Passada a euforia, a verdade

Dois casos mediáticos que eu aqui falei há uns tempos, o caso de Gonçalo Amaral, que viu o seu livro retirado das livrarias, e o caso de Manuela Moura Guedes e a sua saída da TVI.

Bem, soube hoje pelas notícias que o que disse aqui e aqui, em relação à inconstitucionalidade da recolha dos livros de Gonçalo Amaral, foi também a opinião do colectivo de juízes. Na altura, deste caso, pouco se falou na blogosfera. Pareciam que estava tudo com medo ou que se assobiava para o lado porque na altura o importante era malhar no Sócrates e isto pouco dava para isso.

Em contrapartida, falou-se muito de Manuela Moura Guedes, que meteu baixa durante um ano, andou a viver à custa dos nossos impostos e nem sequer estava doente pois foi apanhada pelos paparazzi na praia. Pior ainda, crucificou-se alguém por ter feito isto e aquilo enquanto esta senhora fazia de todos parvos e amealhava mais uns trocos, passava umas férias e ainda tinha publicidade gratuita.  Foi uma excelente época e meio de promoção da carreira, seguindo à risca a velha máxima: não importa o que dizem de mim desde que falem de mim

Diz ela agora que não fica na TVI porque não se sente bem. Pois, não deve sentir-se bem pois quem a substituiu é um jornalista a sério. Manuela Moura Guedes nem aos calcanhares conseguiria chegar-lhe.  Como se isto não bastasse, a dona, ainda tem a lata de dizer que faz parte dos milhares de desempregados!  Com o marido a ganhar o que ganha e ela com o fundo de desemprego que deve ter ou com a indemnização  que recebeu da TVI (não se sabe pois é tudo confidencial e, como tal, sinto-me na liberdade de especular à vontade) falar em "pertencer" aos desempregados é, no mínimo, insultuoso para quem anda pelas ruas da amargura que é o desemprego. 

Esta falta de bom senso foi o que realmente a levou para fora da TVI. Isto e a sua não-capacidade para ser jornalista. Quando muito ela poderia ser comentadora, agora jornalista nunca. 

Resumindo, não quero com isto atirar culpas mas antes que as pessoas pensem melhor antes de falarem e de culparem seja quem for e de pedirem sangue antes das coisas estarem concluídas e culpas atribuídas. Por muitas ingerências que tenha havido seja de quem for, o caso Manuela Moura Guedes, não foi mais do que um golpe publicitário que fez de quem a defendeu parvo.

2 comments:

Em@ said...

Elenáro,
tu sabes que eu concordo com muito do que penss e dizes. permite-me, no entanto,que discorde do que dizes em relação à baixa da MMG. Segundo o que li, ele esteve de baixa por ter tido uma depressão. não sei se sabes, mas este tipo de doença, não obriga o doente a estar retirado da circulação...antes de mais, deve, inclusivamente fazer actividades que melhorem a sua força anímica. ir à praia neste caso não é um luxo, mas sim uma terapêutica.
eu não gosto da senhora nem nunca gostei, mas isso não me leva a fazer juízos de valor em relação a uma doença que é muito dolorosa e pode ter um desfecho imprevisível.

quanto ao estar desempregada , com o que ganha o marido ou não, com indimnização ou não, o facto é que ela está mesmo desempregada. pode ser uma desempregada de luxo comparada como os outros milhares. mas não deixa de ser desempregada.

quanto ao Gonçalo Amaral, ainda bem que o colectivo de juízes assim entendeu.Por acaso gostava de ver a outra parte a ser escrutinada como deve ser...

beijinho

Elenáro said...

Quem se despede, nos termos que MMG se despediu, com as somas avultadas de dinheiro que ela certamente recebeu, não pode ser considerada desempregada.

Quando muito ela não tem emprego. Um senhorio que vive dos rendimentos não tem emprego mas também não é desempregado.

Acho de muito mau gosto que aquela senhora, depois da telenovela que deu ao país se chame a si mesma desempregada.

Em relação à baixa, a única coisa que te digo é isto: ou ela, para jornalista e para o que dizia em comentários no programa da televisão em que era pivot, tem uma auto-estima e força de carácter muito baixa ou então ela andou a brincar às baixas.

Honestamente, nem me importa qual seja. Qualquer uma das duas só ainda faz baixar mais a [pouca] consideração que se pode ter por esta senhora.

Bjnho!