Apelo

Por aquilo que já tinha dito aqui tão cedo não falarei muito do que se passou há uns dias atrás com Leandro de 12 anos que morreu, suspeita-se, devido a ser vítima de bullying. No entanto, venho deixar os links para blogues que estão a fazer apelo a 1 minuto de silêncio. A razão porque não faço um post também a apelar e deixo apenas o apelo de outros é simples. Não se trata de indiferença. Não se trata de ignorar o que se passou. Trata-se antes de não entrar, no que eu considero, serem acções do momento para aliviar a consciência de alguns que a devem (e deverão) te-la pesada.

Não tenho nada contra este momento mas este minuto de silêncio só fará, do meu ponto de vista, isso mesmo, aliviar a culpa que alguns sentem por causa da situação (não me refiro a nenhum dos autores dos posts que aqui colocarei. Aliás, não me refiro a ninguém. A quem servir a carapuça, que a enfie.

Contudo, por muito que se faça agora, e este momentos de silêncio são o que de menos útil há a fazer, nada fará com que Leandro viva de novo. Nada apagará a mágoa (se calhar também consciência pesada, não sei) da família e amigos desta criança. Todos terão que aprender a viver com a sua ausência e com a razão da sua ausência também. Este minuto de silêncio não lhes apagará a mágoa a qual só seria apagada por um milagre o qual, tenho a certeza, não acontecerá. 

Este minuto de silêncio servirá somente para tratar a alma dos vivos. Dos que podiam fazer e nada fizeram e dos que quiseram fazer e não puderam... Já agora, também dos que fazem e mesmo assim não conseguiram evitar esta morte por causa da inércia e indiferença da sociedade, comunidade escolar e, por ventura, família.

Deixo então os links.


31 comments:

adolescente gay said...

Concordo com o que tu dizes!

Obrigado por tudo.
Beijo.

Anabela Magalhães said...

Compreendo o que dizes. E até concordo em parte. Mas sou uma mulher de acção e não gosto mesmo de andar de braços estendidos e reajo. E estou furibunda com as ditas "autoridades cmpetentes".
Acrescentas o meu blogue?
Bj

Em@ said...

Elenáro:
Eu poderia dizer-te muita coisa neste momento e sobre este momento, mas sinceramente não me apetece.Estou um bocado cansada, hoje, de remar contra a maré.Mas só hoje.
Sei que o post não é para mim (até porque nem me sinto minimamente, atingida) mas deixa-me só dizer-te uma coisa:
Eu sou muito céptica, mas o que eu menos quero é deixar de acreditar na(s) pessoa(s).Eu tenho tantas dúvidas acerca de tudo, quanto mais, ainda, do que acontece depois da morte.É por isso que faço este apelo. É que se exist alguma coisa para além da morte, quero que o Leandro sinta a energia da solidariedade que não sentiu em vida.Só por isso.
Sossega-me o pavor que tenho do vazio, do nada!
E pode ser que, se o movimento for estrondosamente grande, quem devia ter feito alguma e não fez, possa no futuro, evitar + casos destes.
Beijinho

Elenáro said...

"Sossega-me o pavor que tenho do vazio, do nada!"

Como te disse, o apelo é para sossegar os vivos. :)

Eu não quis entrar pela metafisica. Não quis tecer nenhuma consideração sobre o que se passa depois da morte. Mesmo que assim não fosse, o que disse não deixa de ter sentido.

Repara que se há "vida" depois da morte, então, muito provavelmente, o Leandro sabe e reconhece quem está/esteve ao seu lado independentemente do minuto de silêncio.

Se não há "vida" depois da morte, neste caso, o minuto de silêncio, para ele, será inútil.

A única coisa que é certa para ambos os casos, é que estas coisas ajudam os que ficam a lidar com a ausência dos que partem.

:)

Martins said...

Concordo (já o tinha feito anteriormente) com o teor do teu post.

Chega a ser terceiro mundista esta história do minuto de silêncio para sossegar algumas "almas atormentadas".

A maior homenagem que poderíamos fazer a esta criança era apurar as verdadeiras causas desta tragédia, mas isso levantaria muitas questões ruidosas que não se compaginam com um qualquer silêncio.

e mais não digo em respeito por este e outros casos.

Martins said...

Também me atormenta o facto de muita gente tratar a criança pelo seu nome próprio, como se íntimos fossem.

É pretensioso e até chocante para não dizer hipócrita ou demagógico o surgimento de muitos "amigos" em contraponto aos amigos que ele não teve quando mais precisaria e que na altura podiam fazer a diferença.

