Tira-se Sócrates, mantém-se as políticas



Hoje começam todos a cair na realidade politico-económica do país real. Todos festejaram por se tirar de lá Sócrates. Eu não posso dizer que tenha ficado minimamente entristecido por tal acontecimento também. Contudo, avisei desde logo que isto era uma brincadeira de trauliteiros políticos sem o mínimo de inteligência para perceberem no buraco que nos estavam a meter a todos.

No imediato já vamos pagar mais juros pelo dinheiro que precisamos que nos emprestem agora. Os investidores e especuladores ficam cada vez mais convencidos que Portugal não é um país sério no qual se possa confiar. Nos negócios, a confiança é algo que não tem preço e nós mostramos que não temos confiança a oferecer.

Depois, também começam a cair as ilusões de que as coisas mudariam com a saída do governo. Quem julgava que se ia tirar Sócrates e que isso iria mudar as políticas enganou-se. Passos Coelho, que entrou a matar, já tinha mandado recado por Ferreira Leite no parlamento que o problema não eram os cortes nos salários e nas reformas e menos ainda o aumento de impostos. O problema estava em que não eram eles a fazerem isso. Credibilidade, ou falta dela, diz Passos Coelho. Pois bem, Sócrates perdeu a credibilidade porque chegou a ser Primeiro-Ministro. Já o líder do PSD, ainda não foi eleito (e ver-se-á se o será) e já está sem credibilidade nacional e internacional.

Lá fora ninguém percebe muito bem o que se passou e o que andam os responsáveis políticos portugueses a fazer. Perguntam-se quem são estes senhores que se lixam a eles próprios e os lixam a eles e aos seus países também. 

Cá dentro acreditava-se que Passos Coelho iria ser diferente de Sócrates, já que era essa a imagem e mensagem que fazia passar. Pois bem, a primeira coisa que faz é dizer, mesmo antes do governo ser demissionário, que o problema não era o PEC. Depois do governo ficar demissionário, a primeira coisa que anuncia é que vai aumentar o IVA. Como o aumento do IVA não vai ser suficiente para tapar a cratera orçamental, não tardará a anunciar que afinal vai mesmo ter que cortar na despesa (salários, pensões e no social) ou subir ainda mais outros impostos. Para além disto, diz que discorda de Merkel mas cada vez que abre a boca é para dizer que ela tem razão e que fará o que tinha sido prometido. Em resumo, será José Sócrates versão Passos Coelho. 

Com todas estas cambalhotas discursivas e opinativas, é com dificuldade que vejo alguma diferença entre ter lá Sócrates ou Coelho. Além disto, caso Passos Coelho venha a ser o próximo Primeiro-Ministro, o que ainda não é garantido, teremos um chefe de governo que será olhado por quem tem o dinheiro que nós neste momento até precisamos com muita desconfiança e como alguém que não olha a meios para atingir os seus fins, ou seja, alguém com um ambição sem limites. Será muito dificil negociar e ter qualquer tipo de benesses com um ponto de partida destes.

E isto é apenas a realidade a formar-se. Com o tempo, e como tinha antes dito, a alegria de ontem, que hoje já deve ser mais dúvida, será tristeza amanhã.

4 comments:

Em@ said...

Pois eu não acreditava, nem acredito que o Passos Coelho e o PSD ou CDS sejam a solução para o País.Fiquei contente com a saída do PM , mas estou apreensiva com o que aí vem. aprendi, contudo , a viver um dia de cada vez.Que há muito Portugal perdeu a independência, perdeu. mas ao menos espero que possamos ainda estrebuchar e dar luta!
bjinho

donatien alphonse françois said...

Também me parece...

Elenáro said...

Em@

Não se trata tanto de independência mas sim, penso eu, exactamente o contrário: dependência. E não somos só nós. Repara que o que se passa em Portugal hoje assusta França e Alemanha pois estamos todos interligados.

Mas luta podemos dar sempre.

Elenáro said...

donatien

A ver vamos no que isto vai dar. Para já vai mal mas logo se verá.