive do dinheiro de 10.000.000 de portugueses e não lhe basta"

Elenáro said...

O amanhã tardou. eheheh

Bem, Miguel, em relação ao teu primeiro comentário, eu não estava a entrar pela questão se saber se os funcionário públicos trabalham ou não. Nem disse que os desempregados têm culpa e muito menos os doentes.

O que eu disse e mantenho é o seguinte. O funcionalismo público consome demasiada riqueza nacional do que aquela que gera. Ninguém se importaria de pagar impostos se depois tivesse o beneficio deles. O problema é que, em Portugal, o privado paga impostos até dizer chega e o que vê é o seu dinheiro ser gasto em salários. O retorno que se devia ter, saúde, educação, esse não se vê.

Em todo o caso, a lógica económica pura e dura para o que eu disse é simples. O dinheiro que o Estado tem é aquele que é, na sua maioria, cobrado em impostos a quem gera riqueza em Portugal. Aqui não há volta a dar. Não faz parte do Estado gerar riqueza nem tão pouco convém que o estado tenha esse papel. Por isto mesmo, se se está a retirar dinheiro que gera riqueza para alimentar uma máquina que cada vez parece crescer mais e precisar de mais recursos para cada vez menos fazer à sociedade, algo está mal. Um dia rebenta pois o Estado não pode aumentar impostos, directos ou indirectos, indefinidamente.

A riqueza gerada tem limite e no dia que o Estado precise mais do que o país (o privado leia-se) gera, é o dia que ele entra em colapso. Aqui não há volta a dar e nem sequer importa pensar se os funcionários públicos trabalham muito ou pouco, bem ou mal.

O facto é que o Estado tem funcionários a mais para os serviços que presta, quer em qualidade quer em quantidade.

Queres um exemplo claro? Olha para as Universidades. Tens lá professores catedráticos a ganhar rios de dinheiro e que nada fazem. Por contraponto, tens os professores que nem na carreira estão e se for preciso, trabalham como escravos só para não virem parar ao olho da rua.

Agora perguntas tu, então não interessava se os funcionários públicos trabalham muito ou pouco, bem ou mal e vem-me este falar que há gente no Estado que nada faz? Sim e não. Digo isso mas não é para começar com essa questão. É para chegar ao ponto que, se o dinheiro que o Estado gasta com catedráticos e esses belos tachos da função pública fosse redistribuído dentro da função pública para quem merece... Se calhar os problemas eram menores.

Elenáro said...

O amanhã tardou. eheheh

Bem, Miguel, em relação ao teu primeiro comentário, eu não estava a entrar pela questão se saber se os funcionário públicos trabalham ou não. Nem disse que os desempregados têm culpa e muito menos os doentes.

O que eu disse e mantenho é o seguinte. O funcionalismo público consome demasiada riqueza nacional do que aquela que gera. Ninguém se importaria de pagar impostos se depois tivesse o beneficio deles. O problema é que, em Portugal, o privado paga impostos até dizer chega e o que vê é o seu dinheiro ser gasto em salários. O retorno que se devia ter, saúde, educação, esse não se vê.

Em todo o caso, a lógica económica pura e dura para o que eu disse é simples. O dinheiro que o Estado tem é aquele que é, na sua maioria, cobrado em impostos a quem gera riqueza em Portugal. Aqui não há volta a dar. Não faz parte do Estado gerar riqueza nem tão pouco convém que o estado tenha esse papel. Por isto mesmo, se se está a retirar dinheiro que gera riqueza para alimentar uma máquina que cada vez parece crescer mais e precisar de mais recursos para cada vez menos fazer à sociedade, algo está mal. Um dia rebenta pois o Estado não pode aumentar impostos, directos ou indirectos, indefinidamente.

A riqueza gerada tem limite e no dia que o Estado precise mais do que o país (o privado leia-se) gera, é o dia que ele entra em colapso. Aqui não há volta a dar e nem sequer importa pensar se os funcionários públicos trabalham muito ou pouco, bem ou mal.


(cont.)

Elenáro said...

(cont.)

O facto é que o Estado tem funcionários a mais para os serviços que presta, quer em qualidade quer em quantidade.

Queres um exemplo claro? Olha para as Universidades. Tens lá professores catedráticos a ganhar rios de dinheiro e que nada fazem. Por contraponto, tens os professores que nem na carreira estão e se for preciso, trabalham como escravos só para não virem parar ao olho da rua.

Agora perguntas tu, então não interessava se os funcionários públicos trabalham muito ou pouco, bem ou mal e vem-me este falar que há gente no Estado que nada faz? Sim e não. Digo isso mas não é para começar com essa questão. É para chegar ao ponto que, se o dinheiro que o Estado gasta com catedráticos e esses belos tachos da função pública fosse redistribuído dentro da função pública para quem merece... Se calhar os problemas eram menores.

Elenáro said...

Deixo-te esta noticia a titulo de exemplo e nem de propósito.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/economia/vice-do-psd-acumula-reformas

Elenáro said...

Esqueci-me de dizer que concordo inteiramente contigo no último ponto (o sexto).

Miguel Loureiro said...

Elenáro
Desculpa só vir agora, mas:
O público é que paga impostos? O que nós 2 e mais todos os portugueses sabem, é que o público foge aos impostos e aos salários e às obrigações nos despedimentos. Os funcionários públicos pagam, todos, imposto e isso sabemos.
Os serviços do Estado, não são produtivos e se tê muita ou pouca qualidade, a culpa é do patrão, que não dá formação, mas quer avaliação amalucada como é o SIADAP.
Qualidade no Privado? Em que país? Eu só atendo telefonemas de operadoras de telefone, a perguntar se quero ser cliente da empresa de que já sou. Eu até já costumo dizer, que se o privado trabalhasse tão mal como o público, isto já tinha progredido.
Sabias, que na produtividade, 18% são da responsabilidade do trabalhador e 82% da responsabilidade do Administrador, dito na minha cara e após provocação minha, por um "especialista"?
E para finalizar, quem põe o dinheirinho que falta aqui, nos off shores, sem pagar tusta de impostos? Os funcionários públicos....

Elenáro said...

Olá Miguel!

Estas a confundir produção de trabalho com produção de riqueza. Se me disseres que sem um certo grau de funcionalismo público o país não gera riqueza, aí concordo. Mas que, regra geral, o funcionalismo público não é gerador de riqueza mas consumidor dela, aqui não há outra conclusão possível.

Quanto aos impostos, é um facto que um funcionário público, regra geral mais uma vez, dificilmente consegue lhes consegue fugir. No entanto, visto que o seu salário é pago pela mesma entidade que lhes cobra os impostos, a circulação deste dinheiro é virtual pois, na realidade, dentro do estado não entra mais capital. O dinheiro salta de um lado para o outro da mesma maneira que um pai dá dinheiro ao filho e este depois lhe devolve uma percentagem. A família não fica mais rica...

Quanto à questão do desempenho do funcionalismo público vs privado, ai a questão é outra e não vou desmentir o que tu disseste. Se calhar faço um post só disso um dia destes.

Miguel Loureiro said...

Elenáro
Está bem que o Estado paga e recebe, mas o pessoal trabalha...
E os privados, que recolhem aqui as mais valias, mandam para off shores e não pagam impostos e têm as "benesses" dos que pagam? É tão simples ver o óbvio. Acabe-se com os off shores e depois conversamos.
Abraço

Elenáro said...

Miguel

Concordo. Nunca percebi a utilidade de uma offshore salvo para lavagem de dinheiro.

Abraço