Em@ said...

E viva o 3º mundo, porque é nele que vivemos , deixemos os coplexos de lado.
O 3º mundo virou 4º mundo, há muito tempo.
Mas será que nas pessoas que fizeram o apelo ao minuto de silêncio passou, alguma vez, pela cabeça não se apurarem as verdadeiras causas desta tragédia? Isso está bem expresso no comunicado das organizações em questão!Era só ler o documento!

Martins said...

Bem, lendo a carta,

"Os destinatários da presente carta a apurarem todas as responsabilidades por acção e por omissão na morte deste jovem e concomitantemente envolverem as autoridades policiais e judiciais."

Juntando uma notícia do JN, com a salvaguarda de ela poder não ser verdadeira,

"A Escola omitiu agressões à comissão de menores"

Levanta-se a seguinte questão:

Como podem as "autoridades policiais e judiciais" actuar se quem o devia comunicar não o faz!!!.

Anda muita gente entretida com floreados...

Em@ said...

*...coMplexos.

Sorry , Elenáro , pel typo. Já me conheces e sabes a atração que tenho por eles e eles por mim...irresistível.

Elenáro said...

:) LoL Em@. :) Não te preocupes. ;)

Martins, é certo que houve claramente falhas pela parte de funcionários, professores e direcção da escola.

Certamente que dos sindicatos e movimentos de professores e dos próprios professores há um assobiar para o lado no que toca a apurar as responsabilidades. Infelizmente a culpa aqui será, em grande parte, daqueles que conviviam com o Leandro e nada fizeram.

Foram os professores e funcionários que não agiram como e quando deviam, foi o funcionário que não estava no portão e é a direcção que, aparentemente, também anda a assobiar para o lado.

No entanto, também é um facto que se diz no comunicado que se vão apurar responsabilidades. No fim saber-se-á se sim ou não, mas até ver não podes dizer o contrário.

Lelé Batita said...

Mas como se haveria de tratar se não pelo nome próprio uma crinça de 12 anos? Senhor Leandro Filipe?
Ora, santa paciência - é mesmo só gostar de embirrar!

Martins said...

Elenáro,

Concordo muito contigo, especialmente pela forma elegante e cordata como discordas de algo ou alguém.

Neste caso a família também foi culpada por não se ter apercebido do drama que entretanto se desenhava.
Agora culpa nem sempre é sinónimo de dolo e neste caso possivelmente pelo facto de existir algum handicap interpretativo por parte da envolvente familiar (as razões disto dava para outro filme) o dolo estará mais do lado institucional.

Até que ponto questões corporativas instrumentalizadas por querelas partidárias desviaram os responsáveis escolares e seus agentes de outras realidades latentes e neste caso em especial, latejantes???

Não existe nenhum minuto de silêncio ou dia de reflexão que apague da minha mente este encadeamento circunstancional.

Elenáro said...

Lelé Batita, agora fizeste-me rir. Muito bem observado! XD

De facto torna-se difícil chamar alguém em particular sem ser pelo nome.

Martins, a Lelé aí apanhou-te bem! :P

Em@ said...

Lelé:
Como bem sabes,o nome (civil) é o que dá visibilidade à pessoa física, perante a sociedade e a lei.se não utilizamos o nome civil utilizamos o Sicrano, Fulano, Beltrano de tal e alguns até o termo "criatura".:P
Beijinho para ti!

Martins said...

Lamento, mas cá o embirrento continua a pensar do mesmo modo e se isso desassossegar alguém já me dou por satisfeito.

Muita gente fala da questão Leandro em particular e assim dilui-se a questão fulcral de muitas e muitas crianças,o que me preocupa bastante.

Quase me atrevo a dizer o quanto eu percebo a escolha da parte que elegeram para me contrariar oh! se percebo...

Elenáro said...

Martins, penso que no resto, na parte da atribuição de culpas é claro que é impossível negar que a comunidade escolar, desde a direcção da escola à próprios colegas, têm culpa no cartório.

E fora da escola, também há culpas a atribuir. Mas penso que aqui é consensual a opinião geral. Digo eu vá.

Estou a falar com a impressão que tenho.

Martins said...

lembro-me que vários dos que aqui agora escrevem, incluindo eu, chegávamos aos 200 comentários quando o assunto era no blog do Ramiro algo relacionado com avaliação.

Neste caso em particular faço tudo para chegarmos aos 20.

Assim passa a ser apenas uma questão menor, apenas um zero

Martins said...

Sim Elenáro é lógico que a "CULPA" tem muitos rostos.

O que é incongruente é alguns quererem ser os protagonistas principais (quase os únicos)da vida da Escola, estribados numa tecnocracia pedagógica de carácter quase absolutista e depois quando as coisas dão para o torto ficam como aquela jovem promissora que gosta muito de cerejas desde que lhe tirem o malfadado caroço...

Elenáro said...

Não creio que assim seja, Martins. Não me parece que haja uma tentativa por parte dos professores de serem os únicos "dirigentes" das escolas.

Mas em todo o caso, os professores e funcionários são os únicos que lá estão a trabalhar. Os restantes, poder autárquico e ME, não estão lá. Trabalham através de relatos e dados estatísticos. Falta-lhes a parte do terreno e isso implica que não possam ser eles a realizar o trabalho nas escolas ou a quererem regulamentar tudo e mais alguma coisa.

Neste caso particular, ao poder político exige-se que haja, que crie mais mecanismos para o célere e eficaz tratamento destes casos. O resto deve ficar na mão dos professores e funcionários. Não me parece esta posição, de todo, um síndroma de protagonismo exacerbado.

Martins said...

Elenáro, eu que não me importo com o caroço também tenho de falar da Associação de Pais que tem a sua parte de responsabilidade.
Li um comunicado que está publicado no site da Confap e pior do que o silêncio é fazerem uma informação que não diz rigorosamente nada.
As Associações e os Pais que por força da nova organização e gestão escolar têm mais peso, têm também mais responsabilidades.

Elenáro said...

Pois, mas não a usam... Aliás, só sabem criticar. Quando toca a fazer, os empregos/trabalhos deles são sempre prioritários o tempo, de repente, fica escasso. Escasso para tudo incluindo para os próprios filhos.

Mas pronto. O importante agora é olhar para o futuro. O importante é não deixar cair isto no esquecimento. As culpas, atribuindo-as ou não a quem de direito, não vão trazer esta criança de volta. Arrisco dizer que também pouco farão para evitar futuros casos se não houver uma mudança de atitude das pessoas.

Há que deixar a indiferença de lado se se quer que as coisas mudem. A única coisa que eu digo agora é que, deixe-se os culpados com o peso na consciência (que é bem pior do que qualquer inquérito ou comissão) e deixe-se a família e amigos de Leandro fazerem o seu luto em paz.

Martins said...

Em matéria de gestão das Escolas se os professores não querem ser os únicos a estar à frente do seu destino não é isso de todo que decorre da maioria das intervenções acerca da matéria.
Aliás parece-me que a participação de outros nessa gestão apenas serve para enfeitar e diluir as culpas se algo der para o torto.
Nesta tragédia em especial a culpa não será só da Direcção mas essencialmente do seu Conselho Geral, quanto mais não seja pelos actos de omissão.

Martins said...

Sim Elenáro vamos deixar o luto seguir o seu caminho e por mim já fico contente com estes 20 comentários que são na minha opinião bem melhores que 20 horas de pungente silêncio.

Elenáro said...

Certo, mas isso não são só professores. Há pais... Há membros das autarquias... Não creio que tenham só sido uns a fazerem silêncio.

Aqui não podes querer atirar as culpas só para um lado ou fazer de um dos lados o lado perverso da coisa. Todos ignoraram ou deixaram que se ignorasse... Até os médicos do hospital onde Leandro, segundo sei, foi receber tratamento por agressões.

Há culpa que chegue para todos. E, muito honestamente, a culpa aqui é irrelevante. Mais importante é que agora se previna o futuro e isso faz-se pela consciência e não pelo lado da culpabilização. Essa parte fica para a consciência dos que a tiverem (já me estou a repetir).

Elenáro said...

O silêncio nunca é solução... Ou raramente o é.

Martins said...

Estás a ser um pouco injusto Elenáro.

Em termos de culpas, eu já disparei em todas as direcções e só falta mais uma... Eu também.

Uma boa noite para ti.

Até já

Elenáro said...

Injusto? Como assim?

Martins said...

"Aqui não podes querer atirar as culpas só para um lado ou fazer de um dos lados o lado perverso da coisa"

Elenáro dixit

Elenáro said...

Pareceu-me, a dada altura, que estavas a tentar por as culpas só num dos lados, Martins.

Mas sim, se calhar fui injusto pois acabaste por espalhar a culpa, como de resto não poderia ser de outro modo.

I stand corrected.

Elenáro said...

My apologies.

Martins said...

I had no need of that